Enquanto a Daiso Japan transforma uma megaloja em Blumenau em vitrine de preços baixos e variedade, Luciano Hang corre para defender a Havan, aposta em abrir 200 unidades e acelera a disputa pelo varejo brasileiro físico em meio a juros altos e consumo pressionado em 2025 e nos próximos anos
O avanço da Daiso Japan com a megaloja em Blumenau envia um recado direto ao varejo brasileiro e empurra Luciano Hang para o centro da disputa, enquanto Havan e concorrentes recalculam investimentos e formatos de loja.
A abertura de Blumenau acende o alerta em Santa Catarina, berço da Havan e vitrine natural de qualquer movimento de concorrentes sobre a base de consumidores da rede de Luciano Hang. A megaloja aberta em 3 de outubro foi instalada no Shopping H, com 400 metros quadrados dedicados a uma operação intensiva de giro rápido, variedade e apelo visual.
A inauguração marca a terceira unidade da Daiso em Santa Catarina e a primeira no Vale do Itajaí, região onde a Havan consolidou parte de sua expansão, usando lojas de grande porte como âncoras de fluxo regional. A presença japonesa nesse corredor comercial aumenta a pressão competitiva justamente sobre o público acostumado aos modelos de megaloja de Luciano Hang.
-
Depois de devolver cerca de 20 navios com soja brasileira, China surpreende ao sinalizar aumento das compras de proteína animal, enquanto Brasil já consumiu 70% da cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina
-
A inflação de alimentos subiu 302% em 20 anos no Brasil, mas o supermercado mudou: o poder de compra rendeu 87% mais mortadela e 31% menos fruta, e os ultraprocessados tomaram o carrinho
-
Gigante do agro foca no Brasil e anuncia fábrica colossal automatizada de R$ 100 milhões no interior de SP
-
Petrobras coloca petróleo de lado e foca na soja ao produzir combustível de aviação com certificação inédita no mundo; lote de 3,8 mil m³ promete cortar até 70% das emissões e acelerar a transição energética
Como a Daiso está se posicionando no varejo brasileiro
A Daiso Japan atua no Brasil desde 2012, com uma estratégia baseada em alta densidade de sortimento, preços acessíveis e forte identidade visual de cultura japonesa.
Em Blumenau, a rede repete o modelo: utilidades domésticas, papelaria, itens de organização, decoração e alimentos orientais dividem espaço em uma planta compacta, desenhada para maximizar exposição de produtos por metro quadrado.
Esse formato contrasta com o modelo de negócios da Havan, que aposta em lojas gigantes, experiência de passeio em família e forte presença de marcas conhecidas, mas conversa diretamente com dois públicos sensíveis: consumidores em busca de novidade e compradores orientados por preço.
Para Luciano Hang, o avanço dessa combinação em cidades-chave funciona como termômetro do apetite da Daiso por participação de mercado em regiões dominadas pelo seu grupo.
A instalação em um shopping de Blumenau não é apenas uma escolha imobiliária.
Significa disputar fluxo diário, impulsividade de compra e recorrência de visita em um ambiente no qual muitas famílias já utilizam a Havan como referência de grandes compras e lazer.
A presença da Daiso cria um novo polo de atração dentro do mesmo ecossistema de consumo.
A resposta de Luciano Hang: 2 bilhões para 200 novas lojas
Diante desse cenário, Luciano Hang anunciou um plano de investimento de R$ 2 bilhões para abrir 200 novas lojas Havan até 2026, numa mensagem clara ao mercado de que a rede não pretende ceder espaço no varejo físico.
O movimento reposiciona a companhia na disputa por capilaridade, visibilidade e poder de negociação com fornecedores.
Na prática, a estratégia de Luciano Hang reforça três frentes:
Área construída e presença geográfica em mais cidades médias e grandes, ampliando o alcance da marca Havan.
Defesa de market share em regiões onde redes estrangeiras, como a própria Daiso, começam a testar formatos e públicos.
