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Produtor plantou só 50 mudas de banana na terra da soja e viu o teste virar um bananal com 15 mil pés em Mato Grosso; hoje, com irrigação, energia solar e venda a R$ 5 o quilo, colhe toda semana até na seca

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Escrito por Carla Teles Publicado em 30/06/2026 às 22:21 Atualizado em 30/06/2026 às 22:24
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Banana em Mato Grosso vira fruticultura com irrigação e energia solar, 15 mil pés e colheita semanal na seca. Imagem: Canal Rural Youtube
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Na Estância São Francisco, a banana começou com 50 mudas em 2017 e avançou para cerca de 15 mil pés em 9 hectares. Com irrigação, energia solar, ATeG do Senar Mato Grosso e venda a R$ 5 o quilo, a produção mantém colheitas semanais mesmo na estiagem na região mato-grossense.

A banana entrou primeiro como teste em uma área que antes havia sido arrendada para soja em Tangará da Serra, Mato Grosso. O produtor da Estância São Francisco plantou cerca de 50 mudas em 2017 para observar o desempenho da cultura e decidiu ampliar o bananal depois dos primeiros resultados.

Hoje, a propriedade tem cerca de 9 hectares cultivados com banana e aproximadamente 15 mil pés, segundo relato apresentado no programa Senar Transforma. A produção é irrigada, utiliza energia solar para reduzir despesas e mantém colheitas semanais, inclusive no período seco.

Teste com 50 mudas abriu espaço para a fruticultura

Banana em Mato Grosso vira fruticultura com irrigação e energia solar, 15 mil pés e colheita semanal na seca.
Imagem: Canal Rural

A implantação começou de forma experimental. O produtor plantou cerca de 50 mudas de banana em uma parte da propriedade para avaliar se a cultura teria boa saída comercial e adaptação às condições locais. A resposta inicial foi positiva, especialmente porque as plantas resistiram bem durante a seca quando receberam irrigação.

A escolha pela banana não veio apenas da observação do mercado, mas também de uma indicação familiar. O produtor relatou que um tio já cultivava a variedade e enfrentava dificuldade justamente no período de estiagem, quando não havia água suficiente para irrigar e a planta ficava debilitada.

A leitura econômica estava no detalhe da seca: quando há menos produto disponível, a banana tende a ganhar mais valor. Por isso, a decisão não foi apenas plantar, mas plantar com irrigação, para manter oferta em um momento de menor disponibilidade regional.

A propriedade havia sido arrendada para soja nos primeiros anos após a compra. Conforme o teste com a banana avançou, partes da área foram sendo retiradas do arrendamento e incorporadas ao bananal, até que a Estância São Francisco passou a ficar exclusivamente voltada à produção de bananas.

Área pequena exigiu decisão técnica mais precisa

Banana em Mato Grosso vira fruticultura com irrigação e energia solar, 15 mil pés e colheita semanal na seca.
Imagem: Canal Rural

A Estância São Francisco tem 17 hectares no total. Descontadas áreas de reserva, córrego, casa e outros espaços, a área útil fica em torno de 15 hectares. Esse tamanho torna cada decisão de plantio, irrigação e manejo mais importante para a rentabilidade da propriedade.

Atualmente, cerca de 9 hectares estão ocupados com banana. O plano citado no programa é ampliar o cultivo para outros 4 hectares, chegando a aproximadamente 13 hectares plantados e algo em torno de 20 mil covas, caso a expansão seja concluída.

Em uma pequena propriedade, o resultado depende menos de área extensa e mais de manejo acertado. Espaçamento, cultivar, irrigação, adubação, controle de pragas e organização da colheita precisam funcionar juntos para que a cultura sustente a renda.

A experiência mostra uma rota diferente para regiões tradicionalmente associadas a grãos. Na chamada “terra da soja”, a fruticultura apareceu como alternativa para aproveitar melhor uma área menor, com produção recorrente e venda semanal.

