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Comércio do Brasil com a China atinge patamar histórico, supera US$ 170 bilhões e mais que dobra o volume negociado com os Estados Unidos

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 13/01/2026 às 13:46
Navios cargueiros em porto brasileiro representam o recorde histórico do comércio entre Brasil e China
Comércio entre Brasil e China supera US$ 170 bilhões e atinge recorde histórico
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O avanço das exportações brasileiras para o país asiático, puxado por soja, petróleo e minerais, ocorre em meio a tensões comerciais globais e consolida a China como eixo central do comércio exterior do Brasil

O comércio entre Brasil e China alcançou um novo recorde histórico e ultrapassou a marca de US$ 170 bilhões, consolidando uma relação comercial que já é, com ampla vantagem, a mais relevante para a economia brasileira. O volume negociado em 2025 foi mais que o dobro do registrado nas trocas com os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do país, que movimentou US$ 83 bilhões no mesmo período.

A informação foi divulgada pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em relatório antecipado ao jornal O GLOBO, e confirma uma tendência que vem se intensificando ao longo da última década: o deslocamento progressivo do eixo do comércio exterior brasileiro em direção à Ásia, especialmente à China.

Ao todo, a chamada corrente de comércio — soma das exportações e importações — entre os dois países chegou a US$ 171 bilhões, com crescimento de 8,2% em relação a 2024, estabelecendo o maior valor já registrado na série histórica.

Exportações brasileiras para a China alcançam US$ 100 bilhões e renovam máximas históricas

Imagem: divulgação

Dentro desse volume recorde, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 100 bilhões, configurando o segundo maior valor em 29 anos da série histórica iniciada em 1997. O resultado ficou atrás apenas do recorde absoluto de US$ 104 bilhões registrado em 2023, evidenciando a resiliência da pauta exportadora brasileira mesmo em um cenário global instável.

O desempenho foi impulsionado, principalmente, pelos embarques de soja, que responderam por pouco mais de um terço do valor total exportado ao país asiático. As vendas da commodity cresceram 10% em relação a 2024, reforçando a centralidade do agronegócio brasileiro na relação bilateral.

Esse crescimento ocorreu em um contexto de tensões comerciais globais, marcado por políticas protecionistas e alterações nos fluxos internacionais. No ano anterior, os Estados Unidos impuseram tarifas adicionais a diversos países, movimento que levou o Brasil a buscar novos mercados para mitigar perdas comerciais.

Durante esse período, a China chegou inclusive a suspender temporariamente a compra de soja dos EUA, como reflexo direto das tarifas implementadas durante o governo de Donald Trump, abrindo espaço para fornecedores alternativos — entre eles, o Brasil.

Relação comercial com os EUA perde força após tarifas e exportações recuam 6,6%

Enquanto o comércio com a China avançou, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos apresentou retração. Conforme cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 22% das exportações brasileiras aos EUA, equivalentes a US$ 8,9 bilhões, seguem sujeitas às tarifas impostas em julho do ano passado.

Foi um ano bem complicado para a relação Brasil e Estados Unidos na área comercial — afirmou Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC.

De acordo com dados oficiais do Mdic, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, uma queda de 6,6%, equivalente a US$ 2,65 bilhões.

Segundo Cariello, as sobretaxas impostas por Trump ampliaram o déficit brasileiro na relação bilateral, já que poucos produtos conseguiram compensar, em outros mercados, a perda de competitividade no mercado americano.

Embora tenha havido certo redirecionamento de exportações, como no caso do café, que ganhou espaço na China ao mesmo tempo em que perdeu competitividade nos EUA por causa das tarifas, o impacto geral foi limitado. Isso ocorre porque as pautas de exportação para China e Estados Unidos são estruturalmente distintas.

Enquanto o Brasil exporta majoritariamente produtos agrícolas e da indústria extrativa para a China, as vendas aos EUA são mais diversificadas e baseadas em bens da indústria de transformação, que respondem por cerca de 80% da pauta destinada ao mercado americano.

São mercados que têm pouco a ver um com o outro. A pauta do Brasil para a China é muito diferente da pauta para os Estados Unidos — explicou Cariello.

Importações da China batem recorde e ampliam presença no mercado brasileiro

Além do avanço nas exportações, o volume de importações brasileiras provenientes da China também atingiu um patamar inédito. Em 2025, as compras de produtos chineses somaram US$ 70,9 bilhões, um aumento de 11,5% em relação a 2024 e o maior valor já registrado na série histórica.

O crescimento foi impulsionado por fatores específicos e de alto valor agregado, como a compra bilionária de um navio-plataforma para exploração de petróleo, além da ampliação das importações de carros elétricos e híbridos, fertilizantes e produtos químicos.

Também houve um aumento relevante nas compras de medicamentos e insumos farmacêuticos, movimento que levou a China a ocupar a quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil nesse segmento, reforçando a dependência estratégica do país asiático em cadeias produtivas sensíveis.

China já responde por mais de um quarto de todo o comércio exterior brasileiro

O peso da China no comércio exterior brasileiro se tornou ainda mais expressivo. Segundo o estudo do CEBC, o país asiático já responde por 27,2% de toda a corrente comercial do Brasil com o mundo, que somou US$ 629 bilhões, com crescimento de 4,9% no período analisado.

A China manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras, embora outros mercados tenham apresentado crescimento percentual mais acelerado. As vendas para a Argentina cresceram 31,4%, enquanto as exportações para a Índia avançaram 30,2% no ano passado.

Ainda assim, o desempenho chinês superou parceiros tradicionais. As exportações para os Estados Unidos caíram 6,6%, enquanto Espanha registrou retração de 11,8%, e os Países Baixos apresentaram crescimento marginal de apenas 0,2%.

No total, as exportações brasileiras para o mundo cresceram 3,5%, alcançando US$ 348,7 bilhões, reforçando o papel do comércio exterior como pilar de sustentação da economia.

Para Cariello, o esforço brasileiro de diversificação de mercados, especialmente com a ampliação das vendas de carnes e alimentos para países asiáticos, é um sinal positivo para reduzir a dependência excessiva de um único parceiro.

O crescimento da classe média e da demanda por alimentos no Sudeste Asiático tende a reforçar, nos próximos anos, a orientação do comércio exterior brasileiro para o eixo asiático — avalia.

O eixo do comércio exterior brasileiro hoje tende a ir cada vez mais para a Ásia.

Com a China concentrando mais de um quarto de todo o comércio exterior brasileiro, o Brasil está construindo uma estratégia de longo prazo ou apenas trocando uma dependência por outra?

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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