Escala logística e comercial, elemento crucial para manter competitividade de preço em um ambiente de juros altos e consumo pressionado.
A leitura de bastidor é que a expansão anunciada por Luciano Hang não é apenas um plano de crescimento inercial, mas também um recado a novos entrantes estrangeiros que enxergam no Brasil um mercado de varejo ainda fragmentado, com espaço para formatos compactos e de nicho.
Cada loja da Daiso aberta em praças estratégicas opera como um lembrete de que o domínio da Havan não é incontestável.
Blumenau como laboratório da nova concorrência
Blumenau se torna um laboratório importante para observar como clientes locais vão distribuir sua atenção e seu orçamento entre um modelo japonês de alta rotatividade e a experiência de megaloja da Havan.
A Daiso traz o apelo da cultura pop japonesa, do “garimpo” em prateleiras cheias de pequenas soluções, enquanto Luciano Hang aposta em um portfólio amplo, com eletrônicos, moda, decoração e utilidades em escala industrial.
A convivência entre os dois modelos no mesmo eixo de consumo ajuda a medir:
o quanto o consumidor está disposto a migrar parte do gasto para operações menores, porém mais especializadas;
a capacidade de Havan, sob comando de Luciano Hang, de reforçar campanhas, promoções e layout de loja para segurar tráfego;
a reação de outros players regionais, que podem ser pressionados tanto pela Daiso quanto por uma Havan ainda mais agressiva em expansão.
Para a região do Vale do Itajaí, onde tradicionalmente o varejo local convive com grandes grupos nacionais, a chegada da Daiso amplia a complexidade da disputa por público.
Se a megaloja japonesa se tornar destino recorrente, o impacto sobre o mix de consumo regional tende a ser observado rapidamente nos números de concorrentes.
O que está em jogo para Havan e para a Daiso
Para a Daiso, Blumenau é mais um passo em um projeto de construção de marca nacional, que depende de escala, memória de preço e percepção de utilidade cotidiana.
Para a Havan, cada passo da concorrente em território catarinense é um convite para antecipar movimentos: escolher novas cidades, negociar mais agressivamente pontos comerciais e desenhar lojas capazes de reter o consumidor por mais tempo.
Luciano Hang encara esse processo em um momento em que o varejo físico precisa se provar relevante frente ao comércio eletrônico, apps de entrega e marketplaces.
Ao anunciar um pacote de 2 bilhões de reais em novas lojas, o empresário sinaliza que ainda aposta na loja física como ativo de marca, de presença política e de geração de empregos, mesmo diante da aceleração de concorrentes menores e mais flexíveis.
Do ponto de vista do consumidor, a disputa tende a se traduzir em mais opções, mais competição e possivelmente melhores condições de preço e sortimento.
Do ponto de vista de Luciano Hang, porém, a mensagem é clara: o avanço da Daiso em Blumenau e em outras regiões exige monitoramento constante e uma estratégia de expansão que combine velocidade com disciplina financeira.
No fim das contas, a megaloja japonesa em Blumenau funciona como um símbolo de um novo ciclo competitivo no varejo físico brasileiro, em que redes internacionais testam formatos localizados enquanto players como Luciano Hang ampliam investimentos para não perder terreno em cidades estratégicas.
E você, acredita que a chegada da Daiso em cidades como Blumenau vai forçar Luciano Hang e a Havan a mudarem o jeito de competir no varejo brasileiro?

Queria impor e fez campanhas para maiores impostos. De importação aos clientes.
..tá aí….fez com que a concorrência aumentar a performance no quintal de casa ! Parabéns Luciano Hang! Nós clientes agradecemos a concorrência e principalmente as alternativas!
Megaloja com 400 metros quadrados
É isso mesmo !!!!
Vai quebrar todo mundo né
A principal intenção desses “lideres” e se promoverem a candidatos políticos. Nada mais.
Enquanto que os liderados ficam no prejuízo a vida inteira.
Com certeza o veio da Havan,usa empréstimos de bancos oficiais(BRDE e BNDS) oara financiar seus empreendimentos.