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Cientistas finalmente descobriram para onde foi o plástico que sumiu dos oceanos e a resposta é assustadora: ele se fragmentou em partículas tão minúsculas que ficaram invisíveis e agora são 27 milhões de toneladas de nanoplástico só no Atlântico Norte

Publicado em 31/03/2026 às 00:25
Atualizado em 31/03/2026 às 00:27
Cientistas descobriram que o plástico dos oceanos virou nanoplástico: são 27 milhões de toneladas de partículas invisíveis só no Atlântico Norte.
Cientistas descobriram que o plástico dos oceanos virou nanoplástico: são 27 milhões de toneladas de partículas invisíveis só no Atlântico Norte.
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Um estudo publicado na revista Nature revelou que o plástico desaparecido dos oceanos não sumiu ele se degradou em nanoplástico tão minúsculo que ficou invisível aos métodos tradicionais de monitoramento, e pesquisadores do NIOZ estimam que pelo menos 27 milhões de toneladas dessas partículas contaminam o Atlântico Norte e já foram encontradas até no cérebro humano.

Durante décadas, os cientistas enfrentaram um enigma que ficou conhecido como o “paradoxo do plástico desaparecido”: a humanidade produz centenas de milhões de toneladas do material por ano, uma fração considerável acaba nos oceanos, mas as medições tradicionais nunca conseguiam encontrar o volume esperado. Agora, pesquisadores do Instituto Real Holandês de Pesquisa Marinha (NIOZ) e da Universidade de Utrecht resolveram grande parte desse mistério. O plástico não desapareceu ele apenas se tornou invisível.

O estudo, publicado na revista Nature, revelou que o plástico descartado se fragmentou ao longo dos anos em nanoplástico partículas menores que um micrômetro, invisíveis a olho nu e indetectáveis pelos métodos de monitoramento tradicionais. A estimativa é alarmante: somente no Atlântico Norte, os dez metros superiores da coluna d’água abrigam cerca de 27 milhões de toneladas de nanoplástico. E o pior: essas partículas já foram encontradas no sangue, na placenta e até no tecido cerebral humano.

O paradoxo do plástico desaparecido: o que os oceanos escondiam

 Foto de Caroline Power, in Phys.org

O problema começou a intrigar a comunidade científica quando os números simplesmente não batiam. A produção global de plástico ultrapassou 300 milhões de toneladas por ano, e estima-se que entre 0,3% e 0,8% de todo esse material acabe no oceano Atlântico.

Mas quando os pesquisadores saíam para medir a poluição coletando garrafas, tampas, redes e fragmentos visíveis, a quantidade encontrada era uma fração ínfima do volume esperado. Bilhões de toneladas de plástico produzidas ao longo de décadas pareciam ter simplesmente evaporado.

A resposta, agora sabemos, é que o plástico não desapareceu. Ele se degradou. A ação combinada da luz solar, das ondas, da salinidade e de processos químicos vai quebrando o material em pedaços cada vez menores primeiro em microplástico (partículas menores que 5 milímetros), depois em nanoplástico, fragmentos com menos de um micrômetro de diâmetro, ou seja, menores que um milésimo de milímetro. Nessa escala, o plástico se torna literalmente invisível: passa pelas redes, pelos filtros e por praticamente todos os instrumentos de monitoramento ambiental usados até hoje.

Como os cientistas mediram o que ninguém conseguia ver

imagem

Para encontrar o plástico que havia escapado de décadas de medições, a equipe liderada por Dušan Materić realizou uma expedição de quatro semanas no Atlântico Norte a bordo do navio de pesquisa RV Pelagia. Foram coletadas amostras de água do mar em 12 estações diferentes entre os Açores e a plataforma continental europeia, a três profundidades distintas da superfície até 4.500 metros.

As amostras foram filtradas para remover qualquer partícula maior, isolando apenas o material microscópico.

No laboratório, os pesquisadores utilizaram técnicas avançadas de espectrometria de massa para identificar as moléculas características de diferentes tipos de plástico uma espécie de “impressão digital” química que revela a presença do material mesmo em concentrações minúsculas.

