Uma construção inédita no Mar do Norte reúne engenharia pesada, energia eólica offshore e estruturas gigantes de concreto em um projeto que pode mudar a forma como a eletricidade é transmitida em alto-mar.
A Bélgica está construindo no Mar do Norte uma ilha artificial projetada para concentrar e transmitir eletricidade gerada por parques eólicos offshore.
Batizada de Princess Elisabeth Island, a estrutura ficará a cerca de 45 quilômetros da costa belga e terá as paredes externas formadas por 23 caixões de concreto, cada um com peso aproximado de 22 mil toneladas.
Descrita pela Elia e pelas empresas responsáveis pela obra como a primeira ilha artificial de energia do mundo, a estrutura será usada como ponto de conexão entre turbinas instaladas no mar, cabos submarinos, rede elétrica da Bélgica e futuros interconectores internacionais.
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O projeto é desenvolvido pela operadora belga Elia e executado pela TM Edison, consórcio formado por DEME e Jan De Nul.
Como a ilha artificial será formada no Mar do Norte
As estruturas usadas na construção são conhecidas como caixões de concreto.
Esse tipo de peça é fabricado em terra, transportado até o mar e instalado no ponto definido do projeto.
No caso da Princess Elisabeth Island, os blocos formarão o contorno externo da ilha e funcionarão como base para a área que receberá a infraestrutura elétrica.
Cada caixão mede aproximadamente 58 metros de comprimento, 28 metros de largura e entre 23 metros e 32 metros de altura, conforme a configuração das paredes contra tempestades.
Em outra divulgação técnica, a DEME apresentou dimensões aproximadas de 57 metros por 30 metros por 30 metros, diferença compatível com variações de descrição e configuração dos blocos.
A fabricação ocorreu em Vlissingen, nos Países Baixos.
Segundo a DEME, o último caixão foi concluído e colocado para flutuar em janeiro de 2026, encerrando a fase de construção dessas estruturas no estaleiro.
Depois disso, os blocos seguiram para o terminal Scaldia, onde passam por trabalhos finais antes da instalação offshore dos elementos restantes.
Energia eólica offshore na Bélgica
A Princess Elisabeth Island faz parte da expansão da energia eólica no Mar do Norte, região usada por países europeus para projetos de geração renovável em alto-mar.
A ilha ficará associada à Princess Elisabeth Zone, área belga destinada a novos parques eólicos offshore.
O objetivo é reunir a eletricidade gerada por esses parques e enviá-la ao continente por meio de infraestrutura de alta tensão.
Segundo publicações do setor e documentos do projeto, a ilha deverá servir como ponto de conexão para ao menos 2,1 GW de energia eólica offshore gerada na região.
O Banco Europeu de Investimento também informa que o projeto integra uma etapa de transmissão ligada a novos parques planejados e a interconectores conectados à rede elétrica terrestre.
A infraestrutura elétrica prevista para a ilha combinará sistemas de corrente alternada de alta tensão, chamados de HVAC, e de corrente contínua de alta tensão, conhecidos pela sigla HVDC.
A corrente alternada é usada amplamente nas redes elétricas, enquanto a corrente contínua costuma ser aplicada em transmissões de longa distância e em cabos submarinos de grande capacidade.
Essa combinação está no centro da classificação do projeto como a primeira ilha artificial de energia com esse arranjo.
Segundo a DEME, a infraestrutura de alta tensão instalada no local deverá agrupar os cabos vindos dos parques eólicos da Princess Elisabeth Zone e permitir futuras conexões com outros países europeus.

Blocos de concreto de 22 mil toneladas
A instalação offshore dos caixões começou em abril de 2025, quando as duas primeiras estruturas foram submersas no local previsto para a ilha, a 45 quilômetros da costa belga.
A campanha de instalação daquele ano foi concluída em outubro, e a retomada dos trabalhos no mar foi prevista para a primavera europeia de 2026.
No contexto técnico da obra, o processo é descrito como transporte, posicionamento e submersão controlada dos caixões.
Embora o título use o verbo “afundar”, a operação não consiste em lançar as estruturas ao mar sem controle.
Os blocos precisam ser alinhados para formar uma barreira externa contínua e compatível com o desenho da ilha.
Depois da formação do perímetro, a parte interna será preparada para receber areia, camadas de proteção e os equipamentos elétricos previstos no projeto.
Segundo a DEME, a ilha será formada com cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos de areia extraída localmente.
A obra foi planejada para uma área sujeita a vento, ondas e correntes marítimas.
Por isso, os caixões incorporam paredes externas e elementos de proteção definidos de acordo com as condições do Mar do Norte.
A instalação também depende de janelas climáticas adequadas, fator comum em obras offshore de grande porte.
Biodiversidade na Princess Elisabeth Island
Além da função elétrica, a Princess Elisabeth Island recebeu medidas de desenho voltadas à biodiversidade, segundo a Elia.
