Estrutura de 700 metros financiada com recursos públicos redefine a orla da Praia Grande, em Salvaterra, ao tentar conter a erosão, proteger a borda urbana e impulsionar o turismo no arquipélago do Marajó.
Um muro de contenção de 700 metros mudou a paisagem da orla da Praia Grande, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó, e passou a concentrar a estratégia do município para frear a erosão e proteger a borda urbana no principal cartão-postal local.
Orçado em cerca de R$ 8 milhões, o projeto foi apresentado como uma obra bancada por recursos públicos, com dinheiro viabilizado em nível federal e execução atribuída à prefeitura, em uma articulação divulgada pelo governo do Pará durante a entrega do empreendimento.
Contenção da erosão na Praia Grande e impacto urbano
Ao longo da faixa de areia mais frequentada, a estrutura foi descrita pelo poder público como “muro de arrumo”, um tipo de contenção pensado para estabilizar o terreno e reduzir o recuo provocado pela movimentação de solo e sedimentos em áreas sob pressão constante.
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Por outro lado, o contexto geográfico do Marajó impõe desafios específicos, porque a região convive com a influência de marés e correntes, além da interação entre dinâmicas fluviais e marítimas que alteram rapidamente o perfil da praia e da margem.
Segundo a descrição oficial, o muro foi planejado para “equilibrar a pressão do terreno” e “isolar a Praia Grande” do fenômeno erosivo, funcionando como uma barreira física para impedir que o desgaste alcance calçadas, acessos e áreas de uso cotidiano.
Além do concreto, o projeto incluiu grades de proteção, escadas e rampas, com a justificativa de aumentar a segurança de pedestres e reorganizar a circulação entre a área urbanizada e a faixa de areia, em um trecho de intensa movimentação turística.
Financiamento público e articulação política da obra
A inauguração ocorreu em 22 de dezembro de 2020 e a obra recebeu o nome do ex-prefeito Reynaldo de Lima Novaes de Oliveira, em cerimônia que reuniu o governador Helder Barbalho e o então prefeito Valentim Oliveira, segundo a Agência Pará.
No mesmo comunicado, o governo estadual informou que os recursos próximos de R$ 8 milhões foram garantidos quando Helder Barbalho estava à frente do Ministério da Integração Nacional, vinculando a origem do dinheiro a uma articulação anterior à execução local.

Durante o evento, o governador declarou que celebrava a entrega “não como mais ministro, mas como governador”, e associou a obra à valorização das riquezas naturais e ao impulso ao turismo como uma das principais vocações econômicas do Marajó.
Enquanto isso, Valentim Oliveira afirmou que o município tem “um potencial turístico muito grande” e disse que, com o muro, a atividade “vai crescer muito mais”, ao relacionar a intervenção à possibilidade de ampliar renda e circulação na orla.
Turismo, comércio local e reorganização da orla
O efeito imediato anunciado pelo poder público foi a criação de previsibilidade para o uso da praia, porque a erosão, quando avança, reduz a faixa de areia, ameaça estruturas próximas e altera a sensação de segurança em áreas onde moradores e visitantes circulam.
No entorno, restaurantes, vendedores e trabalhadores de serviços aparecem como parte direta do ecossistema beneficiado, já que a orla é um ponto de concentração de consumo e emprego informal, especialmente em períodos de maior procura turística.
A Agência Pará registrou a fala do comerciante Paulo Duarte, de 52 anos, que disse que a orla “tinha entrado em degradação” e avaliou que a parceria política por trás da obra traria melhora para turismo e comércio.
Já o vendedor Paulo Ernesto Silva, de 55 anos, afirmou lembrar que “a praia estava ficando feia” por causa da erosão e relacionou o muro à expectativa de melhorar a renda de quem depende do movimento de pessoas para vender na Praia Grande.

Manutenção do muro e novas intervenções na orla
A contenção também foi divulgada como base para uma requalificação mais ampla, porque o então prefeito informou ter solicitado ao governo do Pará a urbanização do entorno, com previsão de pavimentação, gramado, iluminação, quiosques e banheiros.
Esse tipo de ampliação altera o peso econômico da obra, já que o muro deixa de ser apenas resposta emergencial e passa a sustentar uma orla estruturada, com equipamentos permanentes que aumentam o uso e, ao mesmo tempo, elevam a necessidade de conservação.
A exigência de manutenção apareceu de forma explícita em 28 de abril de 2025, quando a Prefeitura de Salvaterra informou ter feito recuperação em partes da lâmina do muro e citou “sérios riscos de desabamento” em pontos que estariam sem cuidados.
Mais recentemente, em dezembro de 2025, uma publicação municipal sobre “revitalização da orla” voltou a enfatizar parceria entre prefeitura, parlamentares e governo do Estado, indicando que a Praia Grande segue no centro de uma agenda de obras e preservação.
Se a contenção virou peça-chave para proteger a borda urbana e organizar a economia do turismo em Salvaterra, como o poder público vai equilibrar novas intervenções, manutenção permanente e acesso à praia quando outras cidades amazônicas e litorâneas enfrentarem erosão no mesmo ritmo?

Mais uma obra de contenção do aumento do nível do mar na qual os políticos e engenheiros, tenho certeza, não ouviram os conselhos dos oceanógrafos! Tais muros de contenção funcionam temporariamente mas, logo logo, o processo de erosão aumentará e, como já foi comprovado em inúmeros projetos similares mundo afora, os mesmos desabarão. Tais muros não absorvem a força do impacto das ondas, mas sim as refletem causando portanto o aumento erosivo na base dos mesmos e, com isso, uma perda muito maior da areia da praia ao longo da base dos muros.
Não adianta lutarmos com a natureza mas sim desenvolvermos estratégias, “soluções baseadas na natureza”!
As pessoas q estão invadindo o mar ao invés de gastar tanto dinheiro com isso deveriam construir casas para as pessoas pobres