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Como o maior mercado do mundo driblou o tarifaço de Trump, desviou parte das cargas por novos destinos e ainda bateu recorde em exportações

Publicado em 10/04/2026 às 13:27
Atualizado em 10/04/2026 às 13:29
Mercado, Taxas, Tarifas
Imagem: Ilustração
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Maior mercado atacadista do mundo, Yiwu bate recordes em 2025 e amplia exportações para África, América Latina e Oriente Médio após tarifas

No mercado de Yiwu, na China, comerciantes afirmam ter substituído rapidamente o espaço perdido nos Estados Unidos por novos destinos, o que ajudou a levar o maior centro atacadista do mundo a recordes de exportação em 2025 e no início de 2026.

O tamanho de Yiwu no comércio global

Em Yiwu, a variedade de mercadorias ajuda a explicar por que a cidade se consolidou como um centro global de abastecimento de produtos baratos e domésticos para dezenas de países e setores.

O mercado reúne eletrônicos, perucas, botões, zíperes, máquinas de corte de precisão, sutiãs, cadernos, lápis, placas de carros de vários países, camisas do Messi, uniformes da seleção brasileira e bolas da Copa.

Também há materiais de publicidade para o regime no Afeganistão, burcas, o lenço histórico dos palestinos e passaportes falsificados de dezenas de países.

As lojas ainda vendem itens de pesca, calçados, relógios, roupas, decorações de Natal, artigos para a Fiesta de los Muertos do México, crucifixos para lojas do Vaticano e símbolos do islã e do judaísmo.

Em uma de suas alas, Yiwu comercializa chaveiros de qualquer cidade do mundo, voltados a turistas que, ao desembarcarem em Roma, Barcelona ou Paris, acreditam levar lembranças locais. Todos são “Made in China”.

Nos últimos anos, Yiwu se transformou no maior mercado atacadista global do mundo. A cidade reúne 75 mil lojas e produz mais de 2 milhões de itens diferentes por ano.

A leitura política feita pelos comerciantes

Quando o local foi visitado em 2023, comerciantes relatavam que conseguiam saber antes das pesquisas quem venceria eleições em países democráticos.

A explicação estava no volume de encomendas de material de publicidade com os nomes dos candidatos, como bonés, bandeiras e camisetas.

Um dos itens que mais saía a partir de 2023 carregava o nome de Donald Trump, candidato que atacava a China e, ao mesmo tempo, vestia seus eleitores com produtos comprados dos asiáticos a preços mais baixos.

Como Yiwu reagiu ao tarifaço

Ao voltar a procurar por telefone os comerciantes visitados anteriormente, a expectativa era de que as tarifas impostas por Trump e a guerra comercial tivessem abalado os negócios do mercado.

O relato recebido foi o oposto. Enquanto já iniciavam a produção de enfeites para o Natal de 2026, lojistas informaram que o mercado americano foi rapidamente substituído.

Os principais novos destinos passaram a ser o Oriente Médio, a África e a América Latina.

Os próprios comerciantes admitem que parte das vendas a terceiros mercados pode servir para que produtos cheguem depois aos Estados Unidos sem pagar as taxas mais altas.

Mas eles afirmam que esse movimento representa apenas uma parcela menor do fluxo. A maior parte, dizem, reflete a abertura real de novos destinos e de novos parceiros comerciais.

“Fomos forçados a buscar novos mercados e isso foi muito bom para todos nós”, afirmou um dos gerentes de uma loja especializada em produtos religiosos.

Recordes de vendas e novos destinos

Os números citados pelos comerciantes confirmam a mudança de rota. Em 2025, Yiwu registrou recorde de vendas.

Apenas nos nove primeiros meses de 2025, as exportações do maior mercado do mundo superaram US$ 119 bilhões, com alta de 25,2% em relação aos volumes vendidos em 2024.

Para o Sudeste Asiático, as vendas cresceram 51%. Para a África, o aumento foi de 21%. Já para a América Latina, a alta registrada foi de 14%.

Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, Yiwu somou mais US$ 12 bilhões em vendas, resultado que representou aumento de 52%.

O alerta no Oriente Médio e o reflexo nacional

Para comerciantes e observadores, a preocupação maior que o tarifaço era o fechamento do Estreito de Ormuz, que poderia cortar a chegada de mercadorias baratas a portos do Oriente Médio.

Entre os destinos citados estão Catar, Bahrein, Kuwait e partes da Arábia Saudita.

Em Pequim, Yiwu é vista como prova de que a China pode reagir às ameaças americanas por meio de novos parceiros, adaptação e superação de obstáculos internos.

Diplomatas avaliam que Yiwu se tornou um espelho do que ocorreu com o comerico chinês após as tarifas de Trump.

No país, 2025 terminou com novo recorde para o superávit comercial da China, que alcançou US$ 1,3 trilhão em saldo positivo.

Esse resultado é apontado como uma base confortável para enfrentar a redefinição das regras internacionais do comércio.

Com informações ICL Notícias.

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Romário Pereira de Carvalho

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