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Cientistas suíços criaram uma “bateria de sangue” capaz de transformar o que você come em eletricidade dentro do próprio corpo humano, em um avanço que pode aposentar pilhas e reinventar o futuro dos implantes

Escrito por Ana Alice
Publicado em 26/04/2026 às 14:04
Atualizado em 26/04/2026 às 14:09
Cientistas suíços criam célula de combustível que transforma glicose em eletricidade e pode mudar o futuro dos implantes. (Imagem: Ilustrativa)
Cientistas suíços criam célula de combustível que transforma glicose em eletricidade e pode mudar o futuro dos implantes. (Imagem: Ilustrativa)
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Protótipo suíço usa a glicose presente no organismo para gerar energia em dispositivos bioeletrônicos, mas a tecnologia ainda está em fase experimental e depende de novos testes antes de chegar a pacientes.

Pesquisadores do ETH Zurich, na Suíça, desenvolveram uma célula de combustível implantável capaz de gerar eletricidade a partir da glicose, o açúcar que circula no organismo após a alimentação.

A tecnologia ainda está em fase de protótipo e foi testada em camundongos, segundo a universidade suíça.

O sistema foi apresentado como uma alternativa experimental para alimentar dispositivos bioeletrônicos de baixa potência.

A proposta, porém, ainda não corresponde a uma bateria pronta para uso em humanos, nem substitui, neste momento, as baterias usadas em marca-passos, bombas de insulina ou outros implantes médicos.

Célula de combustível usa glicose para gerar energia

A célula de combustível criada pela equipe liderada por Martin Fussenegger, professor de biotecnologia e bioengenharia do ETH Zurich, usa o excesso de glicose presente nos tecidos para produzir energia elétrica.

O princípio é semelhante ao de uma célula de combustível, mas adaptado ao ambiente biológico.

No centro do dispositivo há um ânodo feito com nanopartículas à base de cobre.

Esse componente divide a glicose em ácido glucônico e prótons, processo que libera elétrons e permite a formação de uma corrente elétrica.

A universidade afirma que o protótipo é envolto por um tecido não tecido e revestido com alginato, substância derivada de algas usada em aplicações médicas.

Esse revestimento permite a entrada de fluidos corporais e, com eles, da glicose necessária para a reação.

Pelo formato, o ETH Zurich compara o dispositivo a um pequeno saquinho de chá, com tamanho pouco maior que uma unha.

A descrição ajuda a dimensionar o protótipo, mas não indica que ele esteja pronto para implantação clínica em pacientes.

A célula de combustível protótipo é envolta em um tecido não tecido e é ligeiramente maior que uma unha do polegar. (Foto: Fussenegger Lab / ETH Zurich)
A célula de combustível protótipo é envolta em um tecido não tecido e é ligeiramente maior que uma unha do polegar. (Foto: Fussenegger Lab / ETH Zurich)

Diferença entre a bateria comum e o protótipo suíço

Baterias tradicionais armazenam uma quantidade limitada de energia química.

Em dispositivos médicos implantáveis, a perda de carga pode exigir recargas, acompanhamento técnico ou procedimentos para troca, dependendo do tipo de equipamento.

A célula de combustível suíça parte de outra lógica.

Em vez de depender de uma carga previamente armazenada, ela usa uma molécula já presente no organismo.

Quando há excesso de glicose, o sistema gera eletricidade; quando o nível cai abaixo de determinado patamar, a produção de energia é interrompida.

Segundo Fussenegger, o consumo de carboidratos acima da necessidade diária em parte da população motivou a ideia de aproveitar energia metabólica excedente para alimentar dispositivos biomédicos.

A declaração foi divulgada em comunicado oficial do ETH Zurich.

Esse mecanismo foi apresentado, sobretudo, em um contexto de pesquisa sobre diabetes tipo 1.

No experimento, os cientistas combinaram a célula de combustível com células beta artificiais, projetadas para liberar insulina quando estimuladas por corrente elétrica ou luz azul.