As concentrações mais altas de nanoplástico foram encontradas perto das costas e na superfície da água, mas o material também apareceu em grandes profundidades. Ao extrapolar os dados para toda a região estudada, a equipe chegou à estimativa de 27 milhões de toneladas de nanoplástico somente nos dez metros superiores do Atlântico Norte.

Sophie ten Hietbrink, coautora do estudo, disse que a surpresa não foi encontrar nanoplástico no oceano isso já era esperado.

O que chocou a equipe foi a quantidade: “É uma quantidade assustadora”, afirmou em nota oficial. Segundo os autores da pesquisa, o nanoplástico representa provavelmente a maior fração da massa total de plástico presente nos oceanos maior do que tudo o que se consegue ver flutuando na superfície.

Do oceano ao cérebro: o caminho do nanoplástico dentro do corpo humano

O problema não se limita ao meio ambiente marinho. O nanoplástico é pequeno o suficiente para atravessar barreiras biológicas que partículas maiores não conseguem ultrapassar. Estudos recentes publicados na Nature Medicine encontraram essas partículas de plástico no tecido cerebral humano em concentrações sete a 30 vezes maiores do que no fígado e nos rins.

Matthew Campen, professor da Universidade do Novo México e coautor dessa pesquisa, revelou que as amostras cerebrais continham o equivalente a uma colher de micro e nanoplástico por pessoa.

A trajetória dessas partículas começa nos oceanos e nos rios, passa pela cadeia alimentar e chega ao corpo humano por três vias principais: ingestão de alimentos e água contaminados, inalação de partículas suspensas no ar e absorção pela pele.

Peixes e frutos do mar que vivem em águas contaminadas por plástico acumulam nanoplástico em seus tecidos, e esse material sobe pela cadeia alimentar até chegar ao prato das pessoas. Um estudo de 2024 mostrou que um litro de água engarrafada contém em média 240 mil partículas de plástico, das quais 90% são nanoplástico.

As consequências para a saúde ainda estão sendo investigadas, mas os indícios são preocupantes. Pesquisas já associaram a presença de micro e nanoplástico a maior risco de infarto, AVC e morte em pacientes com plástico nas placas das artérias carótidas.

Pessoas diagnosticadas com demência apresentaram níveis de plástico no cérebro de três a cinco vezes maiores do que indivíduos cognitivamente saudáveis.

Além disso, revisões científicas publicadas em 2026 pela Embrapa e pela Unesp indicam que essas partículas podem atuar como desreguladores endócrinos, interferindo na ação dos hormônios desde a gestação.

Por que o nanoplástico do oceano é praticamente impossível de remover

Remover garrafas, redes e sacolas do oceano já é um desafio logístico enorme. Remover nanoplástico é, na prática, impossível com a tecnologia atual. Essas partículas estão dispersas em trilhões de litros de água, misturadas à salinidade e aos organismos marinhos, em profundidades que vão da superfície a mais de quatro mil metros. Não existe filtro, rede ou sistema capaz de separar o nanoplástico da água do mar em escala oceânica.

Helge Niemann, geoquímico do NIOZ e coautor do estudo, resumiu o problema: agora que se sabe que o nanoplástico é tão comum nos oceanos, é evidente que essas partículas de plástico penetram em todo o ecossistema dos microrganismos aos peixes e predadores do topo da cadeia, incluindo os seres humanos.

Os autores da pesquisa defendem que, diante da impossibilidade de limpeza, a única estratégia realmente eficaz é impedir que mais plástico chegue aos oceanos antes que ele se transforme em nanoplástico um problema invisível e, por ora, irreversível.

O que cada pessoa pode fazer para reduzir a exposição ao plástico

Embora o problema exija ação coordenada entre governos, indústrias e organismos internacionais, pesquisadores apontam medidas individuais que podem reduzir a exposição ao plástico no dia a dia. Evitar aquecer alimentos em recipientes de plástico é uma das recomendações mais repetidas pela comunidade científica, já que o calor acelera a liberação de micro e nanoplástico para a comida.

Trocar garrafas de plástico por vidro ou aço inoxidável, lavar bem peixes e remover o trato digestivo antes do consumo e optar por peixes menores, que acumulam menos poluentes, são outras orientações de especialistas.