Assistência técnica ajudou a reorganizar o bananal

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A virada produtiva ganhou reforço com a Assistência Técnica e Gerencial, a ATeG, do Senar Mato Grosso. O atendimento na propriedade começou por volta de 2019 com um técnico chamado Leandro e, depois, passou a ser acompanhado por Eduardo, engenheiro agrônomo e filho do produtor.

Segundo a transcrição, Eduardo atende outros 29 produtores na ATeG Fruticultura e realiza visitas mensais, elaborando estratégias conforme o perfil e a realidade de cada propriedade. No caso da Estância São Francisco, uma das principais recomendações foi adequar o espaçamento entre as plantas.

No início, o plantio era manual e em fileira simples, com espaçamentos como 2 por 2 metros ou 3 por 2 metros. Com a mecanização e a compra de tratores, a propriedade adotou fileira dupla, com 4 metros de vão, 2 metros de rua e 2 metros entre covas, chegando a cerca de 1.666 plantas por hectare.

A mudança de espaçamento mostra como a banana deixou de ser teste e passou a ser lavoura planejada. O desenho do plantio foi ajustado para a realidade da propriedade, o uso de máquinas e o objetivo de melhorar produtividade.

Plantio escalonado garante colheita toda semana

Banana em Mato Grosso vira fruticultura com irrigação e energia solar, 15 mil pés e colheita semanal na seca.
Imagem: Canal Rural

Uma das estratégias adotadas foi o plantio escalonado. Em vez de manter todos os talhões na mesma idade, a propriedade trabalha com áreas em diferentes fases: talhão colhendo, talhão com muda germinando, área com 4 ou 5 meses e plantas em fase de formação de cacho.

Essa organização permite ter produção ao longo de todo o ano. Segundo Eduardo, a propriedade consegue colher banana toda semana, o que ajuda a manter relação mais estável com compradores e reduz a dependência de uma única janela de comercialização.

A colheita semanal muda a lógica do negócio porque transforma a produção em fluxo contínuo. Para uma pequena propriedade, vender com regularidade pode ser tão importante quanto alcançar uma safra grande em um único momento.

A rotina de colheita é manual e ocorre uma ou duas vezes por semana. Os cachos são transportados de trator até o barracão, onde passam por separação, higienização e colocação em caixas para seguir ao comércio.

BRS Terra Anã passou a dominar o plantio

A propriedade começou com a cultivar Farta Velhaco, mas passou a buscar uma variedade de porte mais baixo e melhor adaptada às condições locais. Em 2021, houve contato com a Embrapa Fruticultura e parceria de pesquisa para avaliar genótipos de banana adequados à região.

Entre os materiais avaliados, o genótipo 88 se destacou e foi registrado como BRS Terra Anã. Hoje, segundo a transcrição, essa cultivar predomina totalmente na área da Estância São Francisco.

A escolha tem relação com características produtivas e agronômicas. A BRS Terra Anã tem porte em torno de 3 a 3,5 metros, o que ajuda em região com incidência de ventos fortes. Também foi citada como resistente à Sigatoka Amarela e ao Mal do Panamá nas raças de Fusarium presentes no Brasil.

A cultivar também foi apontada como até duas ou três vezes mais produtiva do que a Farta Velhaco em determinadas condições. A transcrição informa, porém, que ela é suscetível à Sigatoka Negra e ainda pode sofrer ataque do moleque-da-bananeira, exigindo monitoramento e controle.

Irrigação e energia solar sustentam produção na seca

A irrigação aparece como peça central do sistema. Desde o primeiro teste com as 50 mudas, o produtor já observou que a banana reagia bem quando recebia água durante a estiagem. Com a ampliação do bananal, a estrutura de irrigação também foi expandida.

