A antiga Marmora Mine se encheu de água após o fim da mineração de ferro e virou um cartão postal azul esverdeado. Agora, um projeto quer reaproveitar a cava como armazenamento de energia e reabrir o debate sobre turismo e segurança.
A poucos minutos do centro de Marmora, no leste de Ontario, uma cratera industrial criada pela mineração de ferro acabou virando um lago de aparência turquesa que chama atenção de quem passa pela região. O local é conhecido como Marmora Mine, ou Marmoraton Mine, e hoje é visto como um exemplo raro de como uma área minerada pode ganhar outro significado.
O tamanho ajuda a explicar a curiosidade. Documentos do projeto de reaproveitamento descrevem a cava com cerca de 740 metros de comprimento, 450 metros de largura e perto de 220 metros de profundidade.
O que era um passivo difícil de ignorar também entrou no radar de empresas de energia e do poder público. A proposta em avaliação prevê transformar a cava em um reservatório inferior de um sistema de armazenamento por bombeamento, combinado com um parque solar, criando um polo de energia limpa no antigo complexo minerário.
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A história, porém, não é só sobre futuro. É também sobre o impacto que a mineração teve no território e sobre como uma paisagem extrema pode dividir opiniões entre quem vê potencial turístico e quem teme riscos e invasões.
O lago artificial que nasceu de uma cava de magnetita em Marmora
A origem do buraco começa com a geologia local. De acordo com o site de turismo Marmora and Lake, uma intrusão de rocha ígnea e a reação química com mármores da região formaram um grande depósito de magnetita, um minério de ferro que ficou escondido sob centenas de pés de calcário.
A descoberta e a abertura da mina mudaram o relevo de forma irreversível. O mesmo material do turismo local relata que, depois da compra das terras pela empresa Bethlehem Steel e da retirada de mais de 120 pés de calcário, a área foi minerada por mais de 20 anos, deixando uma cava com mais de meia milha de extensão e cerca de 700 pés de profundidade.
Com o fim do bombeamento constante de água subterrânea e o abandono gradual das operações, a cava começou a se encher de água ao longo do tempo. O resultado é o lago que hoje se destaca pela cor e pelo contraste com as paredes de rocha e pilhas de estéril ao redor.
Como a mineração de ferro marcou a cidade e terminou antes das regras modernas de recuperação
A Marmora Historical Foundation registra que o corpo de magnetita foi identificado em 1948 em um levantamento aeromagnético do governo, e que o processo de remoção do material de cobertura começou em 1953.
Nos relatos históricos locais, a mina ganhou relevância econômica e empregou trabalhadores por décadas, com produção que chegou a centenas de milhares de toneladas por ano em seu auge. O texto da fundação também descreve como limites legais e o custo de aprofundar a cava pesaram nas decisões quando o mercado de aço desacelerou no fim dos anos 1970.
Já o documento de descrição do projeto apresentado ao governo do Canadá afirma que a Marmoraton Mine encerrou a produção e fechou em 1978, antes das exigências legislativas modernas de reabilitação ambiental, o que ajuda a explicar por que a área permaneceu por décadas com pouca mudança estrutural no terreno.
Turismo de mirante e o debate sobre segurança em uma paisagem extrema
A imagem do lago turquesa se espalhou e virou parada comum para fotos, mas o acesso direto é um ponto sensível. O site oficial de turismo de Marmora and Lake afirma que não é permitido nadar ou acessar a área da cava por questões de segurança, embora exista um ponto de observação para o público.
Esse contraste costuma gerar frustração em parte dos visitantes, que enxergam um potencial recreativo óbvio, mas também reforça um alerta prático. A cava tem paredes altas, terreno instável em alguns trechos e uma profundidade fora do comum para um lago formado em mineração, o que aumenta o risco de acidentes e operações de resgate complexas.
Para tentar organizar o interesse sem estimular invasões, a própria estratégia turística local dá preferência a roteiros guiados ou autoguiados no entorno, como o Miner’s Loop, que conecta pontos de interesse geológico e histórico na região de Marmora.
Reaproveitamento com energia e a proposta de transformar a cava em armazenamento hidrelétrico
A mudança mais concreta em discussão é o Marmora Clean Energy Hub Project. No documento protocolado na agência federal canadense responsável por avaliação de impacto, o plano prevê uma usina de armazenamento por bombeamento em circuito fechado de cerca de 400 megawatts, usando a cava como reservatório inferior e construindo um reservatório superior nas pilhas de rocha da área, além de aproximadamente 30 megawatts de geração solar em solo.
A lógica é operar como uma grande bateria. Em períodos de menor demanda, o sistema usaria energia da rede para bombear água para o reservatório superior, e em períodos de maior demanda devolveria essa energia ao sistema ao deixar a água descer e acionar turbinas.
O documento também aponta que a cava é isolada de outros corpos d’água de superfície e que medições recentes indicaram qualidade de água em geral compatível com objetivos provinciais, com variações que podem refletir condições naturais regionais.
O cronograma citado no mesmo material fala em meta de entrada em operação em 2029, num contexto em que Ontario busca mais flexibilidade para integrar renováveis e atender crescimento de demanda.
Se sair do papel, o projeto pode dar à Marmora Mine um novo papel econômico, mas também tende a reabrir uma discussão local sobre o que a comunidade quer para a área. Para você, o lago deveria continuar apenas como mirante seguro, ou faz sentido pressionar por mais acesso e lazer mesmo com os riscos e com um megaprojeto de energia no horizonte? Deixe sua opinião nos comentários.


Interesting article. There is another hole in the ground in Ontario that was created under the same circumstances. It was also an open pit iron ore mine that closed in the mid 1980’s. The Griffith mine about 60 km south of Red Lake left a similar hole in the ground. I still visit the area every 5 years or so and everytime I do I would visit the old mine site and the pit there is also now full and also a beautiful turquoise colour. As somebody who loves to fish I have always wondered if the old pit would make a great place to stock some lake trout. Seems like such a waste of a beautiful body of water to do nothing but there is no shortage of lakes in that section of Ontario as lakes outnumber the residents. Anyways thanks for rek8ndling some memories of my childhood.
Excelente artigo. Esse é o aproveitamento para as cavas exauridas tomadas por água, produção de energia hidráulica a partir da solar, inclusive abastecimento d’água para cidades, mas esse não é caso, por causa de metais contaminantes.
Interesting, I know if similar open pit operations in Northern Ontario. The old Adams mine was an iron ore mine that was allowed to fill with water and is now used to farm trout. Adding a massive hydro electric storage facility could enhance the fish farming project creating electricity and adding vital oxygen to the water at the same time.
Excelente idéia de captar água com energia solar e transformar em hídrica, aqui no Brasil poderiam usar a idéia e fazer o mesmo.