Projeto ambiental em Santos aposta na recuperação da vegetação de restinga para conter erosão costeira, reduzir impactos das ressacas e proteger trechos vulneráveis da praia do José Menino, área que enfrenta pressão crescente do avanço do mar e mudanças climáticas no litoral paulista.
Santos, no litoral de São Paulo, iniciou a implantação do Parque Jundu, área de preservação da vegetação de restinga na faixa de areia da praia do José Menino, entre a divisa com São Vicente e o Novo Quebra-Mar, em uma região considerada vulnerável à erosão costeira e às ressacas.
Com a criação do espaço, a prefeitura pretende utilizar a vegetação como barreira natural contra o avanço do mar, protegendo trechos da orla onde o jundu voltou a surgir gradualmente nos últimos anos após décadas de intensa urbanização da faixa litorânea.
Os trabalhos começaram em 23 de abril, depois da conclusão dos estudos de viabilidade que analisaram as condições ambientais e o comportamento da vegetação no trecho escolhido para implantação do parque.
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Nesta primeira etapa, as equipes atuam na retirada de espécies invasoras, na limpeza de resíduos acumulados na areia e no mapeamento da área que deverá ser cercada para garantir a preservação do espaço em regeneração.
A iniciativa foi definida pelo Grupo Técnico de Trabalho Pró-Jundu e integra ações de adaptação climática previstas no programa Santos Sustentável, lançado pela prefeitura em março de 2025.
Parque Jundu será criado em trecho vulnerável da praia de Santos
O futuro parque ficará em uma área já mapeada da praia do José Menino, em frente aos edifícios conhecidos pela inclinação e próximos à divisa com São Vicente, trecho frequentemente associado aos impactos provocados pela força das ondas.

Por estar entre os pontos mais expostos da orla santista, a região passou a ser acompanhada com maior atenção pelo município, especialmente diante do aumento das ressacas e do desgaste constante da faixa de areia.
A ideia central é isolar o trecho onde o jundu reapareceu, permitindo que a vegetação se desenvolva sem pisoteio, descarte irregular de resíduos ou interferências humanas que possam comprometer a regeneração natural.
Além da função ambiental, o espaço servirá para coleta de dados, monitoramento técnico e ações de educação ambiental.
A prefeitura pretende usar a área para acompanhar o comportamento da restinga em ambiente urbano.
Vegetação de restinga ajuda a conter erosão e avanço do mar
Característico do litoral brasileiro, o jundu é formado por espécies adaptadas ao vento, à salinidade, ao calor intenso e à instabilidade da areia, fatores que dificultam o desenvolvimento de outros tipos de vegetação na faixa costeira.
Por causa dessa resistência natural, a restinga funciona como uma proteção importante em áreas sujeitas à erosão, ajudando a reduzir a movimentação da areia e os danos provocados pelas ressacas ao longo da orla.
Essa vegetação ajuda a fixar e estabilizar a faixa de areia, reduzindo a perda de sedimentos provocada pelas ondas.
Em eventos de ressaca, também contribui para diminuir os impactos do avanço da água sobre a orla.
Em Santos, a restinga foi reduzida ao longo do processo de urbanização e ocupação da praia.
Mesmo assim, a administração municipal afirma que algumas manchas de vegetação voltaram a aparecer nos últimos anos.
Projeto ambiental teve apoio de conselho e entidades
Os estudos de viabilidade foram apresentados em abril ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, com participação de representantes da sociedade civil, instituições ambientais, universidades, ONGs e secretarias municipais.
Segundo a prefeitura, houve consenso favorável à implantação do projeto entre os participantes.
A etapa abriu caminho para a retirada de espécies invasoras e para o futuro cercamento da área em regeneração.
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello, afirmou que a proposta busca permitir que a natureza recupere espaço em uma área urbanizada da cidade.
“A intenção é permitir que a natureza retome seu espaço, protegendo as áreas em regeneração contra interferências humanas”, declarou Farinello, em nota divulgada pela administração municipal.
Ele também afirmou que a recomposição do jundu mostra ser possível conciliar urbanização e conservação ambiental, desde que haja planejamento, políticas públicas integradas e participação da sociedade.
Restinga ganha papel estratégico no combate às mudanças climáticas
Além de ajudar na proteção da areia, o jundu também serve de abrigo para insetos, aves e pequenos animais que dependem desse tipo de vegetação para sobreviver em áreas urbanizadas do litoral.
Ao mesmo tempo, a presença da restinga contribui para o equilíbrio do microclima da faixa litorânea, colaborando para a regulação da temperatura e para a manutenção das características naturais do ambiente costeiro.
Áreas de restinga estão associadas ao bioma Mata Atlântica e cumprem papel relevante na conservação de ecossistemas costeiros.
Em estratégias climáticas, ajudam na captura de carbono e na regulação de temperatura.
A criação do Parque Jundu se soma a outras medidas do Santos Sustentável, programa que prevê ações baseadas na natureza para reduzir riscos ambientais e ampliar áreas verdes no município.
Entre as iniciativas já informadas pela prefeitura está o plantio de 2,4 mil novas árvores na área insular de Santos.
A gestão municipal relaciona essas ações ao enfrentamento de impactos climáticos na Baixada Santista.
Santos aposta em soluções naturais para proteger a orla
A implantação do parque ocorre em um momento de preocupação crescente com os efeitos da elevação do nível do mar, das ressacas frequentes e da erosão em cidades costeiras altamente urbanizadas do país.
Em razão da localização geográfica e da ocupação intensa da orla, Santos aparece entre os municípios que acompanham mais de perto os impactos climáticos associados ao avanço da água sobre a faixa de areia.
Na prática, a preservação do jundu não substitui outras políticas de adaptação climática, mas funciona como uma medida complementar.
A aposta é usar a própria vegetação costeira para fortalecer a proteção da praia. O cercamento da área será uma das próximas etapas após a limpeza e o mapeamento.
A partir disso, o trecho deverá ficar reservado para o desenvolvimento da restinga, com acompanhamento técnico e manejo adequado.
A prefeitura afirma que o projeto também terá função educativa, aproximando moradores e visitantes da importância da vegetação costeira.
A expectativa é que o parque ajude a mudar a relação da população com a faixa de areia.
O avanço da água em trechos da orla reforçou a necessidade de medidas permanentes de adaptação. Em Santos, a resposta agora passa pela recuperação de uma vegetação que já fazia parte da paisagem natural do litoral.
