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Com R$ 13 bilhões na mesa, ponte mais alta do país vai reduzir riscos em rotas perigosas, criará milhares de empregos e será nova joia da engenharia no Cazaquistão

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 01/12/2025 às 16:08
Atualizado em 01/12/2025 às 16:13
Assista o vídeoPonte de Pikhtovka avança no leste do Cazaquistão e promete transformar logística, turismo e segurança ao substituir trecho crítico de montanha.
Ponte de Pikhtovka avança no leste do Cazaquistão e promete transformar logística, turismo e segurança ao substituir trecho crítico de montanha.
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Estrutura monumental avança no leste do Cazaquistão e promete transformar logística, turismo e segurança viária na região ao substituir um dos trechos mais perigosos das montanhas de Altai.

No leste montanhoso do Cazaquistão, a construção de uma ponte sobre o desfiladeiro de Pikhtovka avança como peça central de uma grande obra viária que promete mudar a forma de circular pela região de Altai.

Com pilares que ultrapassam os 40 metros de altura e cerca de 175 metros de extensão, a estrutura será a ponte de maior altitude do país e deve ficar pronta em 2026, eliminando um trecho de serra sinuoso e arriscado no contorno do passo de Osinovsky.

Embora o valor seja divulgado em diferentes moedas, o investimento total gira em torno de 13 bilhões de tenges cazaques, o que corresponde hoje a aproximadamente US$ 25 milhões, algo próximo de R$ 140 milhões pela média da cotação do dólar em 2025.

Impacto econômico da nova ponte de Pikhtovka

A ligação sobre o desfiladeiro de Pikhtovka integra a rodovia Ust-Kamenogorsk – Altai – Ulken Naryn – Katon-Karagai – Rakhmanovskie Klyuchi, eixo que conecta centros urbanos, áreas de produção agrícola e polos turísticos no leste do país.

Ao substituir um trecho de serra com curvas fechadas por uma pista mais reta e estável, a ponte tende a encurtar o tempo de viagem, reduzir custos de combustível e diminuir gastos logísticos para transporte de carga.

Empresas de mineração, produtores rurais e operadores turísticos passam a contar com uma rota mais previsível, com menos interrupções por neve, gelo ou risco de deslizamentos.

Esse ganho de eficiência logística se soma ao efeito direto do canteiro de obras.

A construção mobiliza equipes especializadas em terraplenagem, fundações profundas, concretagem e montagem de estruturas, além de serviços de apoio como transporte, alimentação e hospedagem.

Mesmo sem um número oficial consolidado, o governo regional aponta que grandes obras viárias têm contribuído para elevar o emprego na construção civil e em serviços anexos ao longo do eixo Ust-Kamenogorsk–Altai.

A tendência é que, após a inauguração, a melhoria da acessibilidade atraia novos negócios, como hotéis, restaurantes, centros de serviços para caminhoneiros e operadores turísticos próximos às novas interseções viárias e à futura área de contemplação no próprio desfiladeiro de Pikhtovka.

Integração de Altai e redução do isolamento

O passo de Osinovsky é considerado um dos trechos mais difíceis da malha rodoviária da região.

Moradores e motoristas descrevem o percurso atual como um serpenteado de pista estreita, declives acentuados e curvas sucessivas, que no inverno se transforma em um ponto frequente de bloqueios por neve, gelo e risco de avalanches.

Com a nova ponte e a estrada de contorno, a circulação entre Ust-Kamenogorsk, Altai e as áreas próximas ao reservatório de Bukhtarma e a Rakhmanovskie Klyuchi deixa de depender do trecho mais crítico da serra.

Isso melhora o acesso a serviços de saúde, educação e comércio para comunidades menores ao longo da rodovia e reduz o tempo de resposta em situações de emergência, como acidentes ou intempéries severas.

A região de Altai, por sua vez, ganha em atratividade turística.

