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Cientistas criam mini-robô que sai “pescando” petróleo no mar e consegue recuperar mais de 95% do óleo antes que destrua praias e animais

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 12/03/2026 às 19:06
% inspirado em ouriços-do-mar coleta petróleo na água com pureza superior a 95% e pode operar em enxames para limpar derramamentos.
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Pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveram um mini-robô aquático chamado Golfinho Eletrônico, capaz de coletar petróleo diretamente da superfície da água com pureza superior a 95%, utilizando um filtro hidrofóbico inspirado em microestruturas de ouriços-do-mar e projetado para operar em áreas sensíveis, perigosas ou de difícil acesso, com potencial para atuação em enxames autônomos no combate a derramamentos no mar

Pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveram um mini-robô projetado para recolher petróleo da superfície da água. O protótipo, chamado Golfinho Eletrônico, utiliza um filtro hidrofóbico inspirado em ouriços-do-mar e foi descrito em estudo publicado na revista científica Small.

O dispositivo possui aproximadamente o tamanho de um sapato e foi criado para aspirar petróleo diretamente da superfície do mar.

Equipado com um sistema de filtragem e bombeamento frontal, o mini-robô navega sobre manchas de óleo enquanto separa o petróleo da água.

A proposta da equipe de engenheiros busca oferecer uma alternativa complementar às operações tradicionais de limpeza de derramamentos. O projeto aposta na mobilidade e na resposta rápida para atuar em áreas sensíveis ou de difícil acesso.

Mini-robô para coletar petróleo em áreas sensíveis e perigosas

Os derramamentos de petróleo estão entre os desastres ambientais mais persistentes em ambientes marinhos e costeiros.

Mesmo vazamentos de pequena escala podem provocar impactos prolongados em ecossistemas, afetando aves, peixes, praias e cadeias alimentares.

As operações de limpeza costumam exigir grande mobilização de recursos e frequentemente expõem equipes de resgate a condições perigosas. Nesse contexto, o mini-robô desenvolvido pelos pesquisadores surge como uma ferramenta capaz de atuar diretamente na superfície da água.

O equipamento pode ser controlado remotamente e foi projetado para navegar sobre áreas contaminadas enquanto aspira o petróleo. Seu formato lembra um pequeno golfinho, característica que também contribui para melhorar o deslocamento na água.

Segundo os engenheiros responsáveis, o desenho hidrodinâmico permite que o mini-robô opere com agilidade em ambientes complexos. Portos industriais, manguezais e águas costeiras rasas estão entre os locais onde o sistema poderia atuar.

Filtro inspirado em ouriços-do-mar separa água e petróleo

O principal componente tecnológico do sistema é o material utilizado no filtro do mini-robô. Os pesquisadores criaram um revestimento microscópico inspirado na estrutura dos ouriços-do-mar, organismos marinhos que possuem espinhos minúsculos.

Esse material é formado por microestruturas capazes de criar pequenas bolsas de ar na superfície do filtro. Essa característica confere ao revestimento uma propriedade essencial para o funcionamento do sistema.

A superfície se torna super-hidrofóbica, repelindo a água, enquanto permanece oleofílica, atraindo o petróleo. Dessa forma, o mini-robô consegue separar os dois fluidos de maneira eficiente sem recorrer a produtos químicos agressivos.

Esse processo de filtragem permite que o petróleo seja retido enquanto a água escorre pela superfície do material. A estratégia evita a saturação do filtro e mantém a eficiência da coleta durante a operação.

Mini-robô recupera petróleo com pureza superior a 95%

Nos testes realizados em laboratório, o protótipo demonstrou capacidade de recuperar aproximadamente 2 mililitros de petróleo por minuto. O óleo coletado apresentou pureza superior a 95%, indicando que o sistema consegue evitar a mistura com água.

Embora o volume de coleta possa parecer reduzido, os pesquisadores explicam que o conceito foi desenvolvido pensando em operações ampliadas. A estratégia prevê o uso de vários mini-robôs atuando simultaneamente na mesma área.

Esse modelo de atuação lembra o funcionamento de enxames de drones, porém aplicado ao ambiente marinho. Pequenos robôs trabalhando juntos poderiam aumentar significativamente a quantidade total de petróleo recolhida.

O pesquisador principal Ataur Rahman explica que a proposta não pretende substituir os grandes navios de limpeza. A ideia é complementar essas operações com plataformas menores e mais ágeis.

Sistema pode operar em enxames de robôs autônomos

A equipe responsável pelo projeto considera que robôs pequenos podem ser implantados rapidamente em locais onde o acesso humano é limitado ou arriscado. Áreas com vida selvagem protegida, recifes e plataformas de petróleo estão entre os cenários previstos.

O protótipo atual consegue operar por cerca de 15 minutos com uma única carga de bateria. Os engenheiros já trabalham no desenvolvimento de versões maiores, capazes de armazenar mais petróleo e permanecer mais tempo em operação.

A visão de longo prazo inclui robôs capazes de retornar automaticamente a uma base flutuante após encher seus reservatórios. Nessa base, os tanques seriam esvaziados e as baterias recarregadas antes do retorno ao local do derramamento.

Esse ciclo contínuo permitiria que o sistema atuasse até que o vazamento fosse eliminado. A proposta cria uma rede de mini-robôs trabalhando de forma coordenada no oceano.

Inspiração pessoal e desenvolvimento do material filtrante

O material filtrante do mini-robô foi desenvolvido pelo pesquisador de doutorado Surya Kanta Ghadei. Segundo o próprio cientista, a motivação para trabalhar nessa tecnologia está ligada à experiência vivida durante sua infância na Índia.

Ghadei relatou que cresceu observando os efeitos da poluição marinha em regiões costeiras. Nessas áreas, os derramamentos de petróleo afetam não apenas o ambiente natural, mas também atividades humanas como pesca artesanal e turismo.

Uma das lembranças citadas pelo pesquisador envolve tartarugas marinhas presas em manchas de petróleo. Esse tipo de situação foi um dos fatores que o incentivaram a buscar soluções tecnológicas capazes de reduzir os impactos ambientais.

Próximos testes buscam levar o mini-robô do laboratório ao mar

A equipe de engenharia agora trabalha em novas etapas de desenvolvimento para transformar o protótipo em uma ferramenta de intervenção ambiental. Entre os desafios está o aumento da área de filtragem do mini-robô.

Uma superfície maior permitiria capturar mais petróleo em menos tempo. Os pesquisadores também estudam melhorias na capacidade de bombeamento e no armazenamento do óleo recolhido.

Outro ponto importante envolve avaliar a durabilidade do material filtrante após múltiplos ciclos de uso. Os cientistas pretendem verificar como o sistema se comporta após repetidas operações de coleta.

Além disso, testes em ambientes reais serão necessários para compreender o impacto de fatores como correntes marítimas, vento e emulsões de petróleo. A equipe busca colaboração com a indústria de energia e agências ambientais para realizar essas avaliações.

Os pesquisadores também apontam aplicações futuras do mini-robô em monitoramento de portos e áreas industriais. A tecnologia poderia detectar e recolher pequenas quantidades de petróleo antes que se transformem em grandes derramamentos.

Outras possibilidades incluem o uso do sistema em rios poluídos, canais industriais ou lagoas costeiras. A proposta central do projeto permanece baseada em tecnologia leve, adaptável e reutilizável para restaurar ambientes contaminados.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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