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Pouca gente sabe, mas produto que todo mundo joga fora no Brasil contém ouro de 22 quilates que pode valer milhões; metal com 91,6% de pureza está escondido em micro-ondas descartados e já rendeu pepita de 450 mg em teste científico

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 21/06/2026 às 16:57
Atualizado em 21/06/2026 às 17:20
Assista o vídeoMicro-ondas descartados podem conter ouro de 22 quilates em componentes internos, como placas e conectores eletrônicos.
Micro-ondas descartados podem conter ouro de 22 quilates em componentes internos, como placas e conectores eletrônicos.
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Resíduos eletrônicos descartados em casa podem guardar pequenas quantidades de ouro em peças internas pouco visíveis, como placas e conectores. O valor, porém, depende de volume, tecnologia especializada e reciclagem adequada, não da abertura caseira de um único aparelho.

Micro-ondas descartados podem conter pequenas frações de ouro em componentes eletrônicos internos, principalmente em placas, contatos e conectores usados para condução elétrica dentro do aparelho.

Embora essa presença desperte curiosidade, cada unidade isolada não representa uma fortuna pronta para retirada, já que o interesse econômico aparece sobretudo quando há reciclagem de lixo eletrônico em grande escala.

Na indústria eletrônica, o ouro é aplicado em determinados pontos por reunir boa condução de eletricidade e resistência à corrosão, características importantes para manter conexões estáveis ao longo do uso.

Em materiais de 22 quilates, a proporção de ouro corresponde a cerca de 91,6% de pureza, índice associado ao reaproveitamento de metais nobres presentes em eletroeletrônicos descartados.

A discussão ganhou força depois que pesquisadores da ETH Zurich, na Suíça, apresentaram um método para recuperar ouro de lixo eletrônico usando esponjas feitas a partir de fibrilas proteicas.

Durante um teste científico, a equipe obteve uma pepita de 450 miligramas de ouro de 22 quilates a partir de 20 placas-mãe antigas de computadores, e não de micro-ondas.

Apesar do potencial revelado pela pesquisa, a descoberta não autoriza a retirada improvisada de peças em casa, porque a recuperação do metal exige processos controlados, estrutura técnica e conhecimento especializado.

Além do risco de danificar componentes, aparelhos descartados podem reunir partes que exigem descarte correto e manuseio adequado, o que torna a atuação de recicladoras certificadas mais segura e eficiente.

Ouro no micro-ondas aparece em pontos pequenos

Micro-ondas descartados podem conter ouro de 22 quilates em componentes internos, como placas e conectores eletrônicos.
Micro-ondas descartados podem conter ouro de 22 quilates em componentes internos, como placas e conectores eletrônicos.

Dentro de um micro-ondas, o ouro não surge como peça visível, joia escondida ou pepita pronta para venda, mas em camadas pequenas aplicadas a partes específicas dos circuitos.

Esses pontos podem estar nos conectores, nas placas eletrônicas e em áreas responsáveis por manter a condução elétrica durante o funcionamento do equipamento, sempre em quantidades reduzidas.

Por ter boa estabilidade em ambientes sujeitos a variações de temperatura, umidade e desgaste, o metal ajuda a preservar determinadas conexões ao longo do tempo.

Mesmo com essa função técnica, a massa de ouro presente em um único aparelho costuma ser pequena, o que limita qualquer ganho individual e reforça a importância da coleta em volume.

Empresas especializadas conseguem recuperar metais como ouro, cobre e prata porque trabalham com grandes lotes de sucata eletrônica, aplicando processos industriais de separação e tratamento.

Por isso, a ideia de que um micro-ondas descartado pode render grande valor ao consumidor precisa ser interpretada com cautela e sem exageros.

O potencial financeiro aparece quando muitos aparelhos e placas eletrônicas são reunidos em operações profissionais, não em tentativas caseiras de extração feitas sem equipamentos adequados.

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Pesquisa da ETH Zurich reforça valor do lixo eletrônico

O estudo da ETH Zurich chamou atenção por apresentar uma rota considerada sustentável para recuperar ouro de resíduos eletrônicos a partir de materiais reaproveitados de outra cadeia industrial.

Segundo a universidade suíça, os pesquisadores usaram esponjas de fibrilas proteicas, produzidas com subprodutos da indústria alimentícia, para reter íons de ouro em soluções obtidas de sucata eletrônica.

No experimento divulgado em março de 2024, o material recuperado foi transformado em uma pequena pepita, resultado que demonstrou o potencial de reaproveitamento de placas eletrônicas antigas.

A instituição informou que, a partir de 20 placas-mãe de computadores antigos, os pesquisadores obtiveram ouro de 22 quilates com peso de 450 miligramas.

Esse resultado ajuda a dimensionar o valor escondido em equipamentos descartados, ainda que o teste não tenha sido realizado especificamente com micro-ondas.

Quando reunidos em quantidade suficiente e tratados com tecnologia apropriada, componentes eletrônicos comuns podem concentrar metais nobres capazes de retornar à cadeia produtiva.

Ainda assim, o método apresentado pela universidade faz parte de uma pesquisa científica e não deve ser interpretado como instrução para extração doméstica de ouro.

Reciclagem eletrônica reduz desperdício de metais valiosos

O descarte correto de micro-ondas e outros eletrodomésticos evita que placas, plásticos, metais e componentes potencialmente perigosos sejam abandonados em lixo comum ou áreas inadequadas.

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Ao seguir a rota da reciclagem, materiais de alto valor podem voltar à indústria, reduzindo desperdícios e diminuindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.

Celulares, computadores, televisores, câmeras e outros equipamentos também podem conter pequenas quantidades de metais preciosos, o que amplia a relevância da coleta especializada.

Esse reaproveitamento sustenta o chamado garimpo urbano, expressão usada para descrever a recuperação de materiais valiosos a partir de resíduos eletrônicos descartados.

Para o consumidor, o caminho mais seguro é encaminhar equipamentos inutilizados a pontos de coleta, cooperativas estruturadas, fabricantes com logística reversa ou empresas certificadas em reciclagem eletrônica.

Além de reduzir riscos no manuseio, essa destinação aumenta as chances de que metais, plásticos e outras partes reaproveitáveis sejam separados corretamente.

O interesse pelo ouro presente em micro-ondas revela menos uma fortuna acessível dentro de cada cozinha e mais um desafio de escala no descarte de eletrônicos.

Quando esses aparelhos seguem para o lixo comum, pequenas frações de metais valiosos também acabam desperdiçadas, junto com materiais que poderiam ser reaproveitados por processos técnicos adequados.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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