O próprio desfiladeiro de Pikhtovka é tratado pela imprensa local como uma das paisagens mais cênicas do trajeto, e já há previsão de instalação de um mirante próximo à ponte, voltado a visitantes que desejam observar o vale e a nova estrutura de engenharia.

Essa combinação de estrada mais segura, tempo de deslocamento menor e valorização das belezas naturais tende a fortalecer segmentos como o ecoturismo, as pousadas de montanha e os resorts termais da rota de Rakhmanovskie Klyuchi, tradicional destino de lazer no leste do Cazaquistão.

Desafios de engenharia em terreno irregular

Erguer a ponte mais alta do país em um vale estreito e profundo exige soluções específicas de engenharia.

Estudos geológicos detectaram solos irregulares e instáveis nas margens do desfiladeiro, o que levou à adoção de fundações profundas, com mais de dez metros, para garantir a estabilidade dos pilares.

Além da profundidade, o projeto precisou lidar com encostas sujeitas a movimentos de massa, variações bruscas de temperatura e ciclos intensos de congelamento e descongelamento.

Para enfrentar essas condições, as equipes empregam concreto reforçado, armaduras montadas sem solda e técnicas de concretagem adaptadas a períodos de frio mais intenso.

Outro ponto sensível é a convivência com o risco de avalanches em áreas próximas à rodovia.

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Pesquisas recentes sobre a dinâmica de neve e deslizamentos na região de East Kazakhstan reforçam a necessidade de proteger a pista e as estruturas de suporte contra eventos súbitos.

Essa realidade explica o investimento paralelo em túneis de proteção, barreiras e sistemas de drenagem ao longo da nova rota.

Conectividade internacional e papel logístico do Cazaquistão

A ponte de Pikhtovka não é um projeto isolado.

Ela se insere em um esforço mais amplo do Cazaquistão para reforçar sua infraestrutura de transporte e consolidar o país como corredor terrestre entre a Europa e a Ásia, especialmente no contexto da Iniciativa do Cinturão e Rota.

Ao reduzir gargalos internos e tornar mais fluida a circulação de caminhões e ônibus no leste do território, a obra ajuda a integrar o eixo Ust-Kamenogorsk–Altai a rotas que conectam a Rússia, a China e outros mercados vizinhos.

Em paralelo, o país já inaugurou, em 2024, sua ponte mais longa sobre o reservatório de Bukhtarma, também na região oriental, em outra frente de melhoria logística.

Essa combinação de projetos tende a reduzir o custo de transporte de mercadorias, ampliar a competitividade de exportadores cazaques e atrair investidores interessados em plataformas logísticas, terminais de carga e parques industriais próximos aos novos eixos rodoviários.

Controle de qualidade e segurança na execução

Para assegurar que a estrutura atenda a padrões elevados de segurança, o empreendimento é acompanhado por órgãos técnicos especializados.

O Centro Nacional de Qualidade de Ativos Rodoviários, por meio de sua unidade na região de East Kazakhstan, realiza ensaios regulares de materiais, com destaque para o controle do concreto utilizado nas fundações, nos pilares e no tabuleiro da ponte.

Esse monitoramento inclui coleta periódica de amostras, verificação de resistência mecânica, inspeções das armaduras e avaliação das camadas de pavimento da rodovia de acesso.

De acordo com relatos oficiais, cada etapa é liberada somente após validação técnica, considerada essencial em um canteiro sujeito a clima rigoroso, operação com explosivos e escavações profundas nas encostas rochosas.

Com os pilares já avançados e a superestrutura em fase de montagem, a expectativa das autoridades é concluir o conjunto da obra — incluindo a ponte e o trecho restante da estrada em torno do passo de Osinovsky — até 2026, encerrando um ciclo de quase uma década de idas e vindas na construção da rota alternativa.

À medida que a estrutura toma forma e redefine a mobilidade na região, surge a curiosidade sobre como moradores, turistas e motoristas perceberão o impacto real dessa transformação quando a ponte finalmente entrar em operação.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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