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Seca extrema baixou o nível de um reservatório no Iraque e revelou uma cidade inteira de 3.400 anos com muralhas, palácios e mais de 100 tabuletas de argila de um império que quase ninguém conhece

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 12/04/2026 às 11:27
Atualizado em 12/04/2026 às 11:29
Ruínas da cidade submersa de Zakhiku emergindo do reservatório de Mosul no Iraque
A cidade de Zakhiku, de 3.400 anos, emergiu do reservatório de Mosul após seca extrema em 2026, revelando muralhas, palácios e mais de 100 tabuletas cuneiformes do Império Mittani.
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A cidade submersa no Iraque que ficou 40 anos debaixo d’água emergiu com muralhas, um palácio e mais de 100 tabuletas cuneiformes de um império que dominou a Mesopotâmia entre 1550 e 1350 a.C.

Uma cidade submersa no Iraque surpreendeu o mundo ao emergir do reservatório de Mosul no início de 2026. Com 3.400 anos de idade, a cidade de Zakhiku é considerada um dos centros do misterioso Império Mittani, que rivalizou com egípcios, hititas e assírios. Segundo reportagem da CNN Brasil, uma equipe conjunta de arqueólogos curdos e alemães escavou o sítio em janeiro e fevereiro de 2026, numa corrida contra o tempo antes que as águas subissem novamente.

Ninguém esperava encontrar o que a seca revelou. Muralhas de tijolos de barro, torres de defesa, um edifício de vários andares e cinco vasos com mais de 100 tabuletas de argila escritas à mão — tudo preservado por um terremoto que, paradoxalmente, destruiu e protegeu a cidade ao mesmo tempo.

Portanto, essa cidade submersa no Iraque não é apenas um conjunto de ruínas — é uma janela para um império que quase desapareceu da memória humana.

Arqueólogos escavando ruínas da cidade submersa no Iraque

Um terremoto destruiu a cidade há 3.400 anos — e foi isso que a preservou

O que torna Zakhiku extraordinária é a forma como foi preservada. Por volta de 1350 a.C., um terremoto devastador atingiu a região e causou o colapso das paredes superiores dos edifícios, construídas com tijolos de barro secos ao sol. Dessa forma, os destroços formaram uma camada protetora sobre as estruturas inferiores, selando-as por milênios.

Graças a essa camada natural de proteção, os arqueólogos encontraram muralhas com torres de defesa, uma fortificação completa, um edifício de armazenamento de vários andares e até murais pintados em estado excepcional de conservação.

Ainda assim, o achado mais impressionante estava dentro de cinco vasos de cerâmica: mais de 100 tabuletas cuneiformes de argila, datadas do período assírio médio (1350 a 1100 a.C.). Por consequência, esses registros sobreviveram não apenas ao terremoto, mas também a mais de 40 anos submersos após a construção da Represa de Mosul na década de 1980.

O que as 100 tabuletas da cidade submersa no Iraque podem revelar

As tabuletas cuneiformes são consideradas o achado mais valioso da escavação. Escritas em argila crua, elas foram encontradas dentro de vasos que as protegeram da erosão hídrica — algo que os pesquisadores descreveram como “quase milagroso”.

Os textos, que ainda estão sendo decifrados, podem revelar detalhes sobre:

  • A vida cotidiana dos habitantes de Zakhiku durante o Império Mittani
  • O impacto do terremoto que destruiu a cidade por volta de 1350 a.C.
  • A transição para o domínio assírio na região após o colapso mittani
  • Registros administrativos e comerciais do período assírio médio

Além disso, descobertas semelhantes em sítios como a cidade medieval na Rota da Seda no Uzbequistão mostram como a arqueologia continua revelando civilizações inteiras que a história convencional esqueceu.

Tabuletas cuneiformes de argila encontradas na cidade submersa no Iraque

Quem eram os Mittani — o império que rivalizou com o Egito

O Império Mittani é uma das civilizações menos conhecidas da Antiguidade, apesar de sua importância. Formado por hurritas — um povo que não era semita nem indo-europeu — ele dominou a Mesopotâmia setentrional entre 1550 e 1350 a.C., controlando vastas áreas entre os rios Tigre e Eufrates.

Os Mittani foram poderosos o suficiente para negociar casamentos diplomáticos com faraós egípcios e travar guerras contra os hititas da Anatólia. Contudo, o império entrou em declínio rápido por volta de 1350 a.C. e foi absorvido pelos assírios, que dominaram a região nos séculos seguintes.

Por isso, as tabuletas encontradas nesta cidade submersa no Iraque são tão valiosas: elas datam exatamente do período de transição entre o domínio mittani e o assírio, podendo esclarecer como e por que um império inteiro desapareceu.

Mudanças climáticas revelam — e ameaçam — a cidade submersa no Iraque

A seca que revelou Zakhiku não foi um evento isolado. As mudanças climáticas têm exposto sítios arqueológicos em todo o mundo — como a cidade de Hasankeyf na Turquia, submersa por uma represa em 2020, e ruínas no Lago Mead nos Estados Unidos, que emergiram em 2022 durante uma megaseca.

No caso do reservatório de Mosul, a água foi extraída em parte para irrigar plantações durante a crise hídrica, o que acelerou a exposição do sítio. A equipe da Universidade de Tübingen e da Organização Arqueológica do Curdistão trabalhou sob condições adversas — chuva, granizo e temperaturas congelantes — para documentar o máximo possível antes que a água voltasse a subir.

Após as escavações, as ruínas foram seladas com cobertura plástica para proteção contra erosão, mas a solução é temporária. A submersão prolongada por mais de 40 anos já causou danos, e as flutuações hídricas futuras representam uma ameaça constante à integridade do sítio. Assim como a fábrica de ferro milenar descoberta no Senegal, Zakhiku demonstra que civilizações antigas alcançaram níveis de sofisticação que ainda surpreendem a ciência moderna.

Represa de Mosul com nível baixo revelando sítio da cidade submersa no Iraque

Ainda há muito a confirmar

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores alertam para limitações importantes. A identificação de Zakhiku como a cidade do sítio de Kemune é considerada provável, mas ainda depende da decifração completa das tabuletas cuneiformes. Além disso, a escavação de 2026 foi limitada pela rápida subida da água após fevereiro, permitindo apenas um mapeamento inicial.

As datas do Império Mittani variam entre as fontes — algumas citam 1500 a 1360 a.C., outras 1550 a 1350 a.C. — e a idade exata das ruínas oscila entre 3 mil e 3.400 anos. Por fim, análises completas das tabuletas e dos achados cerâmicos ainda estão em andamento, e os resultados definitivos podem levar anos para serem publicados.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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