Exemplar de 1962 exposto em Campos do Jordão reúne acessórios de época preservados e restaurados, incluindo cafeteira automotiva e um sistema externo de resfriamento, além de itens raros de iluminação, conveniência e procedência familiar apresentada pelo museu.
Um Volkswagen Fusca 1962 costuma ser associado a um carro de proposta simples, marcado pela história e pela popularidade.
Um exemplar exposto em Campos do Jordão, no interior de São Paulo, é apresentado com um conjunto incomum de itens de época: cerca de 50 acessórios instalados quando o veículo era novo e restaurados, incluindo cafeteira e um sistema externo de resfriamento usado como alternativa aos primeiros “refrigeradores” automotivos.
O carro integra a exposição do CARDE, museu que reúne automóveis raros e obras de arte na Serra da Mantiqueira.
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De acordo com informações divulgadas pelo espaço, o Fusca foi comprado zero-quilômetro pelo avô do último proprietário, Caio Ramos de Toledo, e permaneceu na mesma família.
A restauração, ainda segundo o museu, foi realizada por Vinícius Mamede, com a proposta de preservar a configuração e os acessórios compatíveis com o período.
Fusca 1962 com acessórios de época: peça externa chama atenção
Antes mesmo de abrir a porta, um item instalado na lateral direita chama atenção por se projetar para fora da carroceria.
Trata-se do Thermador Car Cooler, equipamento que apareceu décadas antes do ar-condicionado automotivo se tornar comum e foi comercializado como solução de resfriamento para carros.
O funcionamento descrito para esse tipo de acessório é baseado em gelo ou água gelada colocados em um compartimento externo.
Durante o trajeto, o ocupante podia acionar um mecanismo para umedecer uma esponja interna; com isso, o ar que entrava na cabine passava por esse material, reduzindo a temperatura percebida.
Quando a esponja secava, o processo podia ser repetido para manter o efeito.
Além desse componente, o Fusca reúne itens externos ligados principalmente à iluminação e à sinalização.
Entre eles, o conjunto é descrito com spotlight ao lado da janela do motorista, faróis auxiliares e peças adicionais para placa e frenagem, apresentados como restaurados conforme padrões da época.
Outros acessórios citados incluem saias traseiras de roda, associadas ao mercado norte-americano, e pneus do tipo Coker Classic com faixa branca, um estilo usado em diferentes modelos no período.
A lista também menciona grelha traseira específica para resfriamento do motor, um defletor de chuva e insetos no capô, além de um brasão australiano e um suporte de bandeira descrito como original.
Cafeteira no carro e itens de conveniência no interior do Fusca
Na cabine, o item mais destacado é a cafeteira Paluxette, de fabricação alemã, descrita como um acessório projetado para funcionar ligada ao acendedor de cigarros do carro.
Conforme a apresentação do veículo, o equipamento utiliza a alimentação elétrica para aquecer a água e preparar o café no próprio conjunto.
O painel e os demais pontos do interior reúnem itens listados como acessórios automotivos do período.
Entre eles, aparecem um vaso de flores destinado a uso em carros, peças associadas ao hábito de fumar, bússola, ventilador e um rádio Blaupunkt.
O conjunto é apresentado como parte de uma configuração voltada a oferecer o máximo de itens disponíveis à época para conforto e praticidade em deslocamentos.
Também é mencionado um item de fabricação nacional descrito como raro: uma cadeirinha de bebê da marca Hércules, posicionada na parte traseira.
Ainda segundo a descrição do carro, o interior inclui persianas vindas dos Estados Unidos, capas de bancos atribuídas à Kamei e uma rede no teto para armazenar objetos, solução usada em alguns veículos de viagem naquele período.
Outros componentes citados na cabine incluem o quebra-joelhos da Kamei, definido como uma proteção acolchoada no painel, além de uma caixa de ferramentas Hazet e um volante com aro e capas também descritos como modificados e incomuns.
Na apresentação do museu, a soma desses itens ajuda a sustentar a caracterização do carro como um “pacote completo” de acessórios de época.
Museu CARDE e procedência familiar influenciam leitura sobre valor
O CARDE informa que utiliza parte do acervo automotivo para compor a narrativa do espaço, cruzando automóveis, arte e design.
No caso específico do Fusca 1962, o museu destaca a sequência de propriedade dentro da mesma família e a restauração voltada à preservação dos acessórios e da configuração do período.
A instituição também afirma que o valor do carro não deve ser atribuído apenas ao estado de conservação ou ao custo dos itens instalados.
“Seu verdadeiro significado está na história que ele representa – algo difícil de mensurar”, informou a assessoria do museu ao UOL Carros.
Apesar dessa abordagem, não há uma avaliação oficial divulgada com um número fechado.
O próprio texto de referência indica que a estimativa costuma ser feita por comparação com Fuscas de idade e conservação semelhantes que apresentavam alguma raridade e passaram por leilões recentemente, o que abre espaço para a hipótese de o preço chegar a centenas de milhares de reais, sem estabelecer um valor exato.
Dentro do mercado de colecionáveis, a procedência, a raridade de acessórios e a documentação de restauração são fatores usados por compradores e vendedores para justificar negociações, segundo práticas comuns do segmento.

Excelente relíquia histórica