A necessidade hídrica da BRS Terra Anã foi apresentada na faixa de 15 a 30 litros de água por dia, conforme o porte da planta. O técnico explicou que o produtor pode precisar fornecer volume maior do que a exigência teórica, considerando perdas por evaporação, transpiração da cultura e temperatura.

Sem irrigação, o diferencial de colher na seca ficaria comprometido. A água permite transformar o potencial produtivo da banana em produção real, especialmente nos meses em que a oferta regional diminui.

Para reduzir despesas, a Estância São Francisco investiu em energia solar. A fonte não detalha potência instalada nem custo do sistema, mas relaciona a tecnologia à tentativa de diminuir gastos da irrigação, um dos investimentos mais altos na bananicultura.

Venda a R$ 5 o quilo mantém saída regional

Após a colheita e higienização, as bananas seguem para diferentes destinos. Parte fica em Tangará da Serra, parte vai para Campo Novo e, de lá, é distribuída para cidades como Sapezal, Campo de Júlio, Brasnorte, Diamantino, Arenápolis, Nortelândia e Barra do Bugres.

Segundo a transcrição, cada quilo da banana sai por R$ 5 quando o comprador busca na propriedade. Se a venda fosse direta ao consumidor final, o valor poderia chegar a R$ 7 o quilo, mas o modelo atual prioriza o escoamento por compradores que retiram o produto na origem.

O dado mais relevante é a combinação entre colheita semanal e venda recorrente. A propriedade não depende de armazenar grandes volumes por muito tempo; o que produz, vende, segundo relato apresentado no programa.

Além do fruto, a muda da BRS Terra Anã também foi apontada como oportunidade comercial. Eduardo afirmou que há grande procura pela cultivar e que, se houvesse viveiro certificado, a venda de mudas poderia ser ainda mais lucrativa do que a produção do fruto.

Mato Grosso ainda tem espaço para ampliar a produção

A assistência técnica do Senar Mato Grosso acompanha 519 propriedades na fruticultura, segundo a transcrição. Entre as culturas atendidas aparecem banana-da-terra, mamão, maracujá e abacaxi, com forte presença da banana entre os pedidos de atendimento.

O técnico afirmou que a banana tem boa saída no estado, especialmente pela cultura de consumo em regiões como a Baixada Cuiabana. A produção local tende a ser absorvida pelo próprio mercado mato-grossense, o que reforça o potencial de expansão.

A experiência da Estância São Francisco mostra que fruticultura pode ser alternativa rentável para áreas menores quando há assistência técnica e mercado consumidor próximo. Não se trata de substituir todos os grãos, mas de abrir caminho para propriedades que precisam de alta produtividade por hectare.

Para novos produtores interessados na ATeG, o caminho citado é procurar o sindicato rural do município. Segundo a transcrição, para iniciar um grupo de atendimento é necessário reunir pelo menos 25 produtores que já tenham produção e fonte de renda.

O que o bananal mostra sobre diversificação rural

O caso da Estância São Francisco mostra que a banana deixou de ser uma aposta pontual e virou estratégia produtiva em Tangará da Serra. A cultura avançou sobre uma área antes usada para soja, passou a contar com irrigação, energia solar, assistência técnica e planejamento de colheita.

A propriedade ainda trabalha com metas de expansão, melhoria de produtividade e possível ampliação para áreas próximas a rios, onde haja água em abundância e energia acessível. O foco é aumentar área, ajustar adubação, incorporar tecnologia e melhorar o desempenho por planta.

A principal leitura é de gestão rural: o resultado veio da combinação entre teste controlado, mercado, irrigação, cultivar adequada e assistência técnica. A banana ganhou espaço porque apresentou saída comercial, respondeu ao manejo e permitiu produção contínua.

Você acha que pequenas propriedades em regiões de soja deveriam investir mais em fruticultura irrigada para diversificar renda? Deixe sua opinião nos comentários e conte se a banana pode ser uma alternativa real para áreas menores em Mato Grosso.

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Carla Teles

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