Em discurso marcado por forte simbolismo, Xi Jinping afirmou que a China “nunca se intimida com valentões”, em meio às crescentes tensões comerciais e políticas com os EUA.
Durante uma cerimônia militar em Pequim, o presidente Xi Jinping reafirmou a posição da China diante das pressões externas. O líder declarou que o país “nunca se intimida com valentões”, em um momento de disputas comerciais e tecnológicas com os EUA. O discurso ocorreu diante de milhares de soldados e foi acompanhado por líderes aliados a Pequim.
A fala de Xi não citou nominalmente os Estados Unidos, mas diplomatas chineses frequentemente utilizam a expressão “valentões” para criticar Washington e o que chamam de “hegemonia ocidental”. Essa retórica reforça a estratégia de Xi em consolidar a China como um contraponto direto à ordem global liderada pelos americanos.
Histórico de resistência e busca por protagonismo global
Em sua fala, Xi recordou momentos históricos em que o povo chinês enfrentou forças estrangeiras. Ele afirmou: “No passado, diante de lutas cruciais entre o bem e o mal, a luz e as trevas, o progresso e a reação, o povo chinês se uniu para derrotar o inimigo.”
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Esse resgate da memória nacional está ligado ao chamado “século de humilhação”. Entre o fim do Império Qing e a formação da República da China, o país foi subjugado por potências estrangeiras, perdendo territórios estratégicos como Hong Kong, Manchúria e parte de Xangai. Ao mencionar esse período, Xi reforça seu compromisso de restaurar a grandeza nacional e posicionar a China como força central no cenário global.
Relações tensas entre China e EUA
O discurso ocorre em meio a um cenário delicado. Disputas comerciais, embargos tecnológicos e divergências sobre segurança internacional têm marcado as relações entre China e Estados Unidos. Pequim considera que as políticas de Washington buscam frear seu avanço econômico e tecnológico.
A pressão americana em áreas como semicondutores, infraestrutura digital e defesa é vista por Xi como tentativa de manter a supremacia dos EUA. Em resposta, o governo chinês acelera parcerias estratégicas, fortalece o desenvolvimento interno e se apresenta como alternativa a um mundo multipolar.
Xi Jinping, aliados estratégicos e desafio à hegemonia ocidental
A estratégia de enfrentamento não ocorre de forma isolada. Em um gesto simbólico, Xi Jinping apareceu ao lado de líderes como Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte. A presença dos dois reforça a construção de um bloco alinhado em oposição direta ao modelo de poder liderado pelos EUA.
Esse movimento tem como objetivo criar uma nova ordem internacional, menos dependente das estruturas ocidentais.
