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Com noites a 35 °C e apagões frequentes, arquiteto indiano revive técnicas milenares com terracota e água para resfriar prédios sem ar-condicionado e desafiar o calor extremo que sufoca Delhi

Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/12/2025 às 17:10
Assista o vídeoCom noites a 35 °C e apagões frequentes, arquiteto indiano revive técnicas milenares com terracota e água para resfriar prédios sem ar-condicionado e desafiar o calor
Arquitetura em terracota usa ventilação natural e resfriamento evaporativo para resfriar prédios sem ar-condicionado com soluções baseadas na natureza.
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Em meio a apagões frequentes e calor sufocante, arquiteto cria sistema em terracota para resfriar prédios sem ar-condicionado, inspirando soluções naturais em uma cidade cada vez mais quente.

Em Nova Délhi, há noites em que o calor passa de 35 ºC e o ar parece quase palpável. Para suportar essas temperaturas, milhões de pessoas ligam o ar-condicionado ao mesmo tempo e, quando a rede não aguenta, os apagões se espalham por horas. Nesse cenário de calor extremo e energia sob pressão, surge uma alternativa ousada: usar água, barro e ventilação natural para resfriar prédios sem ar-condicionado.

Em vez de depender só de máquinas, um arquiteto indiano decidiu revisitar técnicas milenares de resfriamento com terracota, ajustar o desenho para a realidade das grandes cidades e criar estruturas que funcionam como uma mistura de jardim vertical, filtro de vento e sistema evaporativo.

A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: reduzir a carga sobre o ar-condicionado e mostrar que é possível resfriar prédios sem ar-condicionado o tempo todo, usando a natureza como aliada.

Quando o calor extremo e os apagões se encontram

Nas últimas ondas de calor, as noites em Délhi chegaram a registrar mínimas em torno de 95 graus Fahrenheit, o equivalente a cerca de 35 ºC.

Isso significa que o corpo quase não descansa do calor nem de madrugada. Nessas condições, o uso de ar-condicionado dispara justamente no período em que a rede elétrica está mais vulnerável, provocando cortes de energia que podem durar horas.

Com o calor alto dentro e fora de casa, e sem garantia de que o ar-condicionado vai funcionar o tempo todo, cresce a busca por soluções que não dependam apenas de compressores, gás e tomadas.

É aí que entra a ideia de resfriar prédios sem ar-condicionado como regra geral, usando o ar frio artificial só em momentos críticos, por menos tempo.

A lógica por trás desse movimento é pragmática.

Não se trata de demonizar o ar-condicionado, mas de reconhecer que, em muitos lugares, a infraestrutura elétrica não suporta que todas as pessoas refrigerem todos os ambientes, o tempo todo, apenas com máquinas.

Se uma parte do resfriamento vier de sistemas naturais, o conjunto passa a ser mais estável e menos vulnerável a apagões.

Um sistema baseado na natureza, não em selar o calor

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O ponto de partida desse projeto é o conceito de sistema baseado na natureza. Em vez de selar a edificação para impedir qualquer troca de ar, a proposta é exatamente o contrário: manter o espaço naturalmente ventilado, permitir o fluxo do vento e criar ciclos de troca de energia entre interior e exterior.

O arquiteto por trás dessa solução, Monish Siripurapu, enxergou na terracota e na água um caminho para reduzir a dependência de sistemas mecânicos.

Em vez de criar mais uma máquina, ele desenhou estruturas que funcionam como pele de edifício, filtrando e resfriando o ar que entra.

A ideia central é simples: se a fachada ou a janela passam a colaborar com o resfriamento, o prédio precisa de menos esforço do ar-condicionado.

Com isso, fica mais viável resfriar prédios sem ar-condicionado em tempo integral, usando o equipamento apenas em áreas essenciais ou nos horários de calor mais extremo.

Terracota, água e inspiração em uma colmeia

No estúdio instalado em um antigo estábulo, nos arredores de Délhi, o arquiteto e sua equipe testam diferentes formatos e arranjos de peças de terracota.

Uma das estruturas mais marcantes é inspirada em uma colmeia. Em vez de paredes lisas, surge um painel com dezenas de cones de barro ocos, encaixados lado a lado.

Quando a água é despejada na parte superior, esses cones se umedecem e passam a agir como pequenas superfícies de resfriamento.

Ao tocar a terracota, é possível sentir que ela está mais fria que o ar ao redor, mesmo sem gotículas de água visíveis escorrendo.

O vento que passa por entre os cones entra em contato com essa superfície úmida e chega ao interior do ambiente em temperatura mais baixa, graças ao resfriamento evaporativo.

