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Há 20 anos o Brasil importava algodão, hoje é o maior exportador de algodão do mundo

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/06/2026 às 19:45 Atualizado em 30/06/2026 às 19:47
xportador de algodão: o Brasil passou os EUA e virou o maior do mundo seis anos antes do previsto, com 3,7 milhões de toneladas. Veja como a virada aconteceu.
xportador de algodão: o Brasil passou os EUA e virou o maior do mundo seis anos antes do previsto, com 3,7 milhões de toneladas. Veja como a virada aconteceu.
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O país que comprava fibra de fora virou líder global e passou os Estados Unidos seis anos antes do que os próprios produtores previam

O Brasil se tornou, pela primeira vez na história, o maior exportador de algodão do mundo, ultrapassando os Estados Unidos. A virada é impressionante porque, pouco mais de duas décadas atrás, o país era o segundo maior importador da fibra, dependente do que vinha de fora para vestir a própria população.

O salto para o posto de maior exportador de algodão veio antes do esperado: a meta era alcançar a liderança só em 2030. Na safra 2023/2024, o Brasil produziu cerca de 3,7 milhões de toneladas de pluma e exportou em torno de 2,6 milhões, consolidando uma transformação que mudou o mapa global da fibra.

De segundo maior importador a líder mundial

A frase que melhor resume a reviravolta veio do próprio setor. Segundo a Abrapa, associação que reúne os produtores, seu presidente Alexandre Schenkel lembrou que, há pouco mais de duas décadas, o Brasil era o segundo maior importador de algodão do mundo.

Sair dessa posição e chegar ao topo das exportações em tão pouco tempo é raro em qualquer commodity. Passar de comprador a maior vendedor do planeta é uma virada que poucos países conseguiram em qualquer produto agrícola, e mostra a velocidade com que o agronegócio brasileiro avançou no interior do país nas últimas décadas.

3,7 milhões de toneladas e seis anos de antecipação

Os números explicam o tamanho do feito. De acordo com a CNN Brasil, na safra que vai de julho de 2023 a junho de 2024 o país colheu cerca de 3,7 milhões de toneladas de pluma e exportou perto de 2,6 milhões, o suficiente para passar os Estados Unidos.

O mais surpreendente é o calendário. A própria projeção do setor apontava 2030 como o ano em que o Brasil assumiria a ponta. Chegar lá seis anos antes do previsto mostra que a produção de algodão cresceu mais rápido do que o próprio mercado imaginava, puxada por ganhos de produtividade e expansão de área plantada.

O Cerrado que virou potência do algodão

Colheitadeiras avançam sobre os campos de algodão do Cerrado, motor da liderança brasileira na fibra.
Colheitadeiras avançam sobre os campos de algodão do Cerrado, motor da liderança brasileira na fibra.

O coração dessa produção está no Cerrado, sobretudo em Mato Grosso e na Bahia, onde grandes lavouras mecanizadas transformaram o bioma em uma das regiões mais produtivas do mundo para a fibra. Foi ali que o algodão brasileiro ganhou escala e competitividade.

A combinação de clima, tecnologia e grandes propriedades permitiu colheitas que pouca gente imaginava décadas atrás. O mesmo bioma que já era celeiro de soja e milho virou também o motor do algodão, num modelo de agricultura intensiva em tecnologia que o país aprendeu a dominar e exportar como conhecimento.

Para onde vai o algodão brasileiro

A fibra que sai do Brasil veste boa parte da Ásia. Conforme a Abrapa, os principais destinos da produção nacional são China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão, justamente os grandes polos da indústria têxtil mundial, que transformam o algodão em roupa para o planeta inteiro.

Essa dependência asiática é uma força e um risco ao mesmo tempo. Enquanto a demanda desses países seguir firme, o produtor brasileiro tem comprador garantido. Ser fornecedor das maiores fábricas de tecido do mundo deu ao Brasil um mercado gigantesco, mas também o deixa exposto às oscilações econômicas da Ásia.

84% da produção com certificação socioambiental

Fardos de algodão prontos para embarque, com boa parte da produção brasileira já certificada do ponto de vista socioambiental.
Fardos de algodão prontos para embarque, com boa parte da produção brasileira já certificada do ponto de vista socioambiental.

Um diferencial importante aparece na origem da fibra. Segundo a Abrapa, 84% do algodão produzido no Brasil tem algum tipo de certificação socioambiental, um selo cada vez mais exigido pelas marcas de roupa que querem provar que a matéria-prima é responsável.

Esse dado pesa no mercado externo. Compradores europeus e asiáticos pressionados por consumidores cobram rastreabilidade, e ter a maior parte da produção certificada vira argumento de venda. Produzir muito já não basta, é preciso produzir com selo, e nesse ponto o algodão brasileiro saiu na frente de boa parte dos concorrentes.

Por que o Brasil virou o maior exportador de algodão

A ultrapassagem não foi sorte. Enquanto a área de algodão dos Estados Unidos enfrenta concorrência de outras culturas e variações climáticas, o Brasil expandiu lavouras e elevou a produtividade por hectare de forma consistente. O resultado foi uma produção que cresceu mesmo com preços oscilando.

A escala das fazendas brasileiras e o uso intensivo de máquinas e insumos derrubaram o custo por quilo de fibra. Quando se produz mais barato e em maior volume, sobra fibra para exportar, e foi esse excedente que jogou o país à frente do tradicional líder do mercado, num feito que parecia distante.

O gargalo da indústria têxtil dentro de casa

Há, porém, um contraponto pouco comentado. A CNN Brasil aponta que a indústria têxtil brasileira consome apenas cerca de 700 a 750 mil toneladas de algodão por ano, um volume estagnado, enquanto o país colhe milhões de toneladas. Ou seja, o Brasil exporta a fibra crua e importa boa parte da roupa pronta.

Esse descompasso é o paradoxo do sucesso. O agro virou potência, mas a indústria de transformação não acompanhou no mesmo ritmo. Vender fibra barata e comprar camiseta cara é o tipo de conta que o país ainda precisa equilibrar, agregando valor ao algodão antes que ele saia do território nacional.

Uma liderança que ainda será disputada

O topo do ranking não é um lugar garantido. A própria Abrapa pondera que a liderança não será necessariamente mantida em todos os ciclos, e que Brasil e Estados Unidos devem alternar ou disputar de perto a primeira posição nos próximos anos. A ponta agora é brasileira, mas a briga continua.

A pergunta que fica é se o Brasil vai conseguir não só manter a coroa de maior exportador de algodão, mas também industrializar essa fibra dentro de casa. Você sabia que o país que hoje veste meio mundo com seu algodão, há vinte anos, dependia de comprar a fibra de fora?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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