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Nigéria despeja 120 milhões de toneladas de areia no Atlântico para domar o oceano, transformar água em terra firme e erguer uma cidade gigantesca, protegida por uma Grande Muralha de 8,4 km contra ondas, erosão e avanço do mar

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Escrito por Ana Alice Publicado em 05/07/2026 às 06:24 Atualizado em 05/07/2026 às 06:26
Assista o vídeoEko Atlantic, na Nigéria, usa milhões de m³ de areia e uma muralha marítima para criar uma cidade planejada sobre o Atlântico. (Imagem: Ilustrativa)
Eko Atlantic, na Nigéria, usa milhões de m³ de areia e uma muralha marítima para criar uma cidade planejada sobre o Atlântico. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto em Lagos transforma uma faixa do Atlântico em uma nova área urbana, combinando recuperação de terras, infraestrutura planejada e defesa costeira em uma das regiões mais pressionadas pela erosão na Nigéria.

Lagos, maior cidade da Nigéria e um dos principais centros econômicos da África, avança há anos com o desenvolvimento de Eko Atlantic, uma cidade planejada sobre terra recuperada do Oceano Atlântico, ao lado de Victoria Island.

O projeto já recebeu mais de 75 milhões de m³ de areia até junho de 2023, segundo a consultoria Haskoning, responsável por estudos e projetos marítimos, e foi criado para combinar expansão urbana, infraestrutura e proteção costeira em uma região afetada pela erosão e pelo crescimento populacional.

A iniciativa não é uma obra recém-anunciada.

O projeto começou a ser estruturado nos anos 2000 e segue em desenvolvimento.

O site oficial do Eko Atlantic informa que as fases 1 e 2 já contam com infraestrutura ativa, incluindo pontes concluídas, sistemas de água e esgoto em operação e expansão para novas etapas.

A Rugby School Nigeria também informou que recebeu sua primeira turma em setembro de 2025 no campus localizado dentro da cidade planejada.

Eko Atlantic cria terra firme onde antes havia mar

O Eko Atlantic foi planejado como uma extensão de Victoria Island, uma das áreas mais importantes de Lagos para negócios, serviços e empreendimentos imobiliários.

A proposta envolve dragar areia do fundo do mar, depositá-la em uma área delimitada e criar uma nova porção de terra firme capaz de receber ruas, prédios, redes de energia, drenagem, água, esgoto, telecomunicações e áreas de uso residencial e comercial.

Quando concluída, a cidade deve ocupar cerca de 10 milhões de m² de terra recuperada, dimensão comparada pela Haskoning ao distrito de arranha-céus de Manhattan, em Nova York.

O projeto é desenvolvido pela South Energyx Nigeria Limited, em parceria estratégica com o governo do estado de Lagos, e recebe apoio do governo federal da Nigéria, segundo o site oficial do empreendimento.

A escala do projeto está diretamente ligada à complexidade da obra.

A construção não se limita à implantação de prédios perto da costa, mas envolve a criação de uma base urbana em uma área antes ocupada pelo mar.

O plano técnico prevê 95 milhões de m³ de areia para formar a fundação da nova cidade.

Até junho de 2023, dois terços da área haviam sido recuperados, com mais de 6,5 milhões de m² já formados, de acordo com a Haskoning.

Projeto de recuperação de terras Eko Atlantic City em Lagos, Nigéria. (Imagem: Reprodução)
Projeto de recuperação de terras Eko Atlantic City em Lagos, Nigéria. (Imagem: Reprodução)

Lagos busca espaço urbano diante da erosão costeira

Lagos enfrenta um desafio comum a grandes cidades costeiras: crescer em uma faixa territorial limitada enquanto lida com a pressão do mar.

A região voltada diretamente ao Atlântico fica próxima do nível do oceano e está exposta a ondas, marés e processos de erosão.

Segundo a Haskoning, mapas históricos indicam que, há cerca de um século, a linha de costa da cidade se projetava quase 3 km além da posição atual, antes de partes dessa faixa serem consumidas pela erosão.

Esse histórico ajuda a explicar a função do Eko Atlantic dentro do planejamento urbano de Lagos.

O projeto busca criar espaço para expansão urbana e, ao mesmo tempo, atuar como uma estrutura de defesa costeira para Victoria Island e áreas próximas.

Em vez de reforçar apenas o trecho onde o mar já havia avançado, os responsáveis pelo projeto adotaram como referência uma linha histórica da costa.

Geert Hendriks, diretor de projeto da Haskoning, afirmou que, após discussões com a South Energyx Nigeria Limited, a solução considerada mais adequada foi construir a estrutura de defesa marítima na linha original da costa de 1905, e não no ponto até onde o mar havia avançado.

