Estimativas apontam prejuízos bilionários com a formiga-de-fogo, que afeta fazendas e cidades, e o Texas é um dos epicentros do problema
A formiga-de-fogo, conhecida nos EUA como red imported fire ant e identificada como Solenopsis invicta, é apontada por estudos e órgãos públicos como uma das pragas invasoras mais caras do sul do país.
Relatórios e materiais técnicos citam impactos que passam de US$ 6 bilhões por ano quando se somam gastos com controle, reparos e saúde em áreas afetadas nos Estados Unidos.
No Texas, porém, a estimativa mais repetida por um dos principais programas de pesquisa e extensão do tema é menor que a cifra nacional, mas ainda muito alta. O Texas Imported Fire Ant Research and Management Project, ligado à Texas A&M, estima impacto de US$ 1,2 bilhão por ano apenas no estado.
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A divergência entre números costuma gerar confusão nas redes. Parte das cifras se refere aos EUA como um todo, enquanto outras recortam o Texas, setores específicos ou períodos diferentes, o que muda bastante o total final.
Prejuízo bilionário e por que o número varia entre Texas e Estados Unidos
O valor acima de US$ 6 bilhões anuais aparece em materiais técnicos associados ao USDA, com a conta incluindo custos de controle, reparos e despesas médicas em regiões infestadas.
Já o número do Texas, de US$ 1,2 bilhão por ano, vem do projeto da Texas A&M que reúne pesquisas e orientações de manejo no estado.
Além do recorte geográfico, também pesa o que entra na conta. Há estudos que consideram perdas em agricultura, áreas urbanas, manutenção de infraestrutura e impactos em saúde, enquanto outros focam em segmentos como domicílios, serviços e pecuária, o que altera o resultado.
Outro ponto é a escala de infestação. A formiga-de-fogo já se espalhou amplamente pelo sul dos EUA e publicações do USDA indicam infestação em torno de 300 milhões de acres em áreas do país, um indicativo do tamanho do problema.
Como a formiga-de-fogo afeta gado e aumenta custos na pecuária
Na prática, o prejuízo no campo não é só incômodo. O USDA alerta que animais jovens e recém-nascidos são especialmente suscetíveis às ferroadas, o que ajuda a explicar por que a praga preocupa produtores de gado em regiões infestadas.
Em fazendas, colônias podem surgir em áreas de pasto, bebedouros e locais de manejo. Quando há alta densidade de ninhos, o risco de ataques ao rebanho aumenta e também cresce o gasto com controle, porque o produtor precisa tratar áreas maiores por mais tempo.
Além das ferroadas, os montes de terra atrapalham operações e podem danificar equipamentos usados na rotina. Em materiais de extensão, há relatos de densidades muito altas, com montes chegando a centenas por acre em certas condições, o que ilustra como o controle pode virar uma despesa recorrente.
Por que elas entram em equipamentos elétricos e causam panes
O impacto urbano também pesa, e aqui entra um detalhe que parece exagero até acontecer. Guias técnicos descrevem que a formiga-de-fogo pode infestar equipamentos elétricos e caixas de utilidade, roendo isolamento, levando solo para dentro e contribuindo para curto-circuitos e falhas mecânicas.
Há ainda evidências de que elas são atraídas por campos elétricos e que isso favorece invasões em vários tipos de aparelhos, de ar-condicionado a sistemas de sinalização. O USDA descreve o problema como capaz de afetar diferentes equipamentos e contatos elétricos em áreas onde a espécie ocorre em alta densidade.
No próprio material técnico associado à Texas A&M, o tema aparece com orientações específicas, justamente porque o tratamento envolve risco e costuma exigir cuidado profissional, já que mexe com rede elétrica e caixas energizadas.
O que funciona no controle e o debate sobre venenos e meio ambiente
Especialistas de extensão e órgãos públicos tendem a recomendar o manejo integrado, que combina iscas, tratamentos localizados e ações preventivas, em vez de depender só de um produto. Em ambientes urbanos, manuais descrevem estratégias em etapas e reforçam que a escolha do método depende do local, do nível de infestação e do risco para pessoas e animais.
O debate, porém, continua porque controlar a praga custa caro e, ao mesmo tempo, o uso repetido de inseticidas levanta questionamentos sobre impactos ambientais e segurança, principalmente em áreas de convivência, escolas e quintais.
A pressão por soluções mais sustentáveis também cresce porque a espécie segue se espalhando e exigindo controle constante.
Na prática, o ponto central é que não existe “bala de prata”. A conta sobe quando o controle é feito só depois que a infestação explode, e cai quando há monitoramento e resposta rápida, especialmente em locais sensíveis como pastos com bezerros, áreas de lazer e infraestrutura elétrica.

