Reaproveitamento urbano, investimento bilionário e novo modelo de escritório corporativo marcam a transformação do St. John’s Terminal em Manhattan, em um projeto que reúne memória industrial, sustentabilidade e expansão do Google em Nova York.
O St. John’s Terminal, em Hudson Square, ampliou a presença do Google em Nova York ao reunir reaproveitamento de infraestrutura histórica, investimento bilionário e um modelo de escritório voltado à colaboração.
O imóvel, comprado pela empresa por cerca de US$ 2,1 bilhões e inaugurado como escritório do Google em 26 de fevereiro de 2024, ocupa o antigo terminal ferroviário de carga da região e hoje abriga a operação norte-americana da Global Business Organization, área ligada a vendas, parcerias e relacionamento com clientes.
Construído originalmente na década de 1930, o terminal foi adaptado em vez de demolido.
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A solução arquitetônica preservou a base histórica do edifício e acrescentou novos pavimentos sobre a estrutura existente, formando um volume horizontal de grande escala em uma cidade marcada por torres verticais.
O resultado foi um prédio de 12 andares e cerca de 1,3 milhão de pés quadrados, projetado para acomodar mais de 3 mil funcionários e integrar o campus do Google no entorno de Hudson Square.
Google em Nova York reaproveita terminal de carga histórico
A transformação do St. John’s Terminal passou a ser tratada pelo Google e por escritórios envolvidos no projeto como parte da estratégia de ocupar edifícios já inseridos na malha urbana de Nova York, em vez de reproduzir o modelo de campus isolado do Vale do Silício.
O antigo terminal servia como ponto final da linha férrea de carga conectada ao que hoje é a High Line.
Na reforma, parte da estrutura que avançava sobre a Houston Street foi removida, o que reabriu a conexão visual e física entre o bairro e a orla do rio Hudson.

Com isso, a intervenção alterou não só o edifício, mas também a relação dele com a cidade.
Em vez de erguer uma torre fechada sobre si mesma, os arquitetos optaram por um conjunto mais baixo e extenso, descrito em publicações especializadas como um “groundscraper”, ou “arranha-chão”.
A escolha preservou características industriais do imóvel e manteve a referência ao passado logístico da área, agora incorporado a um uso corporativo contemporâneo.
Modelo de trabalho híbrido no St. John’s Terminal
O projeto foi concebido para um escritório menos rígido do que o padrão de estações fixas.
Em lugar de fileiras tradicionais de mesas permanentemente atribuídas, o Google adotou no prédio um sistema de “shared neighborhood seating”, em que as equipes trabalham em áreas de vizinhança compartilhada e circulam entre espaços pensados para tarefas diferentes ao longo do dia.
A proposta inclui áreas para encontros com clientes e parceiros, ambientes coletivos e zonas alternativas de trabalho.
Na prática, isso significa que o edifício foi organizado para responder ao trabalho híbrido sem depender de uma única configuração.
Salas de reunião, ambientes de colaboração e áreas de apoio foram desenhados para receber ajustes rápidos, de acordo com o tamanho do grupo ou com o tipo de atividade.
Segundo os materiais oficiais do projeto, o foco está menos na mesa individual e mais na circulação entre ambientes voltados à troca de ideias, à concentração e aos encontros presenciais com equipes e clientes.
Áreas verdes, luz natural e bem-estar no escritório do Google
Um dos eixos mais divulgados do St. John’s Terminal é a incorporação de áreas verdes ao ambiente de trabalho.
O edifício reúne 1,5 acre de vegetação distribuída em nível da rua, jardins nos antigos leitos ferroviários, terraços e outras áreas externas.
De acordo com o Google, mais de 95% das plantas externas são nativas do estado de Nova York, e o conjunto passou a servir de habitat para mais de 40 espécies de aves observadas em parceria com a NYC Audubon.
Além do paisagismo, o projeto também destaca terraços com vista para Manhattan e para o Hudson, além de ambientes internos desenhados para receber luz natural e acomodar diferentes perfis de uso.
A proposta acompanha uma tendência observada no mercado de escritórios, que busca combinar produtividade, flexibilidade e bem-estar em áreas corporativas inseridas em regiões densas da cidade.
Sustentabilidade e certificação ambiental do projeto
O reaproveitamento da base do antigo terminal foi apresentado pelo Google e pelo escritório COOKFOX como um dos principais ganhos ambientais da obra.
Segundo as duas instituições, preservar parte substancial da estrutura existente deve evitar aproximadamente 78,4 mil toneladas métricas de emissões de CO2 equivalente em comparação com a construção de uma nova fundação estrutural.
O edifício também incorpora painéis solares, retenção de água da chuva e madeira reaproveitada do calçadão de Coney Island após os danos provocados pelo furacão Sandy.

No campo das certificações, o projeto foi associado ao padrão LEED Platinum.
Fontes ligadas ao desenvolvimento e ao desenho do edifício indicam certificação LEED v4 Platinum para o núcleo e a estrutura, além de LEED v4 Platinum para os interiores.
O complexo também foi descrito como candidato à certificação ILFI Zero Carbon, dado citado pelos responsáveis pelo empreendimento como parte da estratégia ambiental do projeto.
Impacto do investimento do Google em Hudson Square
A abertura do St. John’s Terminal também teve impacto para Hudson Square, antiga área industrial que vem sendo reposicionada nas últimas décadas como polo criativo, tecnológico e corporativo.
Ao instalar ali uma operação desse porte, o Google reforçou o papel do bairro em sua presença na cidade e ampliou um movimento já iniciado com outros ativos da empresa, como Chelsea Market, Pier 57 e 111 Eighth Avenue.
Nova York já era, antes da inauguração do prédio, a segunda maior base de funcionários do Google depois de Mountain View.
Em 2024, a empresa informou ter ultrapassado 14 mil empregados em tempo integral na cidade.
O St. John’s Terminal não concentra todos esses profissionais, mas passou a ocupar posição central na estratégia imobiliária da companhia, que mantém escritórios distribuídos por Manhattan.

