De arranha-céus luxuosos nunca habitados a túneis atrasados e pontes, os erros de construção mais caros do mundo envolvendo Millennium Tower, Hotel Harmon, Túnel de Hallandsås e ponte da Baía de São Francisco-Oakland revelam falhas de projeto, fiscalização insuficiente e planejamento desastroso em grandes obras públicas ao redor do planeta.
O que parecia sinônimo de progresso virou sinônimo de desperdício. Em diferentes países e contextos, os erros de construção mais caros do mundo mostram como decisões equivocadas em solo, fundação, licenciamento, gestão de riscos e governança podem comprometer décadas de investimentos e atingir diretamente a confiança da população em grandes projetos.
Ao analisar implosões de arranha-céus recém-construídos, túneis que levaram mais de vinte anos para serem concluídos, pontes refeitas a preços multiplicados e hotéis desmontados antes de inaugurar, fica claro que erros de construção mais caros do mundo não são acidentes isolados, mas o resultado de uma cadeia de falhas técnicas, regulatórias e empresariais que se repetem em diferentes escalas.
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Eram 19 edifícios altos distribuídos em quatro grandes terrenos, pensados para criar um novo eixo urbano.
A mudança de controle do projeto, apenas um ano após o início das obras, foi o primeiro sinal de alerta.
A construção avançou de forma desigual, quatro torres chegaram a ser concluídas, mas outras 15 ficaram no esqueleto.
Com as obras interrompidas em 2013 por problemas financeiros, porões alagados por água da chuva começaram a comprometer as fundações, tornando as estruturas inviáveis.
Quando um novo grupo imobiliário comprou o ativo, já em 2020, o diagnóstico foi duro: aquelas torres de oito anos não atendiam mais às necessidades do mercado nem às condições técnicas esperadas.
A solução foi extrema e cara.
Mais de quatro toneladas de explosivos foram posicionadas para derrubar, em 45 segundos, 15 arranha-céus nunca utilizados, num episódio que entrou para a história como a maior demolição simultânea já realizada na China e um dos símbolos dos erros de construção mais caros do mundo.
A torre de luxo que afunda e racha: o caso Millennium Tower, em São Francisco

A Millennium Tower foi lançada em 2009 como ícone residencial de alto padrão em São Francisco, com quase 200 metros de altura e unidades vendidas por valores que chegavam a dezenas de milhões de dólares.
No papel, o empreendimento parecia impecável. Na prática, tornou-se um dos erros de construção mais caros do mundo.
Poucos anos após a inauguração, moradores descobriram que a torre estava afundando e inclinando.
A fundação havia sido apoiada em camadas profundas de areia, e não diretamente na rocha matriz, insuficiente para suportar o peso do arranha-céu.
Em cerca de sete anos, a torre afundou dezenas de centímetros e passou a apresentar inclinação perceptível no topo, com relatos de rangidos, estalos e até quebra de janela em andares elevados.
Uma cadeia de processos judiciais se formou: prefeitura, associação de moradores, empreendedores e responsáveis por obras vizinhas trocaram acusações.
A solução técnica definida foi a instalação de dezenas de novas estacas, alcançando dezenas de metros de profundidade até o leito rochoso, em um reforço que custaria cerca de US$ 100 milhões.
Mesmo assim, as intervenções chegaram a ser suspensas novamente após novas medições indicarem afundamento adicional e aumento da inclinação, ampliando o custo reputacional e financeiro do caso.
Energia nuclear, atrasos e orçamento multiplicado: Olkiluoto 3, na Finlândia

Na Finlândia, o terceiro reator da usina de Olkiluoto nasceu com objetivo claro: ampliar significativamente a participação da energia nuclear, reduzir o uso de carvão e atender à demanda elétrica com uma tecnologia mais moderna e eficiente.
O projeto foi iniciado em 2005 e deveria entrar em operação em 2010.
Na prática, a obra se tornou um exemplo clássico entre os erros de construção mais caros do mundo.
Fundação de concreto refeita por problemas de execução, peças metálicas mal forjadas, soldadores sem treinamento adequado e documentação lenta e complexa empurraram o cronograma por mais de uma década.
Os prédios principais até foram concluídos, mas a instalação, certificação e integração dos componentes nucleares consumiram anos adicionais.
O resultado foi um desvio gigantesco: um orçamento que partia da casa de poucos bilhões de dólares passou a ser estimado em algo próximo de quatro vezes esse valor, somando atrasos, retrabalho, disputas comerciais e a necessidade de atender a normas rigorosas de segurança nuclear.
Um reator projetado para ser vitrine tecnológica acabou listado entre os erros de construção mais caros do mundo.
Túnel ferroviário, rocha frágil e selante tóxico: Hallandsås, na Suécia