Nos testes com camundongos diabéticos, o conjunto permitiu estimular a produção e a liberação de insulina quando havia aumento da glicose.

Após a redução do açúcar no sangue, a geração de energia e a liberação de insulina eram interrompidas.

Possíveis usos em implantes médicos

O ETH Zurich afirma que a tecnologia poderia ser usada, no futuro, para operar dispositivos médicos.

A universidade cita aplicações que dependem de fornecimento confiável de energia, como bombas de insulina e marca-passos, mas trata essa possibilidade como etapa futura.

Até agora, não há confirmação de uso em humanos.

Também não há demonstração pública de que o sistema consiga alimentar, em condições clínicas reais, um marca-passo, uma bomba de insulina comercial ou sensores implantáveis de monitoramento contínuo.

A formulação mais precisa, portanto, é que os pesquisadores desenvolveram um protótipo capaz de gerar energia a partir da glicose em um modelo experimental.

A aplicação em implantes médicos comerciais dependeria de novos testes, avaliação de segurança e validação regulatória.

Também não há base segura para afirmar que a célula de combustível funcionaria por décadas dentro do corpo humano.

O estudo indica uma fonte de energia associada à disponibilidade de glicose, mas não comprova durabilidade prolongada em pacientes.

Segurança química e limites do dispositivo

A reação descrita pelos pesquisadores converte glicose em ácido glucônico e prótons, com liberação de elétrons para o circuito.

Por isso, não é correto afirmar, com base nas fontes disponíveis, que o sistema produz apenas água como resíduo.

O revestimento com alginato e a estrutura encapsulada foram projetados para favorecer o contato controlado com os fluidos do corpo.

Ainda assim, os dados divulgados não permitem concluir que o dispositivo já tenha demonstrado ausência de inflamação, rejeição ou efeitos adversos em humanos.

Outro limite está na finalidade do experimento.

A célula de combustível foi integrada a um sistema de controle de insulina, não apresentada como uma bateria universal para qualquer tipo de implante.

A energia gerada depende das condições metabólicas e da demanda elétrica do dispositivo conectado.

Em reportagem do setor de tecnologia médica, a MedTech Dive destacou que a célula produziu energia durante a hiperglicemia e também permitiu comunicação com dispositivos externos, como smartphones, no contexto do sistema experimental.

Essa informação reforça o potencial de conectividade, mas não equivale a aprovação clínica.

Esquema de geração de energia e controle de insulina: quando o nível de glicose no sangue aumenta, o circuito é ativado e a produção de insulina é estimulada com a energia gerada. (Esquema: De Maity D, et al., Adv. Mater. 2023 / ETH Zurich)
Esquema de geração de energia e controle de insulina: quando o nível de glicose no sangue aumenta, o circuito é ativado e a produção de insulina é estimulada com a energia gerada. (Esquema: De Maity D, et al., Adv. Mater. 2023 / ETH Zurich)

O que falta para chegar aos pacientes

O ETH Zurich informa que a tecnologia permanece como protótipo e que ainda não está claro se chegará ao mercado.

A própria universidade aponta que a transformação da pesquisa em produto exigiria recursos financeiros, equipe especializada e parcerias industriais.

Para dispositivos implantáveis, a transição entre laboratório e uso médico exige mais do que funcionamento técnico.

É necessário demonstrar estabilidade, biocompatibilidade, controle de riscos e benefício clínico em comparação com alternativas já disponíveis.

A pesquisa reúne bioeletrônica, engenharia metabólica e terapia celular em um mesmo sistema experimental.

Esse tipo de integração permite investigar formas de usar moléculas do próprio organismo como fonte de energia para dispositivos médicos de baixa potência.

No estágio atual, o avanço suíço mostra que a glicose pode alimentar circuitos implantáveis em condições controladas de pesquisa.

A adaptação dessa estratégia para implantes usados em pacientes ainda depende de comprovação de segurança e eficácia.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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