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O 1º túnel imerso do Brasil vai ligar Santos a Guarujá em 2 minutos por R$ 6 bilhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/06/2026 às 18:45 Atualizado em 30/06/2026 às 18:49
Túnel imerso Santos-Guarujá: o 1º do Brasil vai cortar a travessia de balsa de 18 minutos para 2 e custar R$ 6 bilhões. Veja como a obra funciona.
Túnel imerso Santos-Guarujá: o 1º do Brasil vai cortar a travessia de balsa de 18 minutos para 2 e custar R$ 6 bilhões. Veja como a obra funciona.
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Esperada há quase um século, a obra vai afundar módulos gigantes de concreto no canal do porto e aposentar a balsa que ainda separa as duas cidades

O primeiro túnel imerso do Brasil finalmente saiu do papel e promete encerrar uma das esperas mais longas da engenharia nacional. A ligação fixa entre Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo, vai usar uma tecnologia inédita no país para cortar uma travessia que hoje depende de balsa e pode levar quase uma hora.

O túnel imerso vai ter 1,5 quilômetro de extensão, com 870 metros submersos sob o canal do porto, e está orçado em cerca de R$ 6 bilhões. Quando ficar pronto, a passagem entre as duas cidades cairá para poucos minutos, contra os 18 minutos médios da balsa atual, transformando a mobilidade de toda a Baixada Santista.

Uma espera de quase 100 anos

A ligação seca entre Santos e Guarujá é um sonho antigo da região. Segundo o Metrópoles, o projeto é aguardado há cerca de 100 anos, atravessando gerações de moradores que dependem da água para cruzar de um lado a outro.

Hoje, quem precisa ir de uma cidade à outra encara a balsa ou um desvio enorme por terra. Pela estrada, são até uma hora para vencer cerca de 40 quilômetros, segundo o governo federal. A travessia curta no mapa vira um suplício no dia a dia, e é justamente esse gargalo histórico que o túnel pretende resolver de vez.

Como funciona um túnel imerso

A grande novidade está no método construtivo, inédito no Brasil. Em vez de escavar por baixo do leito, o túnel imerso é montado com módulos de concreto pré-moldados, construídos em docas secas e transportados flutuando até o local.

Depois de posicionados, esses módulos gigantes são afundados com precisão e encaixados no fundo do canal, protegidos por camadas de areia e pedras. De acordo com a Casa Civil, a técnica é a mesma usada no túnel Fehmarnbelt, que liga Alemanha e Dinamarca e é considerado a maior obra de infraestrutura em andamento na Europa. O Brasil estreia, assim, no clube de poucos países que dominam esse tipo de travessia.

1,5 km de extensão e 870 metros debaixo d’água

Os números dão a dimensão do projeto. Conforme a Casa Civil, o túnel terá 1,5 quilômetro no total, sendo 870 metros efetivamente submersos sob o canal de navegação do porto de Santos, o mais movimentado da América Latina.

Construir uma travessia bem embaixo de um canal portuário em plena operação é um desafio à parte, porque os navios não podem parar. Por isso a opção pelo modelo imerso, que permite preparar os módulos em terra e apenas afundá-los na posição final. É engenharia pensada para não atrapalhar o porto enquanto a obra avança, um detalhe que pesou na escolha da tecnologia.

Da balsa de 18 minutos para a travessia de 2

A balsa que hoje liga Santos ao Guarujá leva 18 minutos em média e enfrenta filas e a passagem de navios.
A balsa que hoje liga Santos ao Guarujá leva 18 minutos em média e enfrenta filas e a passagem de navios.

O ganho de tempo é o que mais muda a vida de quem mora na região. Segundo a Casa Civil, a travessia pelo túnel deve cair para cerca de 2 minutos, ante os 18 minutos médios da balsa, que ainda enfrenta filas e paradas para a passagem de navios.

O Metrópoles registra que, em dias ruins, a balsa pode levar 50 minutos ou mais por causa do clima e do tráfego de embarcações. Trocar isso por uma passagem rápida e previsível é um salto enorme de produtividade. A travessia de balsa, que organiza a rotina da Baixada Santista há décadas, tem os dias contados.

R$ 6 bilhões e uma das maiores obras do Novo PAC

O porte financeiro acompanha a ambição. A Casa Civil aponta investimento estimado em R$ 6 bilhões, classificando o projeto como um dos maiores da carteira do Novo PAC custeados pelo Orçamento Geral da União.

O modelo escolhido é uma parceria público-privada, com participação dos governos federal e estadual e da iniciativa privada, em um contrato de 30 anos. Já o Metrópoles cita um lance de R$ 6,8 bilhões no leilão realizado em setembro de 2025. Dividir o custo e o risco entre Estado e iniciativa privada é o que torna uma obra desse tamanho viável, sem travar o orçamento público em uma única tacada.

Uma obra para mais de 36 mil pessoas por dia

A demanda justifica o investimento bilionário. A Casa Civil estima que o túnel deve atender mais de 36 mil usuários por dia, somando quem cruza a trabalho, a estudo ou a passeio entre as duas cidades.

Não é só carro. O projeto reserva espaço para seis faixas de tráfego, uma ciclovia, uma passagem de pedestres e até uma faixa para um futuro Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT. Pensar a obra de infraestrutura já com transporte público e mobilidade ativa é o que diferencia um projeto moderno de uma simples ligação rodoviária.

Quem vai construir e quando fica pronto

No método imerso, módulos de concreto pré-moldados são afundados e encaixados no leito do canal.
No método imerso, módulos de concreto pré-moldados são afundados e encaixados no leito do canal.

A execução ficou com um nome de peso no setor. Segundo o Metrópoles, o leilão de setembro de 2025 foi vencido pela construtora Mota-Engil, de Portugal, que assume a missão de entregar o pioneirismo no Brasil.

O cronograma é longo, como toda obra desse porte. A previsão é de que a etapa de imersão e montagem dos módulos aconteça por volta de 2029, com conclusão prevista para o fim de 2031, quando a operação comercial deve começar. Entre o sonho de 100 anos e a inauguração, ainda faltam alguns anos de obra, mas pela primeira vez existe contrato, dinheiro e data.

Por que o túnel imerso pode virar modelo no Brasil

O impacto vai além da Baixada Santista. Por ser o primeiro do tipo no país, o túnel imerso de Santos pode servir de aprendizado para futuras travessias em regiões costeiras, onde pontes nem sempre são viáveis por causa da navegação.

Se a obra der certo, o Brasil passa a contar com uma nova ferramenta de engenharia para vencer canais, baías e rios largos sem atrapalhar o tráfego de navios. Dominar a tecnologia em uma obra é abrir a porta para muitas outras, e é por isso que o projeto é observado bem além de São Paulo.

Um século de espera perto do fim

O primeiro túnel imerso do Brasil junta tudo o que uma grande obra de infraestrutura precisa ter para empolgar: tecnologia inédita, número grande, impacto direto na vida das pessoas e o fim de uma espera centenária. Falta agora cumprir o cronograma e provar que o país sabe entregar.

Resta a pergunta que toda obra longa deixa no ar: o túnel vai mesmo ficar pronto até 2031 e aposentar a balsa de uma vez? Você trocaria a travessia de balsa por um túnel que passa por baixo dos navios do maior porto da América Latina?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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