Em apenas 14 anos, Três Lagoas saiu de R$ 3,9 bilhões para R$ 65,9 bilhões, ganhou status de Capital da Celulose, expandiu empregos formais e acelerou investimentos que mudam o mapa industrial brasileiro.
Três Lagoas vive uma transformação econômica que mudou o tamanho da cidade no mapa industrial do Brasil. Em 14 anos, o município saiu de uma base mais ligada à pecuária e ao comércio local para se consolidar como um dos maiores polos da celulose no país.
O avanço aparece nos números e também na rotina urbana. O PIB saltou de R$ 3,9 bilhões para R$ 65,9 bilhões, enquanto a renda por habitante avançou com força e colocou a cidade entre as mais ricas do Brasil nesse indicador.
PIB cresce 17 vezes e renda dispara em Três Lagoas
A mudança de escala impressiona. O PIB per capita chegou a R$ 104.352, marcando um crescimento de 170% e reforçando o peso que a atividade industrial passou a ter na economia local.
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Esse novo ciclo transformou Três Lagoas em referência nacional de planejamento produtivo. A cidade ganhou musculatura econômica, aumentou a arrecadação e passou a atrair novos negócios em ritmo acelerado.
Celulose coloca a cidade na liderança nacional

A virada começou com a instalação da fábrica da Eldorado Brasil em 2010 e com a entrada em operação plena em 2012. A partir daí, o município passou a liderar a produção de celulose em Mato Grosso do Sul e ganhou força no cenário nacional.
O título de Capital da Celulose foi oficializado por lei federal em 2021. Em 2024, o município arrecadou US$ 2,29 bilhões, o equivalente a R$ 12,71 bilhões, com exportações do setor, consolidando sua posição de destaque.
Empregos avançam 61,7% e cidade ganha novo ritmo urbano
O crescimento econômico puxou uma série de mudanças práticas. A população passou de 101.791 habitantes em 2010 para cerca de 141.435 em 2024, enquanto os empregos formais subiram de 27.181 para 43.970.
Só em 2024, mais de 2.900 novos empreendimentos foram registrados. O ambiente de negócios ficou mais forte, os serviços se expandiram e a cidade passou a operar em outro patamar de consumo, circulação de renda e demanda por infraestrutura.
Dados do IBGE mostram salto da arrecadação e da renda local
Segundo IBGE, instituto oficial de estatísticas e estudos do Brasil, o avanço econômico também elevou com força a arrecadação municipal. O ISS saiu de R$ 28,1 milhões para R$ 129,7 milhões entre 2010 e 2024, enquanto o ICMS avançou de R$ 53,1 milhões para R$ 305,6 milhões.
Esse aumento de receita ajudou a ampliar a capacidade de investimento público. O reflexo aparece na pavimentação urbana, na expansão de serviços e no fortalecimento de áreas como saúde, educação, lazer e gastronomia.
Fábrica supera capacidade nominal e chega a 1,8 milhão de toneladas
A unidade da Eldorado em Três Lagoas passou a operar acima da capacidade inicialmente prevista. A produção chegou a quase 1,8 milhão de toneladas de celulose em 2024, mesmo com parada técnica no período.
O resultado foi alcançado com uso de tecnologias da Indústria 4.0, inteligência artificial e sistemas de logística automatizada. Na prática, isso permitiu mais eficiência, melhor controle operacional e ganho contínuo de produtividade.
Vale da Celulose atrai R$ 50 bilhões até 2028
A força de Três Lagoas faz parte de um movimento maior no estado. O setor de base florestal em Mato Grosso do Sul deve receber R$ 50 bilhões em investimentos até 2028, com área plantada de 1,35 milhão de hectares entre eucalipto e pinus.
O chamado Vale da Celulose, formado por 11 municípios, ganhou reconhecimento oficial e passou a atrair fornecedores, prestadores de serviço e grandes grupos empresariais. Em 2024, a Eldorado contratou 690 fornecedores, sendo 92% deles do próprio estado.
Logística, ferrovia e energia limpa sustentam a nova fase
A expansão também depende de logística pesada. Em 2024, foi leiloada a concessão da Rota da Celulose, projeto de R$ 10 bilhões voltado à melhoria de 870 km de rodovias federais e estaduais.
Outro ponto estratégico está na ligação ferroviária com a Malha Norte e no terminal portuário EBLog, que recebeu R$ 550 milhões e elevou em 30% a eficiência dos embarques. Na energia, a usina Onça Pintada, inaugurada em 2021, gera 50 MW com biomassa, reforçando a autossuficiência da operação.
Três Lagoas deixou de ser apenas um centro regional para ocupar posição central na indústria brasileira de celulose. O efeito aparece na renda, no emprego, na arrecadação e na capacidade de atrair investimentos em cadeia.
Com produção em escala, infraestrutura reforçada e avanço da logística, a cidade consolida uma nova leitura sobre desenvolvimento industrial no interior do país. Esse movimento reposiciona o Centro Oeste e muda a leitura estratégica.

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