A empresa afirma que o projeto inclui soluções chamadas de “nature-inclusive design”, ou desenho inclusivo para a natureza, desenvolvidas com apoio de especialistas em conservação, restauração marinha e ecologia.
Entre as medidas previstas estão saliências nas paredes externas para descanso e reprodução da gaivota-tridáctila, conhecida em inglês como black-legged kittiwake, além de estruturas submersas voltadas a organismos marinhos.
A Elia também cita painéis de relevo, proteção contra erosão com maior complexidade estrutural e soluções relacionadas à ostra-europeia.
O projeto NID4BirdLIFE, cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia, tem duração prevista de 6,5 anos e é voltado à criação de áreas de reprodução para a gaivota-tridáctila na ilha.
De acordo com a Elia, a espécie está classificada como ameaçada na região do Mar do Norte pela Lista Vermelha Europeia de Aves, e o plano prevê monitoramento com câmeras instaladas nas estruturas de nidificação.
A própria Elia informa que os resultados ambientais serão acompanhados por um programa de monitoramento científico.
Essa etapa é necessária porque a resposta de aves, moluscos, peixes e outros organismos à presença da ilha dependerá da ocupação real desses habitats e das condições do ambiente marinho ao longo do tempo.
Rede elétrica offshore no Mar do Norte
A construção da ilha está ligada ao avanço de redes elétricas offshore no Mar do Norte.
Nesse modelo, parte da geração ocorre em parques eólicos distantes da costa, e a energia precisa ser reunida, convertida quando necessário e transmitida por cabos submarinos até pontos de conexão em terra.
A Princess Elisabeth Island também foi planejada para atuar como ponto de chegada de interconectores entre a Bélgica e outros países.
Segundo a Elia, a estrutura poderá funcionar como hub para cabos internacionais, o que permitiria troca de eletricidade entre sistemas nacionais e conexão com parques eólicos de outras áreas do Mar do Norte.
O financiamento também mostra a dimensão estratégica atribuída ao projeto por instituições europeias.
Em outubro de 2024, o Banco Europeu de Investimento anunciou um acordo de financiamento de 650 milhões de euros com a Elia Transmission Belgium para apoiar a primeira fase da Princess Elisabeth Island.
O custo total aproximado indicado na ficha do projeto do banco é de 1,105 bilhão de euros para essa etapa.
Na prática, a ilha será uma infraestrutura técnica em alto-mar.
Sua função principal será reunir cabos, abrigar equipamentos de alta tensão e permitir a transmissão da eletricidade produzida por turbinas eólicas offshore.
A estrutura não foi apresentada pelas empresas como área residencial ou turística.
O interesse público em torno do projeto vem da escala dos blocos de concreto, da instalação controlada em ambiente marítimo e do papel da ilha na transmissão de energia renovável.
A obra também permite acompanhar como países costeiros estão adaptando a rede elétrica para lidar com parques eólicos cada vez mais distantes da terra firme.


Mais uma **** que estão a fazer pois se colocam 23 blocos enormes no mar para onde vai a água se esses blocos vão ocupar o espaço dela?
Depois vêem com a desculpa da proteção climática e que o degelo dos calopes glaciares do polo norte e sul está a aumentar o nível do mar será????
Tudo mentira 😡😡😡😡😡😡
Faça as contas… 23 blocos desse tamanho ocupariam um volume equivalente a mais ou menos 1,2 bilhão de litros de água. Isso representaria um aumento de, aproximadamente, 0,0000000003 centímetros de aumento no nível do mar. Insignificante perto do aumento anual de 0,3 a 0,4 centímetros devido às mudanças climáticas. Seriam necessárias 100 milhões ilhas dessas pra chegar a esse número. Seja mais reflexivo antes de acreditar em fake news.
Fortunately, I had the pleasure of participating in this project, I was involved from the laying of the first stone to the last, and I can assure you that it doesn’t work exactly as you’re thinking, my friend.These same coffins are made up of 23 cells, which are filled with water, which is why they are partially sunk to the desired level, Since they are purposefully hollow in each of their cells, As soon as the immersion process begins in the designated area, the same water used to stabilize and facilitate movement will be removed and returned to the sea.Replacing it with sand from the seabed… In other words, there will be no clear changes to the sea level; this project was very well thought out and designed, I believe with these points in mind…As for its own weight or structural weight, I don’t think it makes a big difference when it comes to sea level. 🤨
Bom dia ! A Ilha Princesa Elisabeth (Bélgica , Mar do Norte) é um State of Art da Engenharia Moderna ! . Obra que vislumbra atingir além do objetivo principal, externalidades positivas agregando outros benefícios além do principal (energia eólica). 👍
Um projeto genial, e que poderá deixar de depender parcialmente de países que vendem energia por outros métodos mais caros.