Levantamento detalhado sobre distribuição de renda mostra desigualdade no país, revela quanto ganham diferentes faixas da população e explica por que muitos brasileiros podem estar no topo sem perceber
A ideia de fazer parte dos mais ricos do Brasil pode parecer distante para grande parte da população. No entanto, quando analisamos os dados oficiais mais recentes, essa percepção muda completamente. A informação foi divulgada pelo “g1”, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, publicada pelo IBGE, que revelou como a renda está distribuída no país em 2025.
Logo de início, o estudo mostra um cenário surpreendente: o topo da pirâmide de renda começa muito antes do que muitos imaginam. Isso acontece porque a desigualdade no Brasil ainda é extremamente elevada, o que faz com que uma renda considerada “normal” em grandes centros urbanos já coloque uma pessoa entre os mais ricos.
Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios brasileiros ficou em R$ 2.264. Esse valor considera toda a renda da casa dividida pelo número de moradores. Ainda assim, esse número esconde uma grande diferença entre as camadas da população.
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Base da pirâmide revela realidade de baixa renda e desigualdade estrutural

Quando observamos a base da pirâmide, os números mostram uma realidade muito diferente. Os 5% mais pobres do Brasil viveram com apenas R$ 166 por pessoa em 2025. Logo acima, outro grupo apresentou renda média de R$ 374 mensais.
Além disso, ao ampliar o recorte para os 20% mais pobres, a renda média ainda permanece abaixo de R$ 600 por pessoa. Ou seja, cerca de um quinto da população brasileira vive com valores extremamente limitados.
Para entender melhor essa divisão, o IBGE utiliza um sistema chamado percentis, que organiza a população do mais pobre ao mais rico. Dessa forma, fica mais fácil comparar quanto cada grupo ganha e como a renda se concentra no país.
Outro dado importante reforça esse cenário: a mediana da renda, que representa o valor que divide a população em duas partes iguais. Em 2025, essa mediana ficou em R$ 1.311 por pessoa. Isso significa que metade dos brasileiros vive com menos do que esse valor.
Portanto, mesmo com uma média de R$ 2.264, a realidade da maioria da população está bem abaixo disso. Isso acontece porque os rendimentos mais altos puxam a média para cima, ampliando a desigualdade.
Ainda assim, houve avanços importantes. Entre 2019 e 2025, a renda dos 10% mais pobres cresceu 78,7%, enquanto o grupo seguinte teve alta de 42,4%. Mesmo com essa melhora, a desigualdade continua elevada.
Topo da renda começa antes do esperado e inclui trabalhadores assalariados
Agora vem o dado que mais surpreende: os 10% mais ricos do Brasil tiveram renda média de R$ 3.590 por pessoa em 2025. Ou seja, uma pessoa que ganha cerca de R$ 5 mil por mês, especialmente em domicílios menores, já pode fazer parte desse grupo.
Além disso, os dados do mercado de trabalho reforçam essa conclusão. Em 2025, o rendimento médio dos trabalhadores ocupados foi de R$ 3.560, valor praticamente igual ao dos 10% mais ricos.
Isso mostra que esse grupo não é formado apenas por milionários ou grandes empresários. Na prática, muitos trabalhadores assalariados com renda mais alta já estão nesse topo.
No entanto, dentro desse grupo ainda existem grandes diferenças. Veja:
- 5% mais ricos: renda média de R$ 5.519
- Faixa entre os 96% e 99%: média de R$ 9.648
- 1% mais rico: renda média de R$ 24.973
Além disso, o rendimento dos 10% mais ricos cresceu 8,7% entre 2024 e 2025, acima da média nacional de 6,9%. Isso mostra que o topo da renda continua avançando mais rápido do que o restante da população.
Concentração de renda no Brasil segue alta mesmo com avanços recentes
Outro ponto importante do estudo é a concentração de renda no país. Em 2025, os 10% mais ricos concentraram 40,3% de toda a renda nacional. Enquanto isso, os 70% mais pobres dividiram apenas 32,8%.
Na base da pirâmide, os 10% mais pobres ficaram com apenas 1,2% da renda total. Além disso, os mais ricos ganharam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres, aumento em relação ao ano anterior, quando essa diferença era de 13,2 vezes.
Geograficamente, o Centro-Oeste se destacou como uma das regiões com maior rendimento médio. Esse crescimento ocorreu principalmente por causa do Distrito Federal, que apresentou aumento de renda entre trabalhadores do setor público e empregadores.
Além disso, fatores como maior qualificação profissional, crescimento do mercado de trabalho e aumento de 11,8% nos rendimentos com aluguel e arrendamento também contribuíram para o avanço das classes mais altas.
Portanto, embora o país tenha registrado melhora nas faixas mais baixas, a desigualdade ainda permanece como um dos principais desafios econômicos do Brasil.
Você imaginava que ganhar cerca de R$ 5 mil por mês já poderia colocar alguém entre os mais ricos do Brasil?

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