Físicos anunciaram um avanço histórico na medição do tempo ao desenvolver os primeiros protótipos funcionais de relógios nucleares, dispositivos que utilizam oscilações dentro do núcleo atômico para marcar o tempo com extrema precisão. Os resultados foram apresentados em junho de 2026 por duas equipes independentes: uma liderada por pesquisadores da Universidade Técnica de Viena (TU Wien), na Áustria, e outra formada por cientistas do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST), em colaboração com universidades e centros de pesquisa internacionais.
Os avanços foram publicados por duas equipes de pesquisa que trabalharam de forma independente. O grupo da Universidade Técnica de Viena (TU Wien) conseguiu desenvolver um sistema baseado em cristais contendo tório-229 para medir oscilações nucleares com alta precisão. Paralelamente, cientistas do NIST, nos Estados Unidos, alcançaram resultados semelhantes utilizando uma abordagem complementar. Juntos, os trabalhos representam o primeiro passo concreto rumo à construção de relógios nucleares plenamente operacionais.
Além disso, os novos dispositivos prometem superar, no futuro, a precisão dos relógios atômicos atuais, considerados hoje os instrumentos mais exatos já criados pela ciência.
O que diferencia um relógio nuclear?
Os relógios atômicos tradicionais medem o tempo observando os movimentos dos elétrons ao redor dos átomos. Graças a essa tecnologia, sistemas como GPS, telecomunicações e redes globais funcionam com extrema precisão.
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No entanto, os novos relógios utilizam uma estratégia diferente. Em vez de monitorar elétrons, eles acompanham transições que acontecem dentro do próprio núcleo atômico, onde estão prótons e nêutrons. Como os núcleos são muito menores e menos suscetíveis a interferências externas, os pesquisadores acreditam que eles poderão oferecer níveis ainda maiores de estabilidade e precisão.
Tório-229 tornou a tecnologia possível
Durante décadas, cientistas consideraram impossível construir um relógio nuclear prático. Afinal, a maioria dos núcleos atômicos exige enormes quantidades de energia para mudar de estado.
Entretanto, o isótopo tório-229 apresenta uma característica rara. Seu núcleo possui uma transição energética extremamente baixa, que pode ser estimulada por lasers avançados. Por isso, ele se tornou o principal candidato para a criação do primeiro relógio nuclear da história.
Além disso, pesquisas recentes permitiram medir essa transição com precisão sem precedentes, removendo um dos principais obstáculos que impediam a construção do dispositivo.
Duas equipes alcançaram o objetivo
Segundo os estudos divulgados recentemente, duas equipes independentes conseguiram desenvolver versões funcionais da tecnologia.
Os pesquisadores utilizaram cristais contendo átomos de tório e sistemas de laser de alta precisão para monitorar as oscilações nucleares. Dessa forma, eles transformaram o núcleo atômico em uma referência temporal estável, capaz de atuar como um verdadeiro relógio.
Além disso, uma das equipes já realizou experimentos que compararam os novos relógios nucleares com alguns dos relógios atômicos mais precisos do mundo.

Tecnologia poderá superar os relógios atômicos
Embora os protótipos atuais ainda não sejam mais precisos do que os melhores relógios atômicos existentes, os cientistas consideram a conquista um ponto de partida.
Agora que a tecnologia funciona na prática, os pesquisadores podem concentrar esforços no aperfeiçoamento dos sistemas. Consequentemente, especialistas acreditam que futuras versões poderão atingir níveis de precisão jamais alcançados anteriormente.
Além disso, os núcleos atômicos sofrem menos influência de campos magnéticos, variações de temperatura e outras perturbações ambientais. Por esse motivo, eles oferecem vantagens importantes para medições extremamente delicadas.
Aplicações vão muito além da medição do tempo
Os benefícios dessa tecnologia não se limitam à criação de relógios mais precisos.
Os cientistas pretendem utilizar os relógios nucleares para investigar questões fundamentais da física. Entre elas estão possíveis variações nas constantes universais da natureza, como a intensidade das forças que governam a matéria.
Além disso, os dispositivos podem ajudar na busca por evidências de matéria escura, um dos maiores mistérios da ciência moderna. Segundo os pesquisadores, alguns tipos de medições realizadas pelos relógios nucleares já demonstram sensibilidade superior à de muitos relógios atômicos atuais.
Avanço pode impactar tecnologias do futuro
A longo prazo, a nova tecnologia também poderá beneficiar áreas como navegação por satélite, telecomunicações, exploração espacial e computação avançada.
Atualmente, sistemas de GPS dependem diretamente da precisão dos relógios atômicos. Portanto, qualquer melhoria na medição do tempo pode aumentar a precisão da localização e da sincronização de redes globais.
Além disso, futuras missões espaciais poderão utilizar relógios nucleares para realizar medições mais exatas em ambientes extremos, onde pequenas diferenças temporais fazem grande diferença nos resultados científicos.

Uma nova era para a física
A construção dos primeiros relógios nucleares marca o início de uma nova fase na ciência da medição do tempo.
Além de representar um feito tecnológico impressionante, o avanço oferece uma ferramenta inédita para explorar fenômenos que permanecem sem explicação. Por isso, muitos especialistas consideram a conquista um dos desenvolvimentos mais importantes da física moderna nos últimos anos.
Enquanto os pesquisadores continuam aprimorando os protótipos, a expectativa é que os relógios nucleares se tornem instrumentos essenciais para responder algumas das maiores perguntas sobre o funcionamento do universo.

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