Economistas alertam que o fenômeno El Niño pode reduzir safras no Brasil e pressionar o preço dos alimentos, com destaque para café, milho e arroz. Segundo análises do Itaú BBA e da consultoria 4intelligence, o impacto tende a se espalhar sobretudo a partir de 2027, e o fenômeno pode contribuir com pelo menos 1 ponto percentual na inflação de alimentos de 2026. Hoje, a saca de café arábica já subiu mais de 4% em um mês.
O alerta é sobre o bolso, não sobre o tempo. Segundo o g1, economistas apontam que o El Niño pode reduzir a produção de itens como café, milho, arroz, laranja e trigo, o que tende a elevar o preço dos alimentos e pressionar a inflação de alimentos nos próximos meses.
Os números de mercado ajudam a dimensionar o risco. Segundo o CEPEA/Esalq, referência de preços agrícolas no Brasil, a saca de café arábica de 60 kg já subiu mais de 4% em junho de 2026, um movimento que mostra como fatores de safra se traduzem rapidamente em preço do café e, no fim, no valor que chega à prateleira. A seguir, veja o que já subiu e o que os economistas projetam, quanto custa hoje a saca, por que o café é o mais ameaçado, como milho e arroz afetam a mesa do brasileiro e o que essa alta no preço dos alimentos significa para o seu bolso.
O que já subiu e o que os economistas projetam
É importante separar o que já aconteceu do que é previsão. Parte da alta no preço dos alimentos já apareceu: o café arábica subiu mais de 4% em junho de 2026, e o arroz também registrou avanço nos indicadores diários, sinais de que a pressão sobre os preços começou.
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A maior parte do impacto, porém, é projeção. Segundo os economistas ouvidos, o efeito mais forte sobre o preço dos alimentos deve se espalhar principalmente a partir de 2027, quando as safras afetadas chegarem ao mercado, o que significa que a alta prometida ainda está, em boa parte, no campo das expectativas.
Os produtos no radar são conhecidos. Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta que os itens mais sujeitos ao impacto são milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz, uma lista que cobre boa parte da cesta e explica o temor com a inflação de alimentos.
A conta chega à inflação oficial. O economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, estima que o fenômeno pode contribuir com pelo menos 1 ponto percentual na inflação de alimentos de 2026, sobretudo no segundo semestre, e o Ministério da Fazenda já sinalizou que deve revisar para cima a projeção de inflação do ano.
Quanto custa hoje a saca: o preço-base

Para entender a alta, é preciso olhar o ponto de partida. O preço do café arábica está na casa dos R$ 1.474 por saca de 60 kg, um patamar já elevado que serve de base para medir qualquer aumento adicional puxado por uma safra menor.
O milho tem seu próprio indicador. A saca de milho de 60 kg é negociada em torno de R$ 64, um preço que interessa muito além do grão em si, já que o milho é matéria-prima de rações e, portanto, influencia o preço dos alimentos de origem animal, como carne e leite.
O arroz completa o trio da mesa brasileira. A saca de arroz também aparece nos indicadores diários com leve alta, e como se trata de um item de consumo praticamente universal no país, qualquer movimento no seu preço é sentido rapidamente pelas famílias.
Esses valores são a régua da matéria. Ao acompanhar o preço dos alimentos de café, milho e arroz, dá para comparar o quanto cada previsão de alta representa na prática, transformando o alerta dos economistas em números concretos que o consumidor entende.
Café, o mais ameaçado: perda de até 25% em 2027
O café é o protagonista do alerta. Segundo as projeções citadas, um El Niño mais intenso pode provocar a perda de até 25% da produção de café na safra de 2027, um baque que, se confirmado, teria efeito direto e forte sobre o preço do café no mercado.
A lógica é de oferta e demanda. Menos café colhido significa menos oferta para a mesma procura, e essa escassez costuma empurrar o preço para cima, tanto para a indústria quanto para o consumidor que compra o pacote no supermercado.
O Brasil sente isso em dobro. Como maior produtor e exportador mundial de café, o país tem no grão um item de peso na balança comercial e também na mesa do brasileiro, de modo que uma quebra de safra afeta ao mesmo tempo a exportação e o preço dos alimentos internos.
Por isso o café puxa a fila. A alta já registrada de mais de 4% em um único mês mostra que o preço do café reage rápido a qualquer sinal de safra menor, e é essa sensibilidade que faz do grão o símbolo do risco de encarecimento dos alimentos.
Milho e arroz: da lavoura à prateleira

O milho é um coringa perigoso. Além de ir direto para a mesa, o milho é a base da ração usada na criação de animais, então uma alta no seu preço encarece a produção de carne e leite, espalhando o efeito por toda a cadeia e ampliando a pressão sobre o preço dos alimentos.
Os números reforçam o alerta. Estima-se que, em anos de El Niño, a produtividade média global do milho caia cerca de 4%, uma redução que, somada a outros fatores, pode reduzir a oferta e contribuir para a alta do preço dos alimentos que dependem do grão.
O arroz é o mais sensível para o consumidor. Item presente em praticamente todas as refeições no Brasil, o arroz tem um preço que o brasileiro acompanha de perto, e qualquer aumento é percebido de imediato no orçamento da família.
