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Esqueça as estradas: China agora usa o céu para testar uma nova mobilidade urbana em Hefei, com aeronaves elétricas, drones e um mercado trilionário que promete mudar o transporte do país

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 30/06/2026 às 18:51 Atualizado em 30/06/2026 às 19:01
China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.
China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.
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Hefei se tornou vitrine de uma nova fase da mobilidade chinesa, na qual drones, aeronaves elétricas e estruturas urbanas de voo passam a testar usos civis do céu em transporte, turismo, logística e serviços de emergência.

A cidade de Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China, tornou-se uma das vitrines do país para a chamada economia de baixa altitude, setor que reúne aeronaves elétricas, drones, infraestrutura aérea urbana e serviços civis em faixas inferiores do espaço aéreo.

No Parque Central de Luogang, o projeto ganhou força com estruturas voltadas à mobilidade aérea urbana, incluindo um hub lançado pela EHang em 13 de novembro de 2024 para operações com aeronaves eVTOL, sigla em inglês para veículos elétricos de pouso e decolagem vertical.

Com essa iniciativa, a China tenta transformar uma parte pouco explorada do céu urbano em espaço econômico, com aplicações em transporte de passageiros, turismo aéreo, logística, inspeções industriais, agricultura de precisão e serviços de emergência.

Segundo o governo chinês, a economia de baixa altitude envolve atividades com aeronaves tripuladas e não tripuladas que operam geralmente abaixo de 1 mil metros acima do solo, faixa que passou a receber atenção estratégica no planejamento industrial do país.

Hefei aposta em eVTOLs para mobilidade urbana

Em Hefei, a prioridade é criar uma rede de infraestrutura capaz de sustentar voos de curta distância dentro da cidade e, em uma etapa posterior, integrar diferentes serviços aéreos urbanos.

China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.
China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.

Apresentado como projeto de demonstração para operações comerciais de eVTOLs no leste da China, o hub do Parque Central de Luogang faz parte da parceria entre a EHang e o governo municipal.

A estrutura ocupa cerca de 1.963 metros quadrados e foi projetada para receber de 10 a 20 unidades do modelo EH216-S, aeronave autônoma de passageiros desenvolvida pela EHang.

Dentro do espaço, foram previstas áreas de emissão de bilhetes, espera, embarque, comando e controle, além de zonas destinadas à recarga e à manutenção das aeronaves.

Mais do que um ponto isolado de pouso e decolagem, o projeto integra um plano de infraestrutura e aplicações para mobilidade aérea urbana apresentado pela prefeitura de Hefei.

Nesse desenho, a rede local funciona em três níveis, formada por hubs, bases operacionais e pontos de pouso e decolagem, com foco em transporte aéreo urbano, turismo e deslocamentos entre distritos.

Parque Central de Luogang vira laboratório aéreo

Antes da inauguração do novo hub, Hefei já havia iniciado a estruturação do Parque Central de Luogang como área de testes para a mobilidade aérea urbana.

Em maio de 2024, o local recebeu um centro de operações também voltado ao uso de eVTOLs, com capacidade planejada para operar 10 unidades do EH216-S e armazenar até 50 aeronaves.

Essa base física abriu espaço para testes, demonstrações e futuras rotas comerciais, ao mesmo tempo em que permitiu à cidade aproximar fabricantes, operadores e autoridades regulatórias em torno de um mesmo ambiente.

O avanço local acompanha uma diretriz nacional mais ampla, já que a economia de baixa altitude apareceu pela primeira vez no relatório de trabalho do governo chinês em 2024 como novo motor de crescimento.

China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.
China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.

Na mesma agenda, o Comitê Central do Partido Comunista da China indicou o desenvolvimento da aviação geral e da economia de baixa altitude como prioridade, ao lado de setores como biofabricação e voos espaciais comerciais.

Drones e aeronaves elétricas entram na estratégia chinesa

Esse interesse ganhou força porque o setor combina tecnologia, indústria e serviços, além de abrir novas aplicações para aeronaves não tripuladas, sistemas de controle aéreo e equipamentos elétricos de decolagem vertical.

Na China, drones já são usados em entregas, inspeções de redes elétricas, monitoramento agrícola, coleta de imagens em usinas solares e apoio a resgates, enquanto os eVTOLs avançam como aposta para trajetos urbanos ou turísticos.

Apesar do potencial, a operação em larga escala dessas aeronaves ainda depende de certificações, normas de segurança, infraestrutura urbana, controle de tráfego adequado e aceitação pública para serviços regulares.

Parte do interesse se explica pelos números projetados para o setor.

A Administração de Aviação Civil da China estimava que o valor da economia de baixa altitude chegaria a 1,5 trilhão de yuans em 2025 e superaria 3,5 trilhões de yuans até 2035.

Nessa conta, entram não apenas aeronaves, mas também infraestrutura, serviços, controle de tráfego aéreo, manutenção, logística e aplicações industriais ligadas ao uso civil do espaço aéreo em baixa altitude.

O movimento ajuda a entender por que governos locais chineses passaram a disputar projetos do setor, especialmente em cidades que buscam atrair fabricantes, operadores e novas cadeias de serviços tecnológicos.

Segundo informações divulgadas pelo governo chinês, a maior parte das administrações provinciais já incorporou a economia de baixa altitude em suas agendas de desenvolvimento.

Enquanto Hefei estrutura sua rede de mobilidade aérea, cidades como Hangzhou e Wuhan também trabalham em iniciativas próprias para ampliar usos civis de drones, aeronaves e sistemas inteligentes de gestão aérea.

China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.
China testa em Hefei mobilidade aérea urbana com eVTOLs, drones e mercado de baixa altitude projetado para crescer até 2035 no país.

Parceria entre Hefei e EHang estrutura nova fase

No caso de Hefei, a prefeitura tenta formar um ecossistema que una governo, fabricante, operadora e infraestrutura urbana, com a EHang como uma das empresas centrais dessa etapa de demonstração.

A companhia informou que sua parceria estratégica com o governo municipal começou em outubro de 2023 e levou à criação da Heyi Aviation em março de 2024.

Voltada à implementação e operação de projetos de baixa altitude na cidade, a Heyi Aviation teve pedido de certificado de operador aéreo aceito pela Administração de Aviação Civil da China em julho de 2024.

Essa etapa é necessária para avançar em operações civis com aeronaves autônomas de passageiros, enquanto a estrutura de Luogang funciona como base para demonstrar como o modelo pode sair dos testes e chegar a serviços regulares.

Ainda há, porém, desafios técnicos e regulatórios para que a aposta chinesa no céu urbano se transforme em operação cotidiana.

A expansão dependerá de rotas seguras, comunicação confiável, controle de tráfego, integração com o transporte terrestre e regras claras para separar drones, eVTOLs, helicópteros e outras aeronaves no mesmo espaço aéreo.

Por essa razão, a fase atual combina demonstração tecnológica, construção de infraestrutura e definição gradual de padrões operacionais, sem tratar a mobilidade aérea urbana como um serviço já consolidado em larga escala.

Em Hefei, parques, centros de operação, vertiportos e planos de rotas funcionam como laboratório para um setor que pode deixar de ser experimento e passar a compor serviços de transporte, turismo, logística e atendimento emergencial nos próximos anos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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