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Grande Muralha de Lagos protege a nova cidade

Um dos elementos centrais da obra é a chamada Grande Muralha de Lagos, uma barreira marítima projetada para reduzir o impacto das ondas do Atlântico sobre a área recuperada.

A estrutura funciona como um revestimento costeiro: em termos simples, uma defesa pesada de engenharia hidráulica criada para dissipar a energia das ondas antes que elas atinjam a cidade construída sobre o aterro.

A Haskoning informa que a muralha terá 8,4 km quando concluída e será responsável por conter os 95 milhões de m³ de areia usados como base do Eko Atlantic.

O site oficial do empreendimento, por outro lado, usa a medida de 8,5 km para descrever a extensão total da estrutura.

A diferença é pequena, mas foi mantida no texto como divergência entre fontes consultadas.

O projeto oficial afirma que a muralha já cumpre o objetivo de proteger Victoria Island da erosão costeira e deve também reforçar a proteção das primeiras fases de Lekki.

Em junho de 2023, a Haskoning registrava cerca de 7 km de estrutura de defesa marítima já executados.

Engenharia combina areia, drenagem e infraestrutura urbana

Construir sobre terra recuperada exige mais do que depositar areia em uma área delimitada.

O material precisa ser espalhado, nivelado, estabilizado e protegido contra o movimento constante do oceano.

A cidade também depende de drenagem eficiente, já que o escoamento inadequado da água pode afetar ruas, terrenos e edificações.

O plano do Eko Atlantic inclui infraestrutura subterrânea, rede de drenagem, ruas pavimentadas, abastecimento de água, tratamento de esgoto, fibra óptica e fornecimento independente de energia.

Segundo o site oficial do projeto, o empreendimento conta com uma usina a gás natural de 10 MVA, três subestações de distribuição e uma rede subterrânea de 48 km de cabos para atender as fases iniciais da cidade.

A proposta prevê uso misto do espaço urbano.

Na prática, isso significa que a cidade foi planejada para reunir áreas residenciais, comércio, serviços, marinas, espaços corporativos, equipamentos de lazer e instituições de ensino.

Segundo a Haskoning, o projeto foi concebido para receber 250 mil moradores e cerca de 150 mil deslocamentos diários de pessoas que trabalharão ou circularão pela região.

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Infraestrutura de Eko Atlantic avança em fases

A atualização mais relevante sobre o estágio atual do projeto é que Eko Atlantic já deixou de ser apenas um plano urbanístico.

O cronograma oficial informa que as fases 1 e 2 foram concluídas em 2021, com pontes finalizadas e sistemas de água, esgoto e infraestrutura em funcionamento.

Em 2023, o empreendimento registrava prédios residenciais e comerciais ocupados, zona franca estabelecida e a Grande Muralha de Lagos com mais de 6 km executados.

A abertura da Rugby School Nigeria em setembro de 2025 indica a entrada de equipamentos urbanos ligados à educação, além dos setores imobiliário, comercial e financeiro previstos no projeto.

A instituição informou ter recebido seus primeiros alunos do Year 7 e do Sixth Form no campus localizado em Eko Atlantic.

Apesar dos avanços registrados, o projeto permanece em desenvolvimento.

A Haskoning classifica a iniciativa como “2004 — em andamento”, enquanto o site oficial menciona expansão para a fase 3 e etapas posteriores.

Por isso, a descrição mais precisa é a de uma cidade planejada em implantação gradual, e não de uma obra concluída.

Cidade costeira na Nigéria expõe desafio de megametrópoles

O Eko Atlantic reúne três questões presentes no planejamento de metrópoles costeiras: falta de espaço em áreas urbanas densas, pressão imobiliária em regiões centrais e necessidade de adaptação à erosão e ao avanço do mar.

Em Lagos, esses fatores aparecem de forma concentrada em uma das regiões mais importantes para a economia nigeriana.

Para o público geral, o projeto chama atenção pelo volume de areia usado para transformar uma área do oceano em solo urbano.

Para engenheiros e urbanistas, a iniciativa envolve desafios ligados ao controle de ondas, marés, drenagem, estabilidade do aterro, infraestrutura subterrânea e ocupação de longo prazo.

A obra também ajuda a ilustrar uma discussão mais ampla sobre o futuro das megacidades costeiras.

Quando uma metrópole cresce mais rápido do que o território disponível, construir sobre o mar passa a ser uma alternativa de expansão urbana; ao mesmo tempo, esse caminho exige investimento contínuo em engenharia, manutenção, drenagem e proteção contra riscos costeiros.

Em Lagos, essa equação aparece de forma concreta no avanço do Eko Atlantic sobre o Atlântico.

O projeto busca criar uma nova frente urbana e, ao mesmo tempo, reforçar a defesa contra a erosão em uma área historicamente vulnerável à ação do mar.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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