Hoje nós fomos até Cabreúva, no interior de São Paulo, para acompanhar de perto como funciona a reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil. Muita gente ainda chama esses equipamentos de “lixo”, porém esse termo não se aplica aqui. Afinal, lixo é aquilo que não tem mais utilidade. Já os eletroeletrônicos, mesmo quando quebram ou envelhecem, ainda guardam materiais valiosos que a indústria pode reaproveitar.
A informação foi divulgada pelo “Manual do Mundo”, em parceria com a Abree (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos), que coordena a logística reversa desses produtos no país. Segundo a reportagem, empresas especializadas recebem os resíduos e executam todas as etapas do processo com controle rigoroso.
Primeiramente, vale esclarecer: se o aparelho liga na tomada ou funciona com pilha ou bateria, ele entra na categoria de eletroeletrônico. Portanto, entram nessa lista geladeiras, fogões, máquinas de lavar, micro-ondas, ar-condicionado, TVs, monitores, computadores, notebooks, impressoras, chapinhas, liquidificadores, rádios e outros pequenos portáteis.
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Triagem manual garante separação em sete grupos e máximo reaproveitamento
Assim que o material chega à empresa, a equipe pesa tudo na entrada. Em seguida, inicia a triagem manual. Os profissionais separam os resíduos em sete grupos: geladeira e freezer; fogão; máquina de lavar e micro-ondas; ar-condicionado; TV e monitor; linha azul (pequenos portáteis); linha verde (computadores, notebooks e impressoras); além da categoria exclusiva para pilhas, baterias e cartuchos.
Como cada tipo de equipamento exige um tratamento específico, a equipe direciona pilhas e baterias para empresas especializadas. Da mesma forma, placas eletrônicas seguem para parceiros que recuperam metais e componentes internos.
Durante essa etapa, trabalhadores utilizam equipamentos de proteção individual, pois muitos aparelhos contêm mercúrio, chumbo e níquel. Por isso, especialistas orientam que ninguém desmonte eletroeletrônicos em casa. TVs de tubo, por exemplo, contêm chumbo e fósforo e exigem cuidado redobrado.
Depois da triagem, começa a descaracterização. Técnicos desmontam os aparelhos e já separam motores, fios, carcaças metálicas e plásticos por tipo de material. Esse cuidado aumenta o índice de reaproveitamento e reduz desperdícios.
No caso das geladeiras, a equipe executa um procedimento especial. Antes de desmontar, um equipamento suga os gases de refrigeração e impede que escapem para a atmosfera. Em seguida, técnicos tratam esses gases quimicamente para reutilização. Como a geladeira também possui espuma de poliuretano com gás isolante, a empresa envia o equipamento inteiro para uma máquina fechada de trituração.
Dentro desse sistema, cilindros com dentes metálicos puxam e trituram completamente a carcaça. A máquina separa automaticamente espuma, aço, plástico, alumínio e cobre. A partir desse ponto, ninguém precisa manipular o material manualmente.
Trituração, separação magnética e controle rigoroso transformam resíduo em insumo industrial
Já os eletroeletrônicos menores seguem outra linha de processamento. Primeiro, técnicos retiram fios, pilhas e baterias. Depois, máquinas realizam uma pré-trituração que reduz os equipamentos a pequenos fragmentos. Em seguida, operadores removem manualmente vidro, placas eletrônicas e motores pequenos.
Logo após essa etapa, uma esteira magnética extrai o ferro. Posteriormente, o sistema usa eletromagnetismo para separar plástico dos metais restantes, como cobre e alumínio. Esse processo garante pureza no material final e aumenta o valor industrial.
A empresa executa todas as etapas conforme as normas da ABNT. Além disso, pesa novamente o material na saída, já triturado, e compara com o peso inicial. Dessa forma, comprova que reaproveitou todo o volume recebido.
Mas o que sai dessa indústria? Sai matéria-prima. Fundições recebem o alumínio. Siderúrgicas derretem o ferro. Indústrias transformam o plástico em grãos para injeção de novos produtos. A espuma de poliuretano, já peletizada, serve como combustível industrial. Portanto, cada componente retorna ao ciclo produtivo.
Esse sistema integra a logística reversa prevista em lei no Brasil. A legislação obriga fabricantes e importadores a assumir responsabilidade pelo destino ambiental dos seus produtos. Assim, a Abree coordena o processo desde o recebimento até o envio dos materiais para novas cadeias produtivas.
Economia circular reduz impacto ambiental e fortalece responsabilidade coletiva

Quando a indústria reaproveita metal ou plástico, ela reduz a necessidade de extrair novos recursos naturais. Consequentemente, diminui impactos ambientais. Em vez de contaminar o solo ou cursos d’água, o resíduo eletrônico vira insumo para novos produtos.
Infelizmente, muitas pessoas ainda abandonam aparelhos nas ruas. No entanto, chuva e exposição prolongada liberam substâncias tóxicas no ambiente. Por isso, especialistas reforçam a importância do descarte correto.
Quem deseja descartar equipamentos pode acessar o site da Abree e localizar o ponto de recebimento mais próximo. A associação também oferece a plataforma Abree para Educação, com conteúdos educativos e atividades sobre reciclagem.
Agora que você conhece todo o processo de reciclagem de eletroeletrônicos, fica a pergunta: você já verificou se há aparelhos sem uso guardados na sua casa esperando o destino correto?
Fonte: Manual do Mundo


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