Luzerna, cidade de 5.794 habitantes no Meio-Oeste catarinense, alcançou 70 pontos no ranking do IPS Brasil 2025 e se tornou o único município de Santa Catarina no top 10 nacional de qualidade de vida, superando Florianópolis, Joinville, Blumenau e Balneário Camboriú.
Uma cidade que quase ninguém conhece fora de Santa Catarina acaba de aparecer entre as dez melhores do Brasil para se viver. Luzerna, município com menos de seis mil moradores localizado no Meio-Oeste catarinense, conquistou 70 pontos no IPS Brasil 2025 (Índice de Progresso Social), ranking elaborado por organizações como o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia que avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais. A cidade é a única catarinense no top 10 nacional e ficou à frente de capitais e grandes centros urbanos, resultado que coloca em questão a ideia de que qualidade de vida está associada ao tamanho da população.
O contraste é difícil de ignorar. A cidade que superou metrópoles inteiras no ranking possui 5.794 habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE, com estimativa de 5.951 moradores em 2025, e lidera o ranking estadual deixando para trás Florianópolis, Joinville, Blumenau e Balneário Camboriú, municípios com centenas de milhares ou milhões de habitantes e orçamentos incomparavelmente maiores. Luzerna foi criada em 1995, após se desmembrar de Joaçaba, e em três décadas de autonomia administrativa construiu indicadores que a colocam entre as melhores do país em saneamento, educação, segurança e saúde.
O que fez essa cidade de 6 mil habitantes superar capitais no ranking

O desempenho de Luzerna no IPS 2025 foi consistente nas três dimensões avaliadas pelo índice. Na categoria Necessidades Humanas Básicas, a cidade alcançou 82 pontos, com destaque para os indicadores de saneamento, condições de moradia e segurança pública, áreas nas quais municípios pequenos com gestão eficiente conseguem superar grandes centros que enfrentam déficits estruturais históricos. Em Fundamentos do Bem-Estar, a pontuação foi de 68,14, impulsionada por resultados em educação e atendimento de saúde. A terceira dimensão, Oportunidades, registrou 59,88 pontos, refletindo acesso a direitos individuais e disponibilidade de formação superior na região.
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A proximidade com Joaçaba, polo regional do Meio-Oeste catarinense, fortalece o acesso a serviços que uma cidade desse porte normalmente não ofereceria sozinha. Mas o que diferencia Luzerna de outros municípios pequenos que também ficam perto de centros maiores é a combinação entre investimento próprio em áreas estratégicas e uma base econômica industrial que gera renda acima da média nacional. O PIB per capita da cidade atingiu R$ 59.770,33 em 2023, número que supera a maioria dos municípios brasileiros e que demonstra atividade produtiva relevante para um lugar com menos de seis mil habitantes.
Como a educação transformou essa cidade em referência nacional

A formação técnica é o pilar mais visível do modelo que Luzerna construiu. A cidade investe em capacitação profissional desde as séries iniciais, com programas de robótica, eletricidade e automação oferecidos em parceria com o Instituto Federal Catarinense e o Senai, estratégia que prepara jovens para o mercado industrial local e reduz a migração para centros maiores. O percentual de crianças entre 6 e 14 anos na escola atinge 93,53%, e o IDHM de Luzerna é de 0,789, patamar alto pelo padrão nacional.
Esse investimento educacional não é acidental. Uma cidade com perfil industrial forte precisa de mão de obra qualificada para manter suas fábricas funcionando, e Luzerna entendeu cedo que formar seus próprios técnicos é mais eficiente do que disputar profissionais com municípios vizinhos. O resultado é um ciclo virtuoso no qual a indústria gera renda, a renda financia educação, a educação qualifica trabalhadores e os trabalhadores mantêm a indústria competitiva, modelo que explica por que uma cidade tão pequena alcança indicadores que desafiam metrópoles.
A economia que sustenta os indicadores da cidade no ranking
A indústria responde por aproximadamente 40% da atividade econômica de Luzerna, participação expressiva para um município de qualquer porte e excepcional para um com menos de seis mil moradores. Os setores de serviços, administração pública e agropecuária completam a base produtiva, mas é a vocação industrial que diferencia a cidade e que sustenta o PIB per capita acima de R$ 59 mil, receita que se converte em qualidade de vida por meio de investimento público em saúde, educação e infraestrutura. O fato de estar próxima a Joaçaba, polo econômico regional, amplia as oportunidades sem diluir a autonomia administrativa que Luzerna conquistou em 1995.
A segurança pública da cidade também reflete o perfil econômico. Municípios com baixo desemprego, renda distribuída e população reduzida tendem a apresentar índices de violência inferiores aos de centros urbanos, e Luzerna confirma essa correlação com investimento em monitoramento e gestão eficiente que contribuem para os bons números no IPS. Na saúde, a cidade mantém atendimento público que inclui cirurgias eletivas, exames e atenção básica, com taxa de mortalidade infantil de 14,71 por mil nascidos vivos, patamar considerado baixo pelo padrão nacional.
O que o caso de Luzerna ensina sobre qualidade de vida no Brasil
O resultado dessa cidade no IPS 2025 desafia a percepção de que apenas grandes centros urbanos conseguem oferecer boas condições de vida. Com gestão focada, investimento em educação técnica e uma economia industrial que gera renda acima da média, Luzerna demonstra que municípios pequenos podem superar metrópoles quando os recursos são aplicados de forma estratégica e a escala reduzida permite controle mais próximo dos resultados. Três décadas de autonomia administrativa após o desmembramento de Joaçaba foram suficientes para construir um modelo que agora serve de referência.
Para os moradores de Florianópolis, Joinville, Blumenau e Balneário Camboriú que viram suas cidades ficarem atrás de Luzerna no ranking, o resultado pode provocar reflexão. A capital catarinense, com toda a sua infraestrutura, universidades e orçamento bilionário, não conseguiu alcançar a pontuação de uma cidade que cabe inteira dentro de um bairro de Florianópolis. O tamanho não garantiu qualidade, e o caso de Luzerna prova que os 57 indicadores que medem progresso social respondem mais à eficiência do que à escala.
E você, conhecia Luzerna? Moraria numa cidade de 6 mil habitantes que lidera o ranking de qualidade de vida? Deixe sua opinião nos comentários.

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