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Com 26 anos, jovem pecuarista arrenda terra, transforma 10 vacas dadas pelo pai em rebanho de genética com 38 animais, tira 900 litros de leite por dia e sonha alimentar o Brasil

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/12/2025 às 11:35
Assista o vídeoJovem pecuarista de Paiva MG aposta na pecuária leiteira intensiva, aumenta o rebanho de vacas de alta genética, produz muito leite por dia e consolida um projeto de longo prazo.
Jovem pecuarista de Paiva MG aposta na pecuária leiteira intensiva, aumenta o rebanho de vacas de alta genética, produz muito leite por dia e consolida um projeto de longo prazo.
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Aos 26 anos, o jovem pecuarista Luiz Adriano arrenda terra em Paiva MG, transforma 10 vacas dadas pelo pai em rebanho de genética com 38 animais, produz cerca de 900 litros diários de leite e estrutura, em um ano, um projeto profissional de longo prazo na pecuária leiteira mineira moderna

Aos 26 anos, o jovem pecuarista Luiz Adriano decidiu assumir o próprio caminho na pecuária leiteira: há cerca de um ano, ele arrendou uma área rural em Paiva, na Zona da Mata de Minas Gerais, e começou a ordenhar 10 vacas paridas que recebeu do pai. Hoje, a mesma estrutura abriga um rebanho de 38 vacas em produção, responsável por uma média entre 880 e 900 litros de leite por dia.

Nesse intervalo de aproximadamente 12 meses, o produtor saiu da condição de ajudante nas atividades do pai, focadas em compra e venda de gado, para gerir o próprio negócio, com funcionário fixo, rotina diária de ordenha e sistema de alimentação intensivo no cocho. O objetivo declarado do jovem pecuarista é simples e ambicioso ao mesmo tempo: viver do leite e, a partir de suas vacas de alta produção, “alimentar o Brasil”.

Dos 10 animais iniciais ao rebanho de 38 vacas em produção

Jovem pecuarista de Paiva MG aposta na pecuária leiteira intensiva, aumenta o rebanho de vacas de alta genética, produz muito leite por dia e consolida um projeto de longo prazo.

O ponto de partida do jovem pecuarista foi um arranjo familiar clássico no interior.

O pai, Adriano, comerciante de gado, investiu em 15 vacas, das quais 10 já estavam paridas e cinco ainda eram novilhas em desenvolvimento.

Com esse núcleo inicial, Luiz Adriano montou o primeiro lote de animais em lactação e começou a formar seu próprio plantel.

Em cerca de um ano de trabalho, o número de vacas em produção chegou a 38, com média individual de 23 a 24 quilos de leite por dia por vaca, patamar considerado alto para um sistema simplificado e ainda em consolidação.

A base do rebanho é formada por animais meio sangue, com presença também de vacas três quartos e cinco oitavos, muitas delas oriundas de embriões, o que ele chama de “gado de genética”.

O rebanho inclui exemplares que se destacam acima da média.

Uma vaca três quartos, comprada como animal comum em lote de comércio, passou a ser a que mais produz no curral, com cerca de 50 quilos de leite por dia, segundo o próprio produtor.

Outras vacas meio sangue, classificadas por ele como “rainhas do curral”, participam de torneios leiteiros municipais e já chegaram a segundo lugar em exposições da região.

Sistema confinado, dieta no cocho e rotina de ordenha

O sistema produtivo adotado pelo jovem pecuarista é predominantemente confinado.

As vacas têm acesso a pasto, mas a base da alimentação está no cocho, com volumoso e concentrado distribuídos duas vezes ao dia, sempre após as ordenhas.

A estratégia é manter o cocho sempre sobrando comida, para que o gado esteja saciado e não perca condição corporal.

No volumoso, Luiz Adriano utiliza silagem, complementada com polpa cítrica.

No concentrado, ele mesmo formula a mistura com soja, milho, caroço de algodão e núcleo específico para vacas leiteiras.

As vacas são divididas em três lotes de produção dentro da ordenha: o primeiro lote, de maior desempenho, recebe cerca de 10 quilos de ração por dia; o segundo, 8 quilos; e o terceiro, 6 quilos.

A ordenha ocorre duas vezes ao dia, em estrutura simples, mas funcional.

Enquanto o funcionário opera as máquinas, as vacas consomem a ração individualmente, o que facilita o controle da dieta.

O jovem pecuarista realiza pesagens semanais de produção para cada animal, ajustando a oferta de concentrado conforme o desempenho.

