Via Mar avança nos bastidores com projeto em lotes, promessa de aliviar a BR-101 e modelo de pedágio via PPP, enquanto Santa Catarina desenha um novo corredor de 145 km entre Joinville e Florianópolis, incluindo túnel duplo de 1,2 km e velocidade prevista de até 120 km/h.
A futura Via Mar, planejada pelo governo de Santa Catarina como alternativa à BR-101 no Litoral Norte, prevê 145 quilômetros de rodovia entre Joinville e o Contorno Viário da Grande Florianópolis, com velocidade projetada de até 120 km/h e investimento estimado entre R$ 7,5 bilhões e R$ 9,2 bilhões.
Ao apostar nesse novo corredor, a gestão estadual mira reduzir deslocamentos que, em dias de tráfego intenso na BR-101, podem se arrastar por até três horas, levando a cerca de 60 minutos em trechos específicos, conforme a fluidez e o ponto de origem e destino.
BR-101 no limite e a aposta em rota paralela no Litoral Norte
Sob pressão de filas recorrentes, sobretudo em períodos de maior movimento turístico, a Via Mar foi concebida para oferecer um caminho paralelo ao principal eixo rodoviário do estado, que concentra deslocamentos locais, transporte de cargas e tráfego de passagem no mesmo traçado.
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Além do impacto na mobilidade diária, o projeto é apresentado pelo governo como peça logística para o escoamento industrial e para o acesso a polos econômicos do Norte catarinense, reduzindo dependência de um único corredor e ampliando a capacidade viária regional.
Traçado da Via Mar, capacidade prevista e principais estruturas
Na modelagem divulgada até aqui, a estrada liga Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, seguindo pelo Litoral Norte, com previsão de três faixas por sentido em partes do traçado, configuração que vem sendo citada em reportagens sobre o projeto.
Uma das estruturas mais sensíveis do pacote é o túnel duplo de 1,2 quilômetro previsto em Itapema, incluído no lote que abrange o trecho entre Itajaí e o contorno da capital, descrito como o segmento de maior complexidade.
Embora o detalhamento completo dependa da conclusão dos projetos executivos, a proposta apresentada pelo estado divide o empreendimento em cinco lotes, com ordens de serviço assinadas para quatro deles, etapa que abriu caminho para a fase de engenharia.
Projetos executivos em cinco lotes e o trecho mais adiantado
O governo catarinense aponta que os projetos executivos seguem em elaboração, com partes em diferentes níveis de avanço, e o lote considerado mais maduro para largar primeiro tem sido associado ao trecho que conecta áreas de Luiz Alves e Navegantes a Itajaí.
Nesse recorte, reportagens locais estimam custo na casa de R$ 2 bilhões para o primeiro segmento, cifra que aparece como referência preliminar ligada ao porte das intervenções, ainda sem confirmação de cronograma definitivo para lançamento do edital.
Em paralelo, uma frente relevante fica em Joinville, onde o lote projetado para conectar as BRs 101 e 280 pela região Oeste do município aparece com parte expressiva do projeto de engenharia em andamento e conclusão projetada para o segundo semestre.
PPP, pedágio e o investimento bilionário na rodovia estadual
Para viabilizar a obra, a estratégia apresentada é a parceria público-privada (PPP), com o estado assumindo estudos e projetos e a iniciativa privada responsável pela execução e operação, incluindo a instalação de praças de pedágio ao longo da rodovia.
A Via Mar também vem sendo descrita como a primeira rodovia estadual de Santa Catarina com cobrança de pedágio, marco que exige modelagem de concessão, garantias contratuais e estrutura de fiscalização, além de compatibilização com licenciamento e desapropriações.
No intervalo entre R$ 7,5 bilhões e R$ 9,2 bilhões estimado para o investimento, variações de traçado, obras de arte especiais e condições de engenharia pesam no orçamento, com parte do debate concentrada justamente nos segmentos que exigem intervenções mais complexas.
Edital, licitação e prazos sob ajuste na modelagem da concessão
A sinalização pública em torno do edital aponta para tentativa de acelerar a largada, com menções a lançamento em março em algumas publicações e, em outras, a ausência de prazo fechado, devido à finalização de projetos e da modelagem licitatória.
Ao mesmo tempo, projeções divulgadas na imprensa indicam que o início das obras, no cenário apresentado pelo governo, não seria imediato em todos os lotes e poderia se estender conforme licenças, contratação e ordem de prioridade definida pelo estado.
Joinville, conexão com BR-280 e ligação ao distrito industrial
No Norte catarinense, a Via Mar é descrita como ligação capaz de criar uma rota de conexão entre a BR-101 e a BR-280, com potencial de facilitar acessos ao distrito industrial e de distribuir parte do fluxo hoje concentrado em trechos saturados.
A previsão apresentada para esse lote menciona 27 quilômetros no entorno de Joinville, articulando deslocamentos locais e regionais, enquanto o projeto busca operar como alternativa paralela à BR-101 e a rodovias estaduais que já absorvem trânsito de ligação.
Mesmo com promessas de ganho de tempo, os próprios materiais e reportagens enfatizam que a redução para 60 minutos depende do trecho analisado e da condição do tráfego, já que o impacto varia conforme volume de veículos, acessos e pontos de conexão.
Na prática, o avanço para a fase de obras tende a depender da conclusão dos projetos executivos, da estruturação do modelo de concessão e da definição do lote inicial, decisões que influenciam custos, calendário e o desenho de pedágios ao longo do corredor.

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