A inovação não está apenas na física do processo, que é conhecida há séculos, mas na forma de aplicar essa lógica. Em alguns protótipos, o mesmo painel de terracota funciona como um híbrido de jardim vertical e sistema evaporativo, unindo sombra, evaporação e filtragem do ar.

Assim, uma única estrutura consegue, ao mesmo tempo, bloquear a radiação direta, reduzir a temperatura do vento que passa e criar um elemento estético na fachada.

Ao atualizar essa técnica, o arquiteto resgata práticas tradicionais como o uso de potes de barro e jarros de água para resfriar ambientes e, ao mesmo tempo, transforma esses elementos em módulos repetíveis.

O objetivo é que resfriar prédios sem ar-condicionado deixe de ser apenas memória de arquitetura vernacular e passe a ser alternativa real em cidades superquentes.

Do experimental às 70 instalações em casas, fábricas e espaços públicos

Com noites a 35 °C e apagões frequentes, arquiteto indiano revive técnicas milenares com terracota e água para resfriar prédios sem ar-condicionado e desafiar o calor

O sistema não ficou restrito ao laboratório. Segundo o próprio arquiteto, já são cerca de 70 instalações espalhadas pela Índia, em casas, espaços públicos e fábricas.

Em alguns projetos, os painéis em terracota são instalados em janelas; em outros, viram grandes fachadas que envolvem parte da edificação.

A energia necessária para operar é mínima: basicamente, mover a água de tempos em tempos, por bomba ou gravidade, para manter a superfície úmida.

Fora isso, o sistema trabalha com o vento que já existe e com a própria capacidade da terracota de reter e liberar umidade.

Essa simplicidade energética combina especialmente bem com contextos em que há apagões recorrentes.

Se o objetivo é resfriar prédios sem ar-condicionado de forma contínua, faz diferença ter uma solução que continue funcionando mesmo quando a rede falha ou quando o uso de máquinas precisa ser reduzido para aliviar o sistema elétrico.

Cada clima, uma solução diferente de resfriamento natural

Um ponto importante é que esses sistemas não funcionam como um ar-condicionado convencional, que teoricamente pode ser instalado em qualquer lugar e programado para entregar sempre o mesmo resultado. No caso das soluções baseadas na natureza, o clima local e as condições do entorno são parte do projeto.

Por isso, não existe uma solução única válida para 100% dos espaços. Em vez de um modelo padrão, a equipe desenvolve variações de desenho e combinações diferentes de sombreamento, evaporação e ventilação para adaptar o sistema a cada uso e a cada cidade.

A ideia é justamente customizar o jeito de resfriar prédios sem ar-condicionado em função do clima, da umidade, da direção dos ventos e do tipo de edifício.

Essa abordagem reconhece que não há solução perfeita e que o ganho está em reduzir o peso dos sistemas mecânicos, não em eliminá-los totalmente.

Em algumas situações, o natural responde pela maior parte do conforto térmico, e o ar-condicionado aparece só como apoio pontual. Em outras, as duas tecnologias trabalham em paralelo, com divisão mais equilibrada do esforço.

Menos oito horas de ar-condicionado, mais equilíbrio no clima interno

Na prática, o impacto desse tipo de sistema aparece no tempo de uso das máquinas de refrigeração.

Em vez de manter o ar-condicionado ligado oito horas por dia, a meta passa a ser concentrar o uso em duas ou três horas, nos momentos de calor extremo, e confiar no sistema natural nas demais horas.

Essa redução de carga tem efeito direto tanto na conta de energia quanto na pressão sobre a rede.

Em escala de bairro ou cidade, se muitos edifícios adotam estratégias semelhantes para resfriar prédios sem ar-condicionado integralmente, o resultado é um pico de consumo mais baixo e menos probabilidade de apagões em cascata.

Ao mesmo tempo, o morador passa a experimentar uma relação diferente com o ambiente interno.

Em vez de depender de janelas hermeticamente fechadas e de uma única máquina, o conforto térmico passa a vir também da sombra, do fluxo de ar e da interação com materiais simples.

É uma combinação de tecnologia atual com sabedoria antiga, voltada para um futuro em que o calor extremo tende a ser mais frequente.

Diante desse cenário, em que noites de 35 ºC e quedas de energia já fazem parte da rotina, que caminho você acha mais promissor para o futuro das cidades: depender cada vez mais do ar-condicionado tradicional ou apostar em soluções que ajudam a resfriar prédios sem ar-condicionado o tempo todo, combinando natureza e tecnologia?

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tom phillips
tom phillips
31/12/2025 21:18

THANKS FOR HIGHLIGHTING THIS PROJECT!
Where is the source for the project info & results?

Also: 1) in what climate conditions does this method work, 2) how will it work in future climate scenarios, 3) is microbial growth a problem over time, 4) how much water is needed ?

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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