O primeiro ensaio em humanos com células-tronco do epitélio pigmentar da retina mostra segurança completa e melhora visual significativa em idosos com DMRI seca avançada
Tirar uma foto e focar o rosto de alguém ou manter os olhos na estrada são ações que dependem da visão central. Para adultos com degeneração macular relacionada à idade, essa área essencial da retina perde nitidez até o ponto em que detalhes deixam de ser reconhecíveis.
As alternativas disponíveis apenas retardam a progressão ou oferecem melhora limitada, enquanto o embaçamento tende a avançar com o tempo.
Ensaios iniciais indicam segurança e avanço visual
Um ensaio clínico recente avaliou um procedimento baseado em transplante de células-tronco com potencial para reverter danos acumulados na mácula, responsável pelo que é visto diretamente à frente. Esta foi a primeira aplicação desse tipo de tratamento em seres humanos. Como se trata de um estudo de fase 1/2a, a investigação concentrou-se na segurança e na eficácia preliminar.
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Os pesquisadores aguardam comparações mais amplas com terapias já existentes, algo previsto apenas após a fase 3. Mesmo assim, os resultados iniciais permitiram a continuidade dos testes. Ensaios anteriores em laboratório mostraram que as células transplantadas preservaram a identidade retiniana e não apresentaram sinais de tumor ou toxicidade, o que sustentou a decisão de avançar.
Após avaliar 18 possíveis candidatos, a equipe selecionou seis voluntários entre 71 e 86 anos diagnosticados com a forma seca da degeneração macular, responsável por cerca de 80% dos casos. Três deles tinham acuidade visual entre 20/200 e 20/800, e os demais variavam entre 20/70 e 20/200. A forma seca apresenta perda progressiva provocada por pequenos depósitos de gorduras e proteínas que danificam células do epitélio pigmentar da retina.
Procedimento e melhora registrada ao longo do acompanhamento
O método utiliza células-tronco obtidas de um banco de olhos, aptas a produzir novas células do epitélio pigmentar da retina. Cada participante recebeu 50.000 células por meio de uma única injeção aplicada sob a retina da mácula temporal superior do olho mais comprometido.
O ensaio registrou segurança, sem evidência de tumores ou reações imunológicas. Algumas complicações típicas de cirurgias oculares foram observadas, mas não ocorreram eventos associados às células-tronco. Todos os voluntários apresentaram melhora na visão do olho tratado, melhora que não foi identificada no outro olho.
Um ano após o procedimento, os três participantes com menor acuidade inicial passaram a enxergar, em média, 21 letras a mais na tabela de Snellen. Rajesh Rao, médico-cientista e oftalmologista do Michigan Medicine, afirmou que o ganho superou as expectativas para casos avançados da doença.
Próximos passos da pesquisa
O estudo segue monitorando pacientes que receberam doses maiores de 150.000 e 250.000 células. Caso essas quantidades também se mostrem seguras, a equipe poderá ampliar os testes em humanos. A pesquisa foi publicada na revista Cell Stem Cell.