O resultado é um volume diário de 880 a 900 litros de leite, considerando o atual número de vacas em lactação.

Terra arrendada, apoio da família e gestão de risco

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A propriedade onde o jovem pecuarista trabalha é totalmente arrendada.

São cerca de 88 a 90 hectares, com área suficiente para plantio de volumoso, piquetes de pastagem, bezerreiro e piquetes para vacas secas.

A fazenda fica a aproximadamente 4 quilômetros da área urbana de Paiva, o que permite que Luiz more na cidade e se desloque duas vezes por dia para conduzir a rotina do leite.

O pai segue atuando no comércio de gado e auxilia na seleção de animais, o que permite ao filho “tirar a cabeceira” de lotes comprados para revenda.

Foi assim que surgiram algumas das vacas de melhor produção do plantel atual. Além da família, o produtor conta com um funcionário fixo, Fred, que o ajuda na ordenha e no trato diário.

Na parte técnica, o apoio vem de forma pontual. Um veterinário realiza exames de ultrassom, enquanto a prefeitura do município disponibiliza inseminador e sêmen para parte das vacas.

Ainda assim, a formulação de dieta, o manejo diário e as decisões de investimento ficam nas mãos do próprio jovem pecuarista, que admite não ter consultoria formal estruturada e aprender “na prática”, ajustando o sistema conforme a resposta do rebanho.

Vacas secas, reprodução e estratégia de genética no rebanho

As vacas secas são manejadas em pastagem própria, às margens de um curso d’água que corta a propriedade.

Quando a gestação atinge aproximadamente sete meses, elas são secadas com protocolo padrão de vaca seca, incluindo aplicação de produto intramamário e selante, e seguem para esse piquete de descanso.

Cerca de 20 a 30 dias antes do parto, as vacas retornam à área central da fazenda e passam a receber silagem e ração específicas de pré-parto, em preparação para a nova lactação.

A lógica é preservar saúde, reduzir risco de problemas metabólicos e garantir boa entrada de produção na próxima fase.

Na reprodução, Luiz Adriano utiliza principalmente sêmen de raças leiteiras de alta produção, com foco em holandês, ajustando o cruzamento conforme o grau de sangue de cada matriz.

Parte das crias é destinada à venda, especialmente quando há influência de raças de corte ou cruzamento industrial.

Por ora, o jovem pecuarista não mantém sistema estruturado de recria de todas as bezerras, priorizando fluxo de caixa e ganho com genética selecionada para o próprio rebanho leiteiro.

Preço do leite, custos e planos para crescer com o pé no chão

Do lado da receita, o último pagamento informado pelo produtor ficou na casa de 2,74 reais por litro de leite, valor que já veio acompanhado de sinalização de queda por parte do laticínio.

Em cenário de custos elevados com ração, silagem, concentrados e mão de obra, essa oscilação de preço pressiona o caixa de um negócio ainda em fase inicial.

Ao mesmo tempo, o sistema intensivo em cocho e a aposta em genética de maior desempenho permitem diluir parte dos custos fixos por litro produzido.

A meta do jovem pecuarista é continuar aumentando a escala, com mais vacas em lactação e melhoria gradual da estrutura, sem perder controle sobre endividamento.

Ele cita o desejo de ampliar o uso de animais meio sangue de alto potencial e, no futuro, avançar em parcerias de embriões, à medida que o fluxo financeiro permitir.

A vida pessoal também entrou no planejamento de longo prazo.

Casado e pai de uma menina de pouco mais de um mês, Luiz diz que todo o investimento na pecuária leiteira é pensado “para quem vai ficar com isso um dia”.

A ideia é que o projeto iniciado com 10 vacas dadas pelo pai se torne, no futuro, um patrimônio produtivo capaz de sustentar a família e seguir alimentando o Brasil com leite de qualidade.

Você acha que histórias como a desse jovem pecuarista, começando em terra arrendada e com poucos animais, podem se tornar o novo padrão de renovação da pecuária leiteira no Brasil?

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Maria Célia dos Santos
Maria Célia dos Santos
20/12/2025 09:26

Sim, claro acho a ideia maravilhosa!

Geraldo Fernandes
Geraldo Fernandes
15/12/2025 14:45

De repente se ele transforma este leite em.queijo doces. Agregaria mas valores o produto. Tipo 900×2.20 passaria de 2000 para 5000

Toinho
Toinho
14/12/2025 19:47

Perfeito , grande pecuarista

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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