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Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 3 comentários

De nação desértica à referência mundial em segurança hídrica, o sistema israelense combina dessalinização, reuso e um canal de 130 km que mudou a história do Oriente Médio

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 24/02/2026 às 12:49
Atualizado em 24/02/2026 às 12:52
Assista o vídeoCanal Nacional de Água com 130 km ligando o mar da Galileia ao deserto de Negev
Sistema hídrico de 130 km elevando água a mais de 200 m acima do nível do mar.
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A escassez de água é um dos desafios globais mais urgentes do século XXI. Além disso, o crescimento populacional e as mudanças climáticas intensificam ainda mais essa pressão sobre os recursos hídricos. Nesse contexto, Israel se destaca como um caso raro de sucesso. Desde sua fundação, em 1948, o país enfrenta uma escassez crônica de água. Entretanto, em uma reviravolta impressionante, Israel hoje produz 20% mais água do que precisa.

A informação foi divulgada por “Mega Engenharia Global”, com base em dados históricos e técnicos sobre o sistema hídrico israelense. Segundo o levantamento, o país não apenas resolveu sua própria crise hídrica, como também passou a exportar tecnologia para diversas nações.

Para alcançar esse resultado, Israel estruturou um dos projetos de infraestrutura hídrica mais ambiciosos do mundo. Consequentemente, a chamada “rodovia da água” tornou-se símbolo de inovação e resiliência.

O canal nacional de água e a engenharia que elevou água a mais de 200 metros

Primeiramente, é preciso voltar à década de 1950. Naquele período, a escassez já ameaçava a agricultura e o desenvolvimento urbano. Além disso, ondas de imigração aumentavam a população e pressionavam os recursos naturais.

Embora a ideia original tenha surgido em 1937, quando o engenheiro britânico Walter Clay Lowdermilk propôs desviar a água do rio Jordão para o deserto de Negev, o plano só avançou após a independência, em 1948. Assim, Israel lançou o Canal Nacional de Água.

O sistema possui 130 km de extensão e integra canais, túneis, tubulações, reservatórios e estações de bombeamento. A construção começou em 1953 sob responsabilidade da Mekorot. Além disso, engenheiros precisaram instalar bombas potentes capazes de elevar a água a mais de 200 m acima do nível do mar.

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Um dos marcos foi o túnel Eshkol, com 17 km de extensão — o mais longo do mundo à época. Após passar pelo reservatório Eshkol, a água seguia para o sul, abastecendo cidades, vilarejos e áreas agrícolas até chegar ao deserto de Negev.

O projeto foi concluído em junho de 1964, ao custo de 420 milhões de liras israelenses ou 112 milhões de dólares — o equivalente hoje a cerca de 1,1 bilhão de dólares. Inicialmente, 80% da água atendia à agricultura e 20% ao consumo humano. Contudo, nos anos 1990, o canal já fornecia metade da água potável de Israel.

Além disso, como parte do acordo de paz de 1994, Israel passou a fornecer 25 milhões de metros cúbicos por ano à Jordânia. Posteriormente, em 2021, o volume dobrou para 50 milhões de metros cúbicos anuais.

Dessalinização, 600 milhões de m³ por ano e o projeto inédito de reabastecer o mar da Galileia

Entretanto, após cinco anos de seca, em 2017, os níveis do mar da Galileia atingiram patamares historicamente baixos. Portanto, Israel intensificou investimentos em dessalinização.

A dessalinização remove sais da água do Mediterrâneo por osmose reversa. Embora pesquisas existam desde a década de 1960, o grande avanço ocorreu nos anos 2000 com a usina de Asquelon, uma das maiores do mundo na época.

Hoje, cinco usinas ao longo da costa produzem aproximadamente 600 milhões de metros cúbicos de água potável por ano, suprindo cerca de 80% das necessidades domésticas do país.

Em 2022, Israel realizou algo inédito: bombeou água dessalinizada para o mar da Galileia. Foi a primeira vez no mundo que água dessalinizada reabasteceu um lago natural. Para isso, a Mekorot construiu um cano subterrâneo de 13 km conectando o lago à infraestrutura das usinas.

Além disso, uma segunda fase do projeto prevê novas usinas para ampliar a capacidade. Paralelamente, Israel investe no reuso de água: mais de 90% das águas residuais passam por tratamento e retornam principalmente à agricultura.

A estação Shafdan, próxima a Tel Aviv, desempenha papel central nesse sistema. Posteriormente, a água tratada segue para o deserto de Negev.

Enquanto isso, a irrigação por gotejamento garante eficiência máxima. O método permite que as plantas absorvam 95% da água aplicada, reduzindo perdas por evaporação. Consequentemente, a produção agrícola se mantém elevada mesmo em regiões áridas.

Empresas como IDE Technologies, Netafim e Mekorot compartilham essa expertise com Índia, China, Austrália e Estados Unidos. Ainda assim, desafios persistem. As mudanças climáticas podem intensificar secas no Oriente Médio, enquanto tensões geopolíticas envolvendo o rio Jordão exigem atenção constante.

Por isso, Israel continua investindo em energia solar, geração de água atmosférica e tecnologias avançadas de tratamento.

Diante desse modelo, surge uma reflexão inevitável: se um país majoritariamente desértico consegue produzir 20% mais água do que consome, o que impede outras nações de seguir caminho semelhante?

Fonte: Construções de Bilhões de Dólares

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Eduardo dos Santos Martins
Eduardo dos Santos Martins
26/02/2026 16:12

Nenhum pais é tão grande quanto essa pequena nação. Israel, sempre Israel no meu coração português sefardita.

Allan
Allan
26/02/2026 08:04

Israel is successful because this is God’s chosen land and chosen people. The article is superb

Pedro
Pedro
25/02/2026 13:37

De estos señores solo veo cosas sorprendentes y buenas, está es una más y así suma y sigue.

Jefferson Augusto

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