A ferraria que nasceu na Serra do Rio Grande do Sul em 1911 virou uma gigante global presente em 120 países, com 22 mil produtos e fábrica até na Índia
A Tramontina é provavelmente a marca brasileira mais presente nas cozinhas do mundo, e quase ninguém sabe que ela nasceu pequena, numa cidadezinha da Serra Gaúcha, em 1911. Hoje a empresa fatura cerca de R$ 10 bilhões por ano, exporta para mais de 120 países e completa 115 anos como um dos maiores casos de sucesso da indústria nacional.
A Tramontina começou como uma simples ferraria e se transformou em um império de utensílios de cozinha, ferramentas e eletrodomésticos, com mais de 22 mil produtos diferentes no catálogo. A sede continua na mesma origem, no interior do Rio Grande do Sul, provando que dá para conquistar o planeta sem sair da Serra Gaúcha.
De uma ferraria em 1911 a uma gigante global
A história tem cara de filme. Segundo o Correio de Minas, a empresa foi fundada em 1911 por Valentin Tramontina, na Serra Gaúcha, como uma pequena ferraria que produzia ferramentas e objetos de metal para a região.
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A profissionalização veio aos poucos, atravessando gerações da família. Em 1954, o negócio foi formalmente registrado, e a partir daí começou a escalar a produção. O que era artesanal virou indústria, e a marca foi se espalhando primeiro pelo Brasil e depois pelo mundo, sempre mantendo o comando concentrado na cidade de origem.
A primeira faca exportada para o Chile em 1969
O salto internacional tem uma data simbólica. Ainda conforme o Correio de Minas, a Tramontina fez sua primeira exportação em 1969, enviando facas para o Chile, um marco que abriu a porta para a expansão que viria nas décadas seguintes.
De lá para cá, a presença lá fora só cresceu. Em 1989, os produtos entraram nas lojas do Walmart, um passaporte e tanto para o varejo americano. Cada nova fronteira conquistada transformava a marca de fornecedora regional em jogadora global, até chegar à malha atual, espalhada por mais de uma centena de países.
120 países e um quarto do faturamento vindo de fora

A vocação exportadora é hoje um dos pilares da empresa. O Correio de Minas aponta que a Tramontina está presente em 120 países, com as exportações respondendo por cerca de 25% do faturamento, e Estados Unidos e Alemanha entre os principais destinos.
Para sustentar essa presença, a empresa montou uma estrutura internacional robusta, com cerca de 20 operações no exterior, entre filiais, centros de distribuição e escritórios. Vender para o mundo exige muito mais que fabricar bem, exige logística e marca, e é nesse ponto que a companhia se diferencia de tantas indústrias que ficam só no mercado interno.
R$ 10 bilhões e 22 mil produtos diferentes
Os números de hoje impressionam. De acordo com a Exame, a Tramontina opera com mais de 22 mil itens no portfólio, de facas e panelas a ferramentas, móveis e materiais elétricos, e cresceu cerca de 20% em receita nos últimos dois anos.
Esse leque gigantesco é uma das chaves do sucesso. A marca está na cozinha, na garagem, no jardim e na obra ao mesmo tempo, o que dilui o risco e amplia o alcance. Poucas empresas conseguem ser relevantes em tantas categorias diferentes, e essa diversidade é o que mantém a Tramontina crescendo mesmo em anos difíceis para a indústria.
Carlos Barbosa, a pequena cidade que virou capital industrial

O detalhe mais simbólico da história é a geografia. Toda a administração da gigante continua concentrada em Carlos Barbosa, uma pequena cidade da Serra Gaúcha, longe dos grandes centros econômicos do país. A empresa virou praticamente sinônimo do município.
Esse enraizamento gerou um polo industrial completo na região, com gente especializada, fornecedores e uma cultura de trabalho que sustenta a operação. Manter o cérebro do negócio no interior, e não numa capital, é uma escolha que define a identidade da marca. A Tramontina mostra que polo de tecnologia e produção não precisa ficar só nas metrópoles.
A nova estratégia da Tramontina: dividir a marca em seis
A novidade que move a empresa agora é uma reorganização ousada. Segundo a Exame, a Tramontina decidiu dividir sua marca em seis para crescer em frentes específicas: a marca principal, que concentra 90% do portfólio, mais submarcas como Primia, Oniq, Althea, PRO e Master, além da rede de lojas T store.
A ideia é falar com públicos diferentes sem diluir a marca-mãe, atendendo da alta gastronomia ao consumidor comum e à indústria. Segmentar a marca é a forma encontrada para crescer sem perder identidade, uma jogada que grandes grupos globais costumam usar. A estratégia, planejada desde 2019, tem lançamentos escalonados até 2028.
12 mil empregos e fábricas até na Índia
A operação industrial é tão impressionante quanto a comercial. A empresa emprega mais de 10 mil pessoas, segundo a Exame, número que o Correio de Minas registra como superior a 12 mil, distribuídas por unidades no Brasil e no exterior.
São oito unidades fabris no total, sendo seis no Rio Grande do Sul, uma em Pernambuco e uma na Índia, segundo a Exame. Ter uma fábrica na Ásia mostra que a marca deixou de ser apenas exportadora e virou multinacional de fato, produzindo perto de mercados estratégicos para ganhar competitividade e reduzir custos de logística.
Por que uma marca de cozinha vira patrimônio nacional
O caso da Tramontina vai além dos números. Ela é uma daquelas marcas que o brasileiro encontra em qualquer lugar, da feira ao shopping, e que carrega no exterior a imagem de qualidade da indústria do país. Virou um símbolo de que dá para competir lá fora com produto bom e marca forte.
Em um momento em que a indústria gaúcha e a nacional brigam por espaço no ranking mundial, ter uma campeã desse porte importa muito. Uma empresa que exporta utensílios de cozinha para 120 países gera emprego, renda e orgulho, e prova que o Brasil pode ser mais que exportador de matéria-prima.
Uma centenária que ainda quer crescer
Aos 115 anos, a Tramontina não dá sinais de acomodação. Com a marca dividida em seis, novas operações no exterior e um portfólio que não para de crescer, a empresa aposta em mais uma fase de expansão, mirando tanto o mercado externo quanto nichos premium dentro de casa.
A pergunta que fica é se a próxima geração da marca vai conseguir repetir, em escala global, o feito que começou numa ferraria de cidade pequena. Você imaginava que a faca ou a panela da sua cozinha pode ter saído de uma empresa nascida na Serra Gaúcha em 1911?
