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Bola dourada misteriosa encontrada a 3,2 mil metros de profundidade no oceano intrigou cientistas por dois anos até que sequenciamento de DNA revelou que ela veio de um animal gigante inesperado

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 23/04/2026 às 10:26
Atualizado em 23/04/2026 às 10:28
A bola dourada encontrada a 3,2 mil metros no oceano era a base de uma anêmona gigante. A NOAA levou dois anos e DNA para decifrar o enigma. Entenda o caso.
A bola dourada encontrada a 3,2 mil metros no oceano era a base de uma anêmona gigante. A NOAA levou dois anos e DNA para decifrar o enigma. Entenda o caso.
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Cientistas da NOAA decifraram o mistério de uma bola dourada coletada no oceano no Golfo do Alasca em 2023, e o sequenciamento de DNA revelou que o objeto era a base morta de uma anêmona gigante da espécie Relicanthus daphneae fixada às rochas a 3,2 mil metros.

A bola dourada que viralizou nas redes sociais e desafiou pesquisadores por mais de dois anos finalmente teve sua origem revelada como anêmona gigante por um estudo com sequenciamento de DNA publicado na terça-feira (21). O objeto, localizado no fundo do oceano a mais de 3,2 mil metros de profundidade no Golfo do Alasca por um veículo operado remotamente durante a missão Seascape Alaska 5 em 2023, tinha aparência arredondada, coloração dourada e um pequeno orifício, e estava preso a uma rocha no leito oceânico. A aparência incomum da bola gerou hipóteses diversas entre os especialistas: seria uma cápsula de ovo, uma esponja morta ou algo completamente desconhecido pela ciência?

A resposta exigiu a colaboração de profissionais de múltiplas áreas. Além da equipe da NOAA, a investigação da bola dourada mobilizou especialistas do Museu Nacional de História Natural, administrado pela Smithsonian Institution, e demandou análises que combinaram morfologia, genética, conhecimentos sobre ecossistemas de águas profundas e bioinformática. Allen Collins, diretor do Laboratório Nacional de Sistemática da NOAA, descreveu o caso como um enigma complexo que exigiu esforços concentrados e competências variadas para ser solucionado, classificação que explica por que a identificação levou mais de dois anos para ser concluída.

O que a bola dourada realmente era segundo o DNA

A bola dourada encontrada a 3,2 mil metros no oceano era a base de uma anêmona gigante. A NOAA levou dois anos e DNA para decifrar o enigma. Entenda o caso.

O sequenciamento genético encerrou o mistério. A bola dourada é na verdade uma massa composta por tecido morto de uma anêmona gigante de águas profundas pertencente à espécie Relicanthus daphneae, organismo marinho que pode atingir dimensões consideráveis e que vive fixado às formações rochosas nas profundezas do oceano. O que os cientistas coletaram era a base do animal, a estrutura que o mantinha preso à rocha, composta por tecido biológico que após a morte do organismo assumiu a aparência dourada e esférica que confundiu os pesquisadores.

O caminho até essa conclusão passou por etapas progressivas de análise. Primeiro, os pesquisadores identificaram na bola células urticantes características dos cnidários, grupo zoológico que inclui corais, águas-vivas e anêmonas, o que já descartou hipóteses de que o objeto fosse mineral ou artificial. Em seguida, o sequenciamento completo do genoma confirmou que o material genético presente na estrutura era praticamente idêntico ao da Relicanthus daphneae já catalogada pela ciência, eliminando qualquer dúvida sobre a origem da bola e encerrando dois anos de especulação.

Por que a bola dourada confundiu os cientistas por tanto tempo

A dificuldade de identificação não se deveu a incompetência, mas às condições extremas do ambiente onde a bola foi encontrada. A 3,2 mil metros de profundidade, na escuridão total e sob pressão centenas de vezes maior que a da superfície, organismos marinhos assumem formas que não se parecem com nada que a biologia terrestre oferece como referência. Uma anêmona gigante viva no fundo do oceano tem aparência completamente diferente da base morta que ela deixa para trás quando perece, e sem o animal intacto para comparação, restava apenas a bola dourada como evidência.

A coloração dourada também contribuiu para a confusão. Tecidos biológicos em decomposição no fundo do mar raramente apresentam essa tonalidade, e a forma esférica quase perfeita da bola sugeria algo manufaturado ou pelo menos geologicamente moldado, não um resíduo orgânico. O orifício presente na estrutura alimentou ainda mais as teorias: alguns pesquisadores especularam que algo havia saído de dentro da bola, como se fosse um ovo do qual uma criatura tivesse eclodido, hipótese que o DNA finalmente descartou ao confirmar que se tratava de material de anêmona e não de invólucro reprodutivo.

O que a Relicanthus daphneae é e por que surpreendeu os cientistas

A espécie identificada pelo DNA da bola dourada é uma das anêmonas mais enigmáticas já catalogadas. A Relicanthus daphneae habita profundidades extremas do oceano, fixa-se a substratos rochosos e pode alcançar tamanho significativo em comparação com anêmonas de águas rasas, características que a tornam difícil de estudar porque vive em regiões acessíveis apenas por veículos submarinos não tripulados. O fato de que uma bola dourada encontrada por acaso durante uma expedição exploratória tenha se revelado como parte dessa espécie ilustra quanto do oceano profundo permanece desconhecido.

A descoberta acrescenta dados valiosos sobre a distribuição geográfica da espécie. Antes da análise da bola pela NOAA, a presença da Relicanthus daphneae no Golfo do Alasca não era tão bem documentada, e o achado expande o mapa de ocorrência desse organismo em profundidades abissais. Para os biólogos marinhos, cada fragmento de informação sobre espécies de águas profundas é relevante porque o ambiente é tão vasto e tão pouco explorado que mesmo encontros acidentais como esse podem representar avanços significativos no entendimento da biodiversidade oceânica.

O que a bola dourada revela sobre o quanto ainda desconhecemos do oceano

O capitão William Mowitt, diretor de Exploração Oceânica da NOAA, afirmou que a investigação da bola é exemplo de por que a exploração do oceano profundo precisa continuar. Técnicas avançadas como o sequenciamento de DNA permitem que a NOAA decifre mistérios que há uma geração seriam classificados como inexplicáveis, e cada expedição ao fundo do mar produz encontros com organismos, formações e fenômenos que a ciência ainda não catalogou. Se uma estrutura dourada presa a uma rocha a 3,2 mil metros de profundidade levou dois anos e nove cientistas para ser identificada, o volume do que permanece sem explicação nos oceanos é inimaginável.

A história da bola dourada funciona como lembrete de que o fundo do mar é o ambiente menos explorado do planeta. Mais de 80% do leito oceânico global nunca foi mapeado em alta resolução, e espécies como a Relicanthus daphneae representam uma fração ínfima da biodiversidade que provavelmente existe em profundidades onde a luz solar jamais alcança. A bola que intrigou a internet e mobilizou laboratórios era apenas a base morta de uma anêmona, mas o caminho para chegar a essa resposta revelou tanto sobre os limites do conhecimento humano quanto sobre o animal que a produziu.

E você, apostaria que a bola dourada era resto de anêmona ou teria chutado algo mais exótico? Acha que devemos investir mais na exploração dos oceanos? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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