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Com cerca de 600 toneladas, igreja histórica atravessou 5 km sobre plataformas gigantes para escapar do solo que cede perto de mina e está forçando uma cidade a se reorganizar

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 27/06/2026 às 21:21 Atualizado em 27/06/2026 às 21:23
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A igreja de madeira de Kiruna percorreu 5 km para fugir da subsidência
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A igreja de madeira de Kiruna percorreu 5 km para fugir da subsidência, situação em que o terreno perde firmeza perto da mina de ferro. A operação preservou uma construção histórica, mas revelou o custo humano da mineração subterrânea, que exige a mudança de casas, prédios e rotinas de milhares de pessoas na cidade sueca.

Em 2025, uma igreja de madeira com cerca de 600 toneladas saiu de sua fundação e atravessou 5 km pelas ruas de Kiruna, no norte da Suécia. A construção foi colocada sobre uma grande estrutura de transporte para escapar da área onde o solo passou a perder estabilidade.

A informação foi publicada por Reuters, agência internacional de notícias com cobertura mundial. A igreja não foi levada para outro ponto por escolha estética ou turismo, mas porque a expansão da mineração subterrânea de ferro colocou parte da cidade em uma área de risco.

A viagem preservou uma construção importante para Kiruna. Ao mesmo tempo, ela expôs uma realidade difícil para quem vive na cidade: a mina avança, o terreno muda e bairros inteiros precisam ser reorganizados.

Igreja histórica de madeira saiu do lugar onde permaneceu por mais de um século

A igreja de Kiruna permaneceu no mesmo ponto por mais de um século. Em 2025, trabalhadores elevaram a estrutura acima da base e a colocaram sobre um reboque preparado para levar um prédio inteiro.

A operação exigiu cuidado porque a construção é feita de madeira e tem cerca de 600 toneladas. Não bastava retirar paredes, janelas e telhado para montar tudo depois. A decisão foi transportar a igreja completa.

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Levar o prédio inteiro ajudou a manter a aparência e a estrutura do local. Mesmo assim, a mudança tirou a igreja do espaço onde ela fez parte da vida da cidade por muitas gerações.

Mina de ferro faz o solo ceder e obriga Kiruna a mudar parte da cidade

O problema que atinge Kiruna recebe o nome de subsidência. Em linguagem simples, isso acontece quando o terreno perde firmeza e pode ceder por causa das atividades realizadas abaixo da superfície.

A expansão da mina subterrânea de ferro tornou necessário afastar moradores, prédios e serviços de áreas onde o solo pode ficar instável. O risco não está apenas dentro da mina, pois ele alcança ruas e construções da cidade.

Alguns edifícios públicos e comerciais precisam ser desmontados. Outros podem ser retirados inteiros, como ocorreu com a igreja. A mudança urbana envolve a proteção das pessoas, a preservação de prédios importantes e a continuidade da atividade mineradora.

Estrada foi alargada e viagem da igreja levou dois dias

A igreja percorreu uma rota preparada para suportar o peso da estrutura. A estrada precisou ser alargada para permitir a passagem segura do prédio até a nova área de Kiruna.

Reuters, agência internacional de notícias com cobertura mundial, detalhou que a viagem levou dois dias. A igreja avançou devagar sobre um reboque especial, em um trajeto de 5 km até o novo centro urbano.

Mover uma igreja não funciona como transportar uma casa comum. A estrutura precisa permanecer equilibrada durante todo o caminho para evitar danos à madeira, ao telhado e às partes internas.

Estrada foi alargada e viagem da igreja levou dois dias
Estrada foi alargada e viagem da igreja levou dois dias

A operação chamou atenção pelo tamanho do prédio e pelo cuidado exigido. Porém, o deslocamento é apenas uma parte de uma transformação maior que atinge a cidade inteira.

Cerca de 3.000 casas e 6.000 pessoas fazem parte da mudança em Kiruna

Em agosto de 2025, o projeto de mudança urbana envolvia cerca de 3.000 casas e aproximadamente 6.000 pessoas. Famílias precisam deixar áreas próximas à mina e seguir para novos locais dentro da cidade.

A transferência não acontece toda de uma vez. Casas, lojas, prédios públicos e serviços passam por mudanças em etapas, porque uma cidade não se resume a edifícios. Ela também precisa manter caminhos, trabalho, comércio e acesso aos serviços básicos.

O novo centro de Kiruna recebeu centenas de moradias, lojas e uma nova prefeitura. Enquanto isso, a parte antiga da cidade perde estruturas que ficaram no mesmo lugar por décadas.

Para muitos moradores, a mudança significa trocar de endereço e se afastar de ruas, vizinhos e espaços conhecidos. A igreja levada por 5 km virou uma imagem visível dessa separação entre a cidade antiga e a nova.

Comunidade sámi teme impactos sobre a criação de renas

A mineração também afeta a comunidade sámi, povo indígena da região que mantém a criação de renas como parte de sua vida e de sua cultura. Áreas usadas pelos animais entram no centro das preocupações.

Lars Marcus Kuhmunen, presidente da comunidade sámi Gabna, alertou que a região reúne áreas de pastagem e locais onde nascem filhotes de renas. A expansão da mineração pode reduzir os caminhos usados pelos animais em diferentes épocas do ano.

Há ainda um plano para uma nova mina perto da operação atual. A preocupação é que novas áreas de extração possam dificultar a passagem das renas entre áreas de verão e de inverno.

A mudança da igreja preserva um patrimônio urbano, mas não resolve os impactos enfrentados por comunidades que dependem do território para trabalhar e manter práticas tradicionais.

Igreja transportada revela o peso da mineração sobre uma cidade inteira

A história da igreja de Kiruna mostra que a mineração pode afetar muito mais do que a área onde o minério é retirado. Quando o terreno perde estabilidade, a cidade precisa lidar com moradia, patrimônio, comércio, ruas e serviços públicos.

Levar uma igreja inteira por 5 km preserva uma construção histórica. Ainda assim, não elimina a necessidade de mudar pessoas e alterar a rotina de bairros inteiros.

O desafio de Kiruna envolve encontrar espaço para a mineração e, ao mesmo tempo, proteger quem vive na cidade. A operação deixou claro que uma mudança urbana desse tamanho exige planejamento, obras e atenção aos impactos sociais.

A igreja de madeira continua de pé, mas em outro ponto de Kiruna. O prédio foi salvo do solo instável, enquanto a cidade segue reorganizando casas, ruas e serviços perto da mina de ferro.

A imagem de uma igreja de 600 toneladas atravessando a cidade impressiona, mas também revela uma decisão que vai muito além da engenharia. O deslocamento representa a tentativa de preservar parte da história local em meio a uma transformação que afeta milhares de moradores.

Como uma cidade deve proteger moradores e sua história quando a mineração exige novas áreas? Comente e compartilhe esta reportagem.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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