Juntos, milho e arroz definem boa parte da conta. Por serem alimentos básicos e de amplo consumo, eles têm grande peso na inflação de alimentos, e é por isso que a possibilidade de safras menores acende o sinal de alerta sobre o preço dos alimentos nos próximos meses.
Por que uma safra menor vira preço maior
O ponto técnico é simples. O El Niño altera o regime de chuvas, trazendo excesso de água em algumas regiões e seca em outras, o que atrapalha o plantio e a colheita e pode reduzir tanto a quantidade quanto a qualidade da safra, na origem do risco de alta no preço dos alimentos.
Menos oferta pressiona o mercado. Quando a safra encolhe, sobra menos produto para atender à demanda, e essa escassez tende a elevar o preço pago pela indústria e, na sequência, pelo consumidor, num efeito em cadeia que parte da lavoura e chega à prateleira.
A qualidade também conta. Além do volume, uma safra prejudicada pode entregar grãos de qualidade inferior, o que reduz ainda mais a oferta do produto bom e reforça a pressão sobre o preço dos alimentos, especialmente em itens exigentes como o café.
Por isso o alerta faz sentido. Ainda que o clima seja o gatilho, o que interessa ao consumidor é o resultado econômico: uma safra menor de café, milho ou arroz tende a virar um preço maior no caixa, e é esse elo que os economistas destacam ao falar em inflação de alimentos.
Afinal, os alimentos vão ficar mais caros já nos próximos meses?
Aqui vale honestidade com o leitor. Parte do preço dos alimentos já subiu, como no caso do café, mas a alta generalizada é, sobretudo, uma projeção, e os próprios economistas indicam que o repasse mais forte deve ficar concentrado em 2027, quando as safras afetadas chegarem ao mercado.
Ou seja, é risco, não certeza total. As previsões apontam para pressão sobre o preço dos alimentos, mas o tamanho e o momento exato do aumento dependem de como o clima vai se comportar e de quanto cada safra será de fato afetada, o que ainda está em aberto.
O consumidor deve ficar atento. Mesmo que o impacto maior venha mais adiante, itens como café já mostram alta, e acompanhar o preço de café, milho e arroz ajuda a família a se planejar e a entender os movimentos da inflação de alimentos nos próximos meses.
A leitura equilibrada é a melhor. Nem pânico, nem descuido: o cenário aponta para um preço dos alimentos sob pressão, com parte já sentida e parte prevista, e é essa combinação que torna o tema tão relevante para o bolso do brasileiro.
Por que o milho mais caro respinga na carne e no leite?
O elo é a ração. O milho é o principal ingrediente da ração usada na criação de animais confinados, então, quando o preço do grão sobe, o custo de produzir carne e leite também aumenta, e parte dessa conta acaba repassada ao consumidor.
O efeito é indireto, mas real. Uma alta no milho não aparece só no corredor dos grãos do supermercado, ela também empurra o preço dos alimentos de origem animal, mostrando como um único insumo consegue mexer com várias prateleiras ao mesmo tempo.
Por isso o milho é tão vigiado. Ao afetar a proteína, o preço do milho tem um alcance maior do que parece, e é por isso que os economistas o colocam entre os itens mais importantes quando falam do impacto do El Niño sobre a inflação de alimentos.
O consumidor sente na ponta. Se a safra de milho de 2027 for menor e o grão encarecer, a tendência é de carne e leite mais caros na sequência, um exemplo claro de como o preço dos alimentos se conecta em cadeia, do campo até o prato.
O que a alta de preços dos alimentos significa para o bolso do brasileiro
O impacto mais direto é na cesta básica. Café, arroz e milho são itens de consumo diário, e qualquer aumento no seu preço pesa na cesta básica e no orçamento das famílias, especialmente nas de menor renda, que gastam uma fatia maior do salário com comida.
A inflação oficial também entra na conta. Com o Ministério da Fazenda sinalizando revisão para cima da projeção de inflação de 2026, a inflação de alimentos ganha destaque como um dos fatores que podem encarecer a vida do brasileiro ao longo do ano.
Há ainda o lado da exportação. Como o Brasil é grande exportador de café e outros produtos, a quebra de safra afeta não só o preço dos alimentos interno, mas também a balança comercial, num efeito que vai do supermercado ao comércio exterior.
No fim, tudo se resume ao dia a dia. Da xícara de café da manhã ao prato de arroz do almoço, o preço dos alimentos é sentido a cada compra, e é por isso que o alerta dos economistas sobre café, milho e arroz mais caros mexe diretamente com a vida de quem faz as contas no fim do mês.
E você, já sentiu o café e o arroz mais caros?
No fim, o recado dos economistas é de atenção ao bolso. O El Niño pode reduzir safras e pressionar o preço dos alimentos, com café, milho e arroz no centro do alerta, ainda que boa parte do impacto seja projetada para 2027 e dependa do comportamento do clima.
Mais do que o fenômeno em si, o que importa é o efeito na cesta. Acompanhar o preço de itens do dia a dia e entender a inflação de alimentos ajuda o consumidor a se planejar e a não ser pego de surpresa por altas que já começaram a aparecer em alguns produtos.
E você, já percebeu o café ou o arroz mais caros no seu supermercado, ou ainda não sentiu essa alta no preço dos alimentos? Conte nos comentários a sua experiência e compartilhe com quem também faz malabarismo com o orçamento da casa.
