As áreas úmidas de Kolkata recebem água residual urbana por canais que chegam a lagoas de peixes e hortas. O modelo junta tratamento de esgoto, produção de alimentos e renda para trabalhadores, mas precisa de controle da qualidade da água, proteção contra aterros e atenção permanente à saúde pública.
Em Kolkata, na Índia, água residual urbana percorre canais até lagoas de peixes e áreas agrícolas. O caminho criou um sistema de reciclagem que une tratamento de esgoto, produção de alimentos e trabalho para famílias que vivem das áreas úmidas.
A água residual é a água que já saiu de casas e serviços urbanos após o uso. Ela não pode ser jogada em plantações ou lagoas sem cuidados. Em Kolkata, a circulação pelos canais e o tempo nas lagoas fazem parte de um processo que exige cuidado sanitário.
As informações foram divulgadas em boletim de novembro de 2010 pela East Kolkata Wetlands Management Authority, autoridade pública de gestão e conservação das áreas úmidas. O documento registra um retrato daquele período e mostra por que a proteção do local é importante para a cidade e para quem trabalha ali.
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Canais levam água residual e mantêm o tratamento de esgoto nas lagoas
Os canais funcionam como a espinha dorsal das áreas úmidas de Kolkata. Eles levam a água residual urbana até as lagoas usadas na criação de peixes e até zonas onde há cultivo de hortaliças.

Estações de bombeamento também participam do trajeto. Elas ajudam a transferir o esgoto da cidade para as áreas úmidas, onde a água passa a integrar um ciclo ligado à piscicultura e à agricultura.
Sem a circulação da água residual pelos canais, as lagoas não recebem o fluxo necessário para manter esse modelo. Por isso, o estado dos canais interfere no tratamento de esgoto, na produção e no trabalho de pescadores e agricultores.
Tempo nas lagoas ajuda a melhorar a água para a criação de peixes
A água não segue direto para os peixes assim que sai dos canais. O uso do esgoto nas lagoas foi organizado com base no tempo necessário para melhorar a qualidade da água antes da criação de peixes.
Esse período dentro das lagoas é chamado de tempo de permanência. Em palavras simples, a água precisa ficar ali por um intervalo antes de ser usada na piscicultura. O objetivo é criar condições mais adequadas para os peixes.
Mesmo com esse cuidado, o uso de efluentes urbanos exige atenção. A qualidade da água precisa ser acompanhada, pois alimentos e saúde pública estão ligados ao funcionamento das lagoas. O modelo de Kolkata não serve como autorização para despejar esgoto sem controle em rios, hortas ou criadouros.
Lagoas e hortas sustentavam 20,000 famílias no retrato de novembro de 2010
A East Kolkata Wetlands Management Authority, autoridade pública de gestão e conservação das áreas úmidas, registrou uma área de 12,500 hectares e o sustento de cerca de 20,000 famílias por meio de produtos como peixes e hortaliças.
O boletim de novembro de 2010 também registrou 264 lagoas de piscicultura em funcionamento. A produção passava de 15,000 toneladas de peixe por ano, enquanto a horticultura chegava a quase 150 toneladas de hortaliças por dia.

Esses números descrevem a situação apresentada no boletim de novembro de 2010. Eles ajudam a medir o peso econômico das áreas úmidas, mas não devem ser tratados como dados atuais de produção ou de famílias atendidas.
Aterros e expansão urbana podem reduzir o espaço que mantém o sistema
As áreas úmidas de Kolkata enfrentam pressão por mudanças no uso do solo. Isso significa que lagoas, áreas agrícolas e espaços alagados podem perder lugar para obras e ocupações urbanas.
O boletim descreve que a cidade já passou por propostas de expansão sobre as áreas úmidas. A legislação criada em 2006 proibiu novas reduções da área e mudanças no uso do solo dentro do local protegido.
Quando uma lagoa é aterrada, a cidade perde parte de uma estrutura que recebe água, produz alimentos e sustenta trabalhadores. A perda também dificulta a continuidade da reciclagem de água que depende da ligação entre canais, lagoas e áreas agrícolas.
O que o Brasil pode aprender com as áreas úmidas de Kolkata
O caso de Kolkata ajuda a entender a diferença entre uma área úmida natural e uma área alagada construída. A área alagada construída é planejada para ajudar no tratamento de água usada. Já Kolkata reúne uma área úmida existente, uma rede de canais e formas tradicionais de produção.

No Brasil, soluções de tratamento natural de efluentes e de reúso agrícola precisam ser planejadas para cada local. O uso de água tratada na agricultura depende de regras, acompanhamento da qualidade da água e proteção de quem produz e de quem consome os alimentos.
A principal lição não é copiar Kolkata. É reconhecer que saneamento, produção de alimentos e preservação ambiental podem funcionar juntos quando há controle, espaço protegido e responsabilidade com a saúde pública.
As lagoas de Kolkata mostram que a água usada por uma cidade pode entrar em um ciclo de tratamento e produção, em vez de seguir sem cuidado para rios e canais. Esse resultado depende de infraestrutura, trabalho local e proteção da área úmida.
O sistema também deixa um alerta claro: reciclar água não elimina riscos. Canais, lagoas e hortas precisam de controle da qualidade da água para que a produção de alimentos não coloque trabalhadores e consumidores em perigo.
Na sua opinião, uma cidade brasileira conseguiria aproveitar água usada sem perder de vista a saúde pública e a proteção de quem produz alimentos? Compartilhe esta publicação e deixe seu ponto de vista.
