Estudante de Coruripe virou destaque nacional ao unir rotina familiar com números, preparação escolar e desempenho raro na OBMEP, competição que ampliou suas experiências acadêmicas e reforçou o papel da escola pública na descoberta de jovens talentos em matemática no Brasil.
Úrsula Romão, estudante de 12 anos da rede municipal de Coruripe, no interior de Alagoas, conquistou a segunda medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, resultado que a colocou entre jovens talentos da educação básica brasileira.
Divulgada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada em 30 de janeiro de 2026, a conquista ganhou peso adicional porque os ouros na 19ª e na 20ª edição da OBMEP estão entre os primeiros registrados em mais de uma década no município.
Talento em matemática começou dentro de casa
Muito antes das provas e das cerimônias, a relação da estudante com os números foi construída no ambiente familiar, em conversas, jogos, desafios mentais e situações cotidianas relatadas pelo IMPA ao apresentar a trajetória da aluna alagoana.
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Filha de dois professores de matemática, Úrsula cresceu em uma casa onde a disciplina aparecia com naturalidade, não apenas como conteúdo escolar, mas como parte da rotina, da curiosidade e da forma de resolver pequenos problemas.
Segundo Darliton Romão, pai da estudante, a família sempre buscou trabalhar a matemática com “leveza e simplicidade”, evitando transformar o aprendizado em pressão ou em uma sequência distante de fórmulas e provas.
Com esse contato desde cedo, a aluna passou a enxergar a disciplina de modo menos distante, enquanto jogos em família e pequenas competições domésticas ajudavam a transformar o raciocínio lógico em parte da sua formação.
Escola pública reforçou preparação para olimpíadas
Ao incentivo familiar somou-se o apoio da Escola Liége Gama Rocha, unidade da rede municipal de Coruripe onde Úrsula estuda e participa de treinamentos voltados a olimpíadas do conhecimento.
Embora o interesse pela matemática já fizesse parte de sua rotina, a preparação mais consistente para competições começou a partir do 6º ano, quando a estudante passou a frequentar programas de treinamento com maior regularidade.
Em relato ao IMPA, Úrsula afirmou que sempre recebeu apoio e participou de diferentes iniciativas de preparação, experiência que ampliou seu contato com problemas de lógica e raciocínio matemático além das aulas tradicionais.
Após a primeira medalha de ouro na OBMEP, a estudante ingressou no Programa de Iniciação Científica Jr., conhecido como PIC Jr., iniciativa destinada a medalhistas da competição nacional de matemática.
De acordo com a OBMEP, o PIC atende medalhistas por meio de uma rede nacional de professores em polos espalhados pelo país, com atividades voltadas ao interesse pela matemática e pela ciência.
OBMEP abriu novas experiências para Úrsula
A participação na olimpíada também levou Úrsula a vivências fora de sua rotina em Alagoas, incluindo a presença na Cerimônia Nacional da 19ª OBMEP, realizada no Rio de Janeiro.
Na viagem, conforme o IMPA, a estudante andou de avião sozinha pela primeira vez e também visitou outra região do Brasil pela primeira vez, em uma experiência ligada diretamente ao reconhecimento obtido na competição.
A própria aluna afirmou que a prova foi uma das mais importantes de sua vida porque “me deu muitas oportunidades”, declaração que resume o impacto da olimpíada para além da medalha recebida.
Com o resultado, Úrsula se aproximou de programas de formação, cerimônias nacionais e referências acadêmicas da matemática brasileira, ao mesmo tempo em que fortaleceu planos ligados à continuidade dos estudos.
Sonho no IMPA Tech amplia horizonte acadêmico
Entre os objetivos da estudante está cursar matemática no IMPA Tech, programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, no Rio de Janeiro, e seguir uma trajetória acadêmica ligada à área.
Esse interesse aparece como continuação de um percurso iniciado em casa, reforçado pela escola pública municipal e consolidado pelo desempenho em uma das principais competições estudantis do país.
Criada em 2005, a OBMEP é um projeto nacional realizado pelo IMPA, com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, voltado a escolas públicas e privadas brasileiras.
Entre os objetivos oficiais da olimpíada estão estimular o estudo da matemática, identificar jovens talentos, incentivar o ingresso em universidades e promover inclusão social por meio da difusão do conhecimento.
Na trajetória de Úrsula, esses objetivos se conectam ao incentivo familiar, à preparação oferecida pela escola e ao acesso a programas de aprofundamento, sem deslocar o protagonismo da estudante e de sua dedicação contínua.
Também chama atenção o fato de Coruripe, cidade do interior de Alagoas, aparecer no mapa de premiações nacionais da OBMEP por meio dos resultados obtidos pela aluna da rede municipal.
Mais do que uma premiação isolada, as duas medalhas indicam como estímulo cotidiano, orientação escolar e oportunidades institucionais podem ampliar o caminho acadêmico de estudantes da rede pública com alto desempenho em matemática.
