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Cientistas detectam fenômeno raro e assustador no oceano Pacífico que pode desencadear um Super El Niño devastador ainda em 2026 e especialistas americanos dizem que é um dos mais fortes já registrados na história

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/03/2026 às 21:28
Um fenômeno raro no Pacífico pode desencadear um Super El Niño devastador em 2026. Especialistas dizem que é um dos mais fortes já vistos. Veja o risco para o Brasil.
Um fenômeno raro no Pacífico pode desencadear um Super El Niño devastador em 2026. Especialistas dizem que é um dos mais fortes já vistos. Veja o risco para o Brasil.
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Um Estouro de Vento de Oeste de intensidade descrita como notável por meteorologistas dos Estados Unidos está empurrando águas quentes para o centro do Pacífico e pode acelerar a chegada de um Super El Niño entre o final do outono e o início do inverno de 2026, com risco de impactos severos no clima do Brasil e do mundo

Modelos numéricos projetam a ocorrência de um Estouro de Vento de Oeste de intensidade excepcional no Pacífico Central nos próximos dias. Meteorologistas dos Estados Unidos especializados em El Niño descrevem o evento como notável e como um dos mais fortes já vistos. O fenômeno funciona como um gatilho atmosférico que pode acelerar a chegada de um Super El Niño ainda em 2026, deslocando grandes volumes de água quente para o centro e o leste do oceano e criando as condições iniciais para um episódio que, se confirmado, pode ter consequências severas para o clima global.

Conforme o MetSul, o último Super El Niño ocorreu entre 2023 e 2024 e teve impacto direto no Brasil, contribuindo para as grandes enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. Agora, com a anomalia de temperatura do mar na costa do Peru já em +1,6°C e um estouro de vento de oeste que pode intensificar o aquecimento do Pacífico, o cenário aponta para a instalação de um novo El Niño entre o final do outono e o início do inverno. A questão que preocupa os cientistas não é se o El Niño vai chegar, mas se ele vai chegar na forma de um Super El Niño.

O que é o Estouro de Vento de Oeste que pode desencadear um Super El Niño

O Estouro de Vento de Oeste, conhecido pela sigla WWB (Westerly Wind Burst), é um dos fenômenos atmosféricos mais importantes na dinâmica do Pacífico equatorial. Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste ao longo do oceano, empurrando águas quentes em direção à Ásia e mantendo águas frias na costa da América do Sul.

Quando ocorre um WWB, esse padrão se enfraquece ou se inverte temporariamente, e grandes volumes de água quente são deslocados para o centro e o leste do Pacífico.

O impacto vai além da superfície do oceano. O estouro de vento gera ondas oceânicas chamadas ondas Kelvin, que se propagam rapidamente em direção à América do Sul e aprofundam a termoclina, a camada que separa águas quentes superficiais das águas frias mais profundas.

Com a termoclina mais profunda, a ressurgência de águas frias diminui e o aquecimento da superfície do mar se intensifica, criando as condições iniciais para um Super El Niño. Quando vários episódios de WWB ocorrem em sequência, o efeito é cumulativo e pode transformar um El Niño moderado em um evento extremo.

Por que os especialistas dizem que este evento é um dos mais fortes da história

Meteorologistas americanos especializados no monitoramento do Pacífico equatorial classificaram o Estouro de Vento de Oeste projetado para os próximos dias como notável e como um dos mais intensos já registrados.

A magnitude do evento é medida pela velocidade dos ventos, pela extensão da área afetada e pela duração das rajadas, e em todos esses critérios o episódio previsto se destaca.

Grandes episódios históricos de El Niño tiveram relação direta com estouros de vento de oeste sucessivos. Os eventos de 1982 a 1983, 1997 a 1998 e 2023 a 2024 foram precedidos e intensificados por múltiplos WWBs ao longo de sua evolução.

Se o evento de 2026 confirmar a intensidade projetada e for seguido por episódios adicionais, o risco de um Super El Niño cresce de forma significativa, segundo a análise dos modelos numéricos.

O que já está acontecendo no Pacífico antes mesmo do Super El Niño começar

Neste momento, já atua na costa da América do Sul um El Niño Costeiro, fenômeno mais localizado que aquece as águas junto ao litoral do Peru e do Equador.

Segundo o último boletim da NOAA, a agência de clima do governo dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 1+2 é de +1,6°C, um salto expressivo em relação às semanas anteriores. Esse aquecimento costeiro, porém, ainda não se estende para o Pacífico central.

A região Niño 3.4, que é usada para designar a ocorrência de El Niño ou La Niña na sua forma clássica, está com anomalia de 0,0°C, ou seja, neutralidade absoluta.

Nas próximas semanas, a tendência é de aquecimento substancial dessa parte do Pacífico, impulsionado pelo estouro de vento de oeste, o que pode levar à instalação do El Niño clássico entre o final do outono e o início do inverno de 2026. Se o aquecimento for intenso o suficiente, o episódio pode evoluir para um Super El Niño.

A diferença entre El Niño clássico, El Niño Costeiro e Super El Niño

O El Niño clássico ocorre quando há aquecimento persistente e de grande escala nas águas do Pacífico central e leste. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica tropical, enfraquece os ventos alísios e desloca áreas de chuva para regiões onde normalmente o tempo seria mais seco.

É um fenômeno de alcance global que pode durar vários meses e influenciar o clima em diferentes continentes. No Brasil, o padrão mais comum durante um El Niño clássico é aumento de chuva no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e do Nordeste.

O El Niño Costeiro é mais restrito geograficamente: o aquecimento se concentra na costa do Peru e do Equador, com efeitos mais regionais. Já o Super El Niño é a forma extrema do fenômeno clássico, com anomalias de temperatura do mar muito acima do normal e impactos amplificados em escala planetária.

Os Super El Niños de 1982 a 1983, 1997 a 1998 e 2023 a 2024 provocaram secas devastadoras, enchentes recordes e ondas de calor em múltiplos continentes. É esse cenário extremo que os cientistas temem que se repita em 2026.

O que um Super El Niño em 2026 pode significar para o Brasil

O precedente mais recente é alarmante. O Super El Niño de 2023 a 2024 contribuiu diretamente para as enchentes catastróficas no Rio Grande do Sul, um dos piores desastres climáticos da história do Brasil.

Se um novo Super El Niño se instalar em 2026, o Sul do país enfrentará risco elevado de chuvas acima da média, inundações e deslizamentos, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem sofrer com estiagens prolongadas.

Além dos impactos diretos sobre o clima, o Super El Niño afeta a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia hidrelétrica e os preços de alimentos.

A repetição de um evento extremo apenas dois anos após o anterior levanta preocupações sobre a capacidade de resposta das infraestruturas que já foram danificadas e ainda não foram totalmente reconstruídas. O Sul do Brasil, que ainda se recupera das enchentes de 2024, pode ser o mais vulnerável.

O gatilho já foi acionado no Pacífico

O Estouro de Vento de Oeste detectado no Pacífico é um sinal que a ciência não pode ignorar.

Se o evento confirmar a intensidade projetada e for seguido por episódios adicionais, 2026 pode ter um Super El Niño capaz de remodelar o clima global e repetir os impactos devastadores que marcaram 2023 e 2024.

O oceano está aquecendo, os ventos estão mudando de direção e o gatilho atmosférico foi acionado. Agora, resta acompanhar se o Pacífico vai responder com a força que os modelos sugerem.

Você se lembra dos efeitos do último Super El Niño no Brasil? Acha que o país está preparado para enfrentar outro evento extremo em tão pouco tempo? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem precisa ficar atento ao que está acontecendo no Pacífico.

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