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Cientistas ficam espantados: Coiote é flagrado nadando 1,6 km até Alcatraz, enfrentando águas super frias e correntes fortes em uma travessia impossível para humanos

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 24/01/2026 às 09:15 Atualizado em 24/01/2026 às 09:37
Assista o vídeoCoiote, Alcatraz
Imagem: Ilustração artística
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Registro raro mostra coiote atravessando mais de 1,6 quilômetros até Alcatraz, enfrentando correntes intensas e águas geladas, desafiando limites históricos da ilha considerada inacessível até para humanos experientes

Antigamente, prisioneiros tentavam escapar de Alcatraz cruzando a Baía de São Francisco. Em 11 de janeiro, um coiote surpreendeu especialistas ao nadar até a ilha, enfrentando correntes frias, distância superior a 1,6 quilômetros e um cenário historicamente considerado intransponível.

Um registro inédito na história recente da ilha

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o coiote nadando em direção ao extremo sul da Ilha de Alcatraz ao pôr do sol, antes de alcançar a costa rochosa, visivelmente exausto.

As imagens revelam o animal tremendo ao sair da água, indicando esforço extremo durante a travessia, situação jamais registrada anteriormente pelos biólogos que monitoram a ilha.

Segundo Stanley Gehrt, professor de ecologia da vida selvagem da Universidade Estadual de Ohio, as cenas causaram surpresa imediata ao serem analisadas.

Existe um motivo pelo qual as pessoas têm dificuldade em realizar essa travessia a nado”, afirmou Gehrt em entrevista ao Live Science, destacando a força das correntes locais.

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Como o vídeo chegou às autoridades ambientais

Os vídeos foram gravados por um visitante não identificado que estava em Alcatraz no dia 11 de janeiro e percebeu o animal já dentro da água.

As imagens foram compartilhadas com Aidan Moore, funcionário de relações com visitantes da Alcatraz City Cruises, que imediatamente alertou os guardas do parque.

O episódio foi noticiado pelo site de notícias de São Francisco SFGATE, que confirmou o caráter inédito do registro junto às autoridades locais.

Julian Espinoza, porta-voz da Área de Recreação Nacional Golden Gate, afirmou ao SFGATE que nunca houve observação semelhante em Alcatraz.

A capacidade dos coiotes como nadadores

Coiotes são reconhecidos por sua inteligência e versatilidade, incluindo a habilidade de nadar quando necessário para locomoção ou fuga.

Gehrt relatou ter observado coiotes atravessando lagos na região de Chicago durante pesquisas do Projeto de Pesquisa de Coiotes Urbanos.

Em ambientes lacustres, eles costumam nadar apenas algumas centenas de metros, geralmente em águas calmas e sem correntes intensas.

As condições ao redor de Alcatraz diferem completamente, pois a ilha está em um estuário frio, com correntes fortes e variações rápidas.

Por que Alcatraz sempre foi considerada inacessível

A combinação de águas geladas, correntes intensas e distância do continente tornou Alcatraz um local estratégico para a antiga prisão de segurança máxima.

Presume-se que alguns prisioneiros tenham se afogado ao tentar escapar, enfrentando mais de 1,6 quilômetros de travessia sem proteção adequada.

Atualmente, nadadores recreativos cruzam a baía apenas com roupas de mergulho, treinamento específico e acompanhamento de guias experientes.

Gehrt avaliou que o coiote aparentava ter nadado por um longo período, diferente de outros animais observados em travessias mais curtas.

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Hipóteses sobre a origem da travessia

Não há informações sobre o ponto exato de onde o coiote iniciou a travessia, já que os vídeos começam com o animal já nadando.

Gehrt afirmou que o estado do coiote ao sair da água indica uma jornada difícil, possivelmente muito além do habitual para a espécie.

Outro fator considerado foi a existência de correntes incomuns na baía, relatadas pelo capitão de um barco turístico.

Segundo o SFGATE, essas correntes podem ter sido intensificadas pelo escoamento de tempestades recentes na região.

Comparações com outros registros na baía

Coiotes já foram filmados nadando até a Ilha Angel, que é habitada por coiotes desde 2017, conforme reportado pela emissora KCRA 3.

A Ilha Angel fica mais próxima do continente do que Alcatraz, tornando a travessia significativamente menos arriscada para os animais.

Apesar disso, um coiote vindo da Ilha Angel precisaria nadar uma distância maior para chegar a Alcatraz do que vindo do sul.

Essa comparação reforça o caráter excepcional do registro observado recentemente na baía de São Francisco.

Dispersão, território e comportamento urbano

Gehrt explicou que coiotes nem sempre entram na água por escolha, podendo fazê-lo para fugir de humanos ou de outros coiotes territoriais.

Também existe a possibilidade de motivação por oportunidades, como acesso a novos territórios e fontes alimentares ainda não exploradas.

Historicamente, os coiotes habitavam pradarias e desertos do centro e oeste da América do Norte antes do século XIX.

A expansão humana, com exploração madeireira, agricultura e eliminação de predadores, facilitou a ampliação de seus habitats.

A adaptação dos coiotes às cidades

Com o avanço urbano, os coiotes tornaram-se comuns em grandes cidades, incluindo São Francisco, graças à sua dieta flexível.

Eles costumam ocupar fragmentos de áreas arborizadas, parques urbanos e campos de golfe, onde encontram abrigo e alimento.

A cientista da conservação Christine Wilkinson analisou o caso em entrevista ao SFGATE.

Wilkinson sugeriu que o coiote provavelmente tentava estabelecer um território próprio, comportamento comum em indivíduos jovens.

Possível origem e riscos evitados

Wilkinson suspeita que o animal tenha vindo da região da Torre Coit, no continente ao sul de Alcatraz, onde há pouco espaço verde.

A dispersão terrestre para o sul exigiria cruzar a Interestadual 280, aumentando o risco de atropelamentos fatais.

Diante disso, entrar na água pode ter parecido uma opção menos perigosa, apesar das condições extremas da baía.

Segundo Wilkinson, janeiro ainda se enquadra no período de busca por novos territórios, especialmente durante a época de acasalamento.

Situação atual e resistência da espécie

Não houve novos relatos de avistamentos do coiote após sua chegada à ilha, conforme informações repassadas ao SFGATE.

Wilkinson descreveu o animal como “bem fraco”, mas destacou a resistência notável dos coiotes em situações adversas.

Ela observou que Alcatraz oferece alimentos disponíveis, como ovos, pintinhos, ratos e camundongos, suficientes para sobrevivência inicial.

Os coiotes vivem em pequenos grupos familiares, mas indivíduos solitários entre 6 meses e 2 anos costumam dispersar naturalmente.

Gehrt já documentou um coiote viajando mais de 240 km pelo sul de Ohio, atravessando inclusive o Rio Ohio durante esse processo.

Para o pesquisador, o episódio em Alcatraz demonstra a capacidade do animal de superar desafios extremos e explorar oportunidades raras, mesmo em ambientes historicamente considerados inalcançáveis.

Com informações de Live Science.

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Romário Pereira de Carvalho

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