No campo político, o avanço ainda é lento. Durante a Conferência da ONU sobre os Oceanos em 2025, representantes de diversos países reconheceram a poluição por plástico como ameaça à saúde humana e à vida marinha, mas medidas vinculantes ainda são escassas.

Os autores do estudo do NIOZ são diretos: enquanto o plástico continuar chegando aos oceanos na escala atual, ele continuará se degradando em nanoplástico, e o problema só vai crescer. A janela para agir, dizem os cientistas, é agora antes que a contaminação atinja um ponto verdadeiramente irreversível.

O plástico que não vemos pode ser o mais perigoso de todos

A descoberta dos 27 milhões de toneladas de nanoplástico no Atlântico Norte resolve parte do mistério que intrigava cientistas há décadas, mas abre um capítulo ainda mais inquietante. O plástico que sumiu não foi embora ele apenas se tornou pequeno demais para ser visto, pequeno demais para ser removido e pequeno o suficiente para entrar no corpo humano.

Está na água que bebemos, no peixe que comemos, no ar que respiramos e, segundo as pesquisas mais recentes, está literalmente dentro do nosso cérebro.

O cenário é um alerta claro: a poluição por plástico não é um problema estético de praias sujas é uma crise de saúde pública em escala global que já se instalou no nível celular dos organismos vivos. E diferentemente de outros poluentes, o nanoplástico disperso nos oceanos não pode ser recolhido. A única resposta é impedir que mais material chegue lá.

Com informações do estudo Nature.

Depois de saber que o plástico dos oceanos está dentro do seu corpo, você mudaria algum hábito? Trocaria a garrafa de plástico, evitaria o micro-ondas com recipientes plásticos? Conte nos comentários o que pensa sobre esse cenário e o que já faz (ou pretende fazer) para reduzir sua exposição.

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Wilson
Wilson
31/03/2026 19:13

Eu nunca usei aquecer alimentos em plástico no microondas, não entendo como se distribui tanta sacola plástica em todo lugar, o ser humano se tornou irracional, não é monstro mesmo

Erika Ferraz,
Erika Ferraz,
31/03/2026 13:34

Era de se esperar com a quantidade de plásticos lançados nas áreas do mar, aliás o mar virou um grande lixão, eu moro no litoral e o que vejo com o turismo predatório é ****, infelizmente quem não vive perto do mar, não respeita, as pessoas lançam garrafas de vidro dentro do mar, já começando pelas cervejas. Latas e vidros que latas ainda muitos recolhem pois ganham algum valor, mas pq deixar vender vidros de cerveja em praia? Refrigerante pq não copo de papel reciclável como se vende chá mate, açaí entre outro, até água levar sua água e disponibilizar água na praia, super simples esse método pq já existe, mas ninguém tá preocupado , ninguém sacolas direto mata as tartarugas e o mais absurdo querendo matar as arraias ,coisas
Absurdas.

jaime feranndez caneda
jaime feranndez caneda
31/03/2026 12:40

A situação é complexa, primeiro os componentes mutagenicos descritos acima não são constituintes dos plásticos da embalagens. O microplastico é decorrente da sua degradação as condições ambientais principalemente a luz do sol. O que é verdade e contradiz a falacia que o plastico demora seculos para degradar. Os termoplásticos são materiais derivados da quimica organica, a mesma constituinte dos seres vivos. Naturalemnte são inertes, mas tem capacidade de se ligar quimicamente com alguns produtos que a humanidade despeja no mar por varios vetores. defensivos agricolas metais pesados e rejeitos industriais dos processo de mineração e da fabricação do papel por exemplo. Quanto a origem desses microplasticos os estudos desses centros de pesquisa indicam que mais de 2/3 do volume total é originario de desgastes de pneus e fibras texteis ao qual não há nenhuma preocupação de industrias que utilizam os produtos de desenvolver alguma resposta par limitar a exposição do oceano aos resíduos. Pneus deesgaste nas enstradas a chuva leva aos rios reservatórios e oceanos. Os tecidos sinteticos ou mistos são lavados e secos e as fibras são levadas ao sistema de esgoto (tratados) e depois devolvido aos rios e oceanos. Mais de 100 anos fazendo isso é logico que termos muito micro plastico nos oceanos. Não é de Hoje, mas agora estamos medindo e avaliando. E a culpa é das embalagens! será?

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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