A alta do cobre, que chegou perto de US$ 15 mil por tonelada no começo de 2026, colocou a fiação automotiva no centro de uma disputa por custo, peso e eficiência. Ferrari, BMW, Tesla e fabricantes chinesas já testam ou ampliam cabos de alumínio em carros eletrificados, um movimento que pode mexer com parte da demanda global por cobre até 2030
O cobre passou mais de dois séculos como o metal quase natural da eletricidade nos automóveis. Ele conduz bem, resiste ao uso pesado e se tornou peça comum em chicotes, motores, baterias, inversores e sistemas de recarga.
Agora, a eletrificação dos carros está forçando montadoras a olhar para outro material que sempre esteve por perto, mas ganhava menos espaço nessa parte do veículo.
A troca não acontece por moda. Ela aparece em um momento de cobre caro, carros elétricos mais pesados e margens apertadas, principalmente na China, onde a disputa de preços entre fabricantes de EVs virou uma pressão diária sobre engenharia e compras.
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Como informou o Notícias Automotivas, com base em apuração da Reuters, Ferrari e BMW ampliaram o uso de cabos de alumínio em modelos recentes, seguindo um caminho já visto em Tesla e fabricantes chinesas. A estimativa citada pelo JPMorgan é que essa substituição possa afetar cerca de 2% da demanda global de cobre em 2026 e chegar a 6% até 2030.
Ferrari reduziu peso da fiação e BMW levou alumínio para sistemas de alta e baixa tensão
A Ferrari adotou cabos de alumínio no esportivo híbrido 296 e depois levou a solução para outros modelos, incluindo o Luce, primeiro carro totalmente elétrico da marca. Segundo a apuração da Reuters, a montadora italiana afirma que a troca pode reduzir em até 20% o peso total da fiação.

Essa economia parece pequena quando vista isoladamente, mas em um carro elétrico cada quilo entra na conta. Menos peso pode ajudar na autonomia, no desempenho e na distribuição de massa, três pontos sensíveis em veículos com baterias grandes.
A BMW já vinha usando condutores de alumínio desde 2011, quando aplicou o material na Série 1. A montadora alemã ampliou o uso em híbridos e elétricos, incluindo sistemas de alta e baixa tensão da tecnologia eDrive mais recente.
A mudança mostra que o alumínio não está entrando apenas em peças periféricas. Ele começa a ocupar áreas onde antes o cobre parecia difícil de substituir, desde que a aplicação permita compensar a menor condutividade com projeto, espessura e desenho dos cabos.
Cobre segue melhor condutor, mas o preço virou argumento difícil de ignorar
O cobre ainda tem vantagem técnica clara. A Copper Development Association afirma que o metal é usado em motores elétricos, baterias, inversores, fiação e estações de recarga por causa da condutividade elétrica, durabilidade, maleabilidade e confiabilidade. Um carro elétrico pode usar entre 85 e 183 libras de cobre, o equivalente a aproximadamente 39 kg a 83 kg, dependendo do modelo e da arquitetura.
O problema é que a vantagem técnica passou a conviver com um preço muito mais pesado. Em janeiro de 2026, uma pesquisa da Reuters com analistas mostrou projeções de cobre acima de US$ 11 mil por tonelada e citou uma disparada anterior para patamar recorde acima de US$ 14 mil, puxada por compras especulativas e interrupções em minas, como Grasberg, na Indonésia.
Nesse cenário, o alumínio ganha espaço por três motivos diretos. Ele é mais barato, é mais leve e pode entregar desempenho suficiente em parte dos sistemas, mesmo exigindo mais material para conduzir a mesma corrente elétrica.
A conta econômica mudou. Segundo a Reuters, o alumínio tem cerca de 61% da condutividade do cobre, mas custa aproximadamente um quarto do preço e pesa menos. A substituição começa a fazer sentido quando o cobre passa de 3,5 vezes o preço do alumínio, e essa relação chegou a cerca de 4,3 no começo de 2026.
China acelera a troca porque carro elétrico barato precisa cortar gramas e dólares
A China aparece como um dos centros dessa virada. Fabricantes como AVATR, XPeng e Xiaomi foram citadas entre as marcas que já usam fiação de alumínio em veículos elétricos, enquanto fornecedores locais aumentam a participação de produtos feitos com o metal.
A pressão por custo explica parte do movimento. No maior mercado de EVs do mundo, reduzir alguns dólares por unidade pode pesar quando a produção escala para centenas de milhares de carros. Ao mesmo tempo, cortar peso ajuda a preservar autonomia sem aumentar bateria, uma das partes mais caras do veículo.
A Agência Internacional de Energia informou que as vendas globais de carros elétricos passaram de 20 milhões de unidades em 2025, com participação de um quarto dos carros novos vendidos no mundo. Para 2026, a entidade projetou 23 milhões de unidades, perto de 30% das vendas globais.
Esse volume explica por que uma alteração escondida dentro do chicote elétrico importa para o mercado de metais. Quando milhões de veículos trocam parte do cobre por alumínio, a decisão deixa de ser detalhe de engenharia e vira uma variável para mineradoras, fornecedores de cabos, montadoras e compradores de commodities.
O alumínio avança, mas não deve expulsar o cobre dos carros elétricos
A troca tem limites. O alumínio conduz menos eletricidade, exige conexões bem projetadas e pode demandar maior volume físico em algumas aplicações. Em sistemas de alta exigência, o cobre ainda tende a seguir como escolha mais segura.
Também existe a conta ambiental. Produzir alumínio consome muita energia, e isso pode aumentar emissões quando a eletricidade vem de fontes fósseis. Por isso, o ganho de peso e custo não resolve sozinho a discussão sobre sustentabilidade.
Ainda assim, o caminho parece aberto para substituições seletivas. Cabos, barramentos, componentes de ar-condicionado e partes de sistemas elétricos podem migrar para alumínio onde a engenharia conseguir equilibrar custo, massa, segurança e eficiência.
O resultado provável não é o fim do cobre nos carros. É uma divisão mais calculada. O cobre fica onde sua condutividade paga a conta. O alumínio entra onde o peso menor e o preço mais baixo ajudam a entregar um carro elétrico mais competitivo.
Essa mudança mostra como a eletrificação não mexe só no motor ou na bateria, mas também em materiais que passam despercebidos pelo motorista. Você acha que trocar cobre por alumínio nos carros elétricos é uma solução inteligente ou uma economia que pode trazer riscos técnicos no futuro? Deixe sua opinião nos comentários.