O túnel de Hallandsås, na Suécia, foi concebido para resolver um gargalo ferroviário crítico na West Coast Line, entre Gotemburgo e Copenhague.
A ideia era simples: substituir um trecho de via única sobre uma crista rochosa por dois túneis modernos, aumentando capacidade, segurança e frequência de trens.
Só que o terreno não colaborou.
Logo no início, água subterrânea começou a invadir a frente de escavação em volumes muito superiores ao previsto, revelando uma rocha mais macia e frágil do que o esperado.
Uma perfuratriz chegou a quebrar, perfurações tradicionais agravaram vazamentos e a primeira empreiteira faliu.
A nova construtora, na tentativa de selar infiltrações, utilizou um composto tóxico sem as devidas precauções, o que provocou morte de gado, mortandade de peixes e adoecimento de trabalhadores.
O projeto foi interrompido em 1997, com pouco mais de um terço do túnel escavado.
Só oito anos depois as obras foram retomadas, com novas máquinas, novas práticas e um aprendizado caro de engenharia ambiental.
Quando finalmente concluído, em 2015, o túnel acumulava 23 anos de trajetória e um custo final cerca de dez vezes superior à previsão original, consolidando seu lugar entre os erros de construção mais caros do mundo.
A ponte da Baía de São Francisco e o vão leste que virou ralo de dinheiro

Após o terremoto de Loma Prieta, em 1989, que danificou a ponte da Baía de São Francisco-Oakland, estava claro que o sistema viário precisava ser reforçado.
Em vez de apenas reforçar a estrutura existente, as autoridades decidiram substituir o vão leste por uma nova ponte autoportante, com desenho mais arrojado e promessa de maior segurança sísmica.
Mas a complexidade do projeto trouxe uma sequência de falhas.
Barras de estabilidade quebradas, guarda-corpos sujeitos à corrosão, trechos de tabuleiro desalinhados e soldagens questionadas exigiram refabricação, correções extensas e investigações detalhadas de qualidade.
A obra se arrastou por 11 anos e se tornou o projeto de infraestrutura mais caro da Califórnia até então.
O que começou com orçamento pouco acima de US$ 1 bilhão passou a ser estimado em mais de US$ 7 bilhões, sem contar todos os custos indiretos de manutenção, fiscalização e revisão.
Um dos maiores símbolos de mobilidade da região entrou definitivamente na lista dos erros de construção mais caros do mundo, mostrando como decisões de projeto e controle de qualidade têm impacto direto no caixa público.
Um hotel de luxo que nunca abriu as portas: o caso Harmon, em Las Vegas

No megaempreendimento CityCenter, em Las Vegas, o Hotel Harmon foi planejado como peça central de uma “cidade” de alto padrão na Strip, unindo hotelaria e residências em uma torre de mais de 130 metros, com piscina na cobertura e integração total ao complexo de compras e entretenimento.
As obras começaram em 2007 com um orçamento estimado em centenas de milhões de dólares.
Contudo, vistorias identificaram falhas graves na armação de aço que deveria estabilizar os 49 andares, levando à interrupção da construção no 28º pavimento.
A parte residencial foi eliminada, reembolsos tiveram de ser pagos a compradores e o edifício passou a ser envolvido em vidro, servindo temporariamente como mídia.
Relatórios posteriores apontaram que o Harmon poderia não suportar um terremoto significativo. A solução não foi reforçar, mas demolir.
Por estar cercado de outros prédios, o arranha-céu precisou ser desmontado andar por andar, em um processo caro e demorado, que consumiu cerca de um ano.
Somando o custo de construção parcial, litígios e demolição, a conta superou centenas de milhões de dólares para um hotel que jamais recebeu um hóspede, consolidando o Harmon como um dos erros de construção mais caros do mundo.
O que esses fracassos ensinam sobre grandes obras e gestão de risco
Ao olhar em conjunto para esses casos, um padrão se repete.
Projetos superdimensionados, pressão política por prazos irreais, subestimação de riscos geológicos e ambientais, mudanças frequentes de escopo e falhas de fiscalização aparecem como fatores centrais dos erros de construção mais caros do mundo.
Mais do que histórias curiosas, esses episódios funcionam como dossiês de aprendizado.
Eles reforçam a necessidade de investigação detalhada de solo, planejamento realista, transparência contratual, governança técnica forte e cultura de segurança, especialmente em obras com impacto direto em milhares de pessoas.
Cada arranha-céu implodido, cada túnel atrasado e cada ponte estourando orçamento representam recursos que deixam de ser investidos em escolas, hospitais, transporte cotidiano e infraestrutura básica.
E você, na sua opinião, qual desses casos simboliza melhor os erros de construção mais caros do mundo – e que outro projeto famoso você acha que também deveria entrar nessa lista?

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