Uma draga de 166 metros da multinacional belga Jan De Nul vai reabrir uma rota marítima abandonada desde os anos 1970 no acesso ao porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Segundo informações do NSC, a obra, autorizada pelo Ibama, prevê a remoção de 150 mil metros cúbicos de sedimentos do fundo do mar e deve começar ainda em maio, com duração de duas semanas.
A rota marítima que será reaberta no acesso ao porto de São Francisco do Sul foi utilizada para navegação entre os anos 1960 e 1970, quando era conhecida como “canal da pedra”. Com o passar das décadas, o assoreamento natural tornou o trecho intransitável para embarcações de grande porte, e a via caiu em desuso. Agora, a draga Galileo Galilei, a mesma embarcação que participou do alargamento da praia de Balneário Camboriú em 2021, vai remover os sedimentos acumulados e devolver ao canal a profundidade necessária para a passagem de navios comerciais.
A reabertura dessa rota marítima não é apenas uma obra de dragagem. Ela vai criar o que está sendo chamado de “alça de conectividade”, uma via alternativa que permitirá que dois navios operem simultaneamente no canal da Babitonga, com um entrando pelo canal principal e outro saindo pela nova rota, aproveitando a maré alta. Para o porto de São Francisco do Sul, que movimenta volumes crescentes de carga, essa possibilidade de tráfego simultâneo representa um ganho operacional significativo que pode reduzir filas de espera e otimizar os tempos de atracação.
A draga de 166 metros que reabre caminhos no mar

A Galileo Galilei é uma draga de sucção e arrasto com 166 metros de comprimento e capacidade para armazenar 18 mil metros cúbicos de sedimentos em sua cisterna. A embarcação opera com tubos de sucção que trazem os sedimentos do fundo do mar por meio de bombeamento, depositando o material na cisterna até que ela esteja cheia. O conteúdo é então transportado e descartado em bota-fora oceânico, uma área autorizada pelo Ibama onde os sedimentos podem ser depositados sem impacto ambiental relevante.
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A draga tem espaço para 32 tripulantes e já é conhecida no litoral catarinense. Além do alargamento da praia de Balneário Camboriú em 2021, a Galileo Galilei realizou a manutenção do canal interno da Babitonga em 2024 e atualmente trabalha na dragagem do canal externo da baía, onde estão sendo removidos mais de 12 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Os 150 mil metros cúbicos previstos para a reabertura da rota marítima representam uma fração desse volume, o que explica o prazo estimado de apenas duas semanas para a conclusão.
O “canal da pedra”: a rota marítima dos anos 1960

O trecho que será dragado para reabrir a rota marítima tem história. Nos anos 1960 e 1970, o chamado “canal da pedra” era uma via de navegação ativa no acesso ao porto de São Francisco do Sul, utilizada por embarcações que precisavam entrar ou sair da baía da Babitonga. Com o crescimento do porte dos navios e a falta de manutenção por dragagem, o canal foi progressivamente assoreado e abandonado em favor do canal principal, que concentrou todo o tráfego marítimo da região.
A decisão de reabrir essa rota marítima reflete o aumento da movimentação portuária na Babitonga. Com apenas um canal de acesso operacional, navios que precisam entrar e sair do porto são obrigados a aguardar a passagem uns dos outros, criando gargalos que limitam a capacidade operacional do complexo portuário. A alça de conectividade resolve esse problema ao criar uma segunda via, permitindo fluxo simultâneo e reduzindo o tempo que cada embarcação espera para manobrar.
Como a alça de conectividade vai funcionar
A obra de reabertura da rota marítima será realizada por meio de um aditivo no contrato que a Jan De Nul já mantém para a dragagem do canal externo da Babitonga e para o alargamento de praias em Itapoá. Com a alça de conectividade pronta, um navio poderá entrar pelo canal principal enquanto outro sai pela nova via, aproveitando a maré alta para garantir profundidade suficiente nos dois sentidos. Essa operação simultânea elimina a necessidade de esperar que o canal fique livre para iniciar a manobra seguinte.
Para os operadores portuários de São Francisco do Sul, a redução no tempo de espera entre operações de entrada e saída se traduz em mais navios atendidos por dia. Cada hora que um navio passa parado esperando para atracar ou zarpar representa custo para armadores, importadores e exportadores que dependem do porto. A rota marítima reaberta, mesmo que utilizada apenas em condições de maré favorável, adiciona capacidade ao sistema sem exigir ampliação física do cais ou construção de novos berços.
A licença do Ibama e o descarte oceânico
A licença ambiental concedida pelo Ibama autoriza a remoção de 150 mil metros cúbicos de sedimentos do fundo do mar, com descarte em bota-fora oceânico. O bota-fora é uma área previamente estudada e aprovada pelo órgão ambiental onde os sedimentos dragados podem ser depositados sem causar impacto significativo aos ecossistemas marinhos. A escolha do local leva em conta fatores como correntes, profundidade, distância da costa e presença de organismos sensíveis.
O volume de 150 mil metros cúbicos é relativamente pequeno quando comparado aos 12 milhões de metros cúbicos que estão sendo removidos na dragagem do canal externo da Babitonga. Essa escala menor é o que permite que a obra de reabertura da rota marítima seja concluída em apenas duas semanas, utilizando a mesma draga que já está operando na região. Do ponto de vista logístico, aproveitar a presença da Galileo Galilei no litoral catarinense para realizar a obra adicional reduz custos de mobilização e otimiza o uso do equipamento.
Da praia de Balneário Camboriú ao porto de São Francisco do Sul
A draga Galileo Galilei se tornou uma presença recorrente no litoral de Santa Catarina. Em 2021, a embarcação participou do alargamento da praia de Balneário Camboriú, uma das obras mais midiáticas do estado. Em 2024, realizou a manutenção do canal interno da Babitonga. Agora, trabalha na dragagem do canal externo, cujos sedimentos estão sendo parcialmente utilizados para o alargamento de praias em Itapoá, e em breve abrirá a rota marítima abandonada desde os anos 1970.
Metade dos mais de 12 milhões de metros cúbicos removidos do canal externo está sendo levada para engordamento de praias em Itapoá, demonstrando como uma mesma operação de dragagem pode resolver dois problemas simultaneamente: aprofundar o canal de navegação e ampliar a faixa de areia de praias erodidas. A rota marítima que será reaberta em São Francisco do Sul adiciona mais um capítulo à sequência de obras que a Jan De Nul vem realizando na baía da Babitonga, consolidando a região como um dos maiores canteiros de engenharia marítima do Brasil.
Uma rota dos anos 1960 de volta ao mapa de navegação
A rota marítima que será reaberta no acesso ao porto de São Francisco do Sul ficou abandonada por mais de cinco décadas sob camadas de sedimentos. Agora, uma draga de 166 metros vai remover 150 mil metros cúbicos do fundo do mar em duas semanas para devolver ao “canal da pedra” a profundidade necessária, criando uma alça de conectividade que permitirá dois navios operarem ao mesmo tempo na Babitonga. Para o porto, é capacidade extra sem obra de cais. Para os navios, é menos fila e mais eficiência.
Você sabia que São Francisco do Sul tinha uma rota de navegação abandonada desde os anos 1970? Conte nos comentários o que acha da reabertura desse canal, se acompanha as obras de dragagem na Babitonga e como avalia o papel da draga Galileo Galilei nas transformações do litoral catarinense. Queremos ouvir a sua opinião.

Por quê não continuar a jogar mais areia na orla de Itapoá já que tem lugares sem praia!! Descartem na orla !!!
Quem esta bancando essa obra?