Programa lançado por Mao Tsé-Tung integrou saneamento, economia e mobilização popular, eliminou bilhões de aves, desequilibrou ecossistemas, agravou pragas agrícolas e contribuiu diretamente para a Grande Fome Chinesa nacional histórica
O Mao Tsé-Tung lançou, em 1958, o Grande Salto Adiante, programa estatal que buscava industrializar rapidamente a China e elevar sua prosperidade, desencadeando campanhas massivas que afetaram o ambiente e a segurança alimentar nacional.
Campanha sanitária integrada ao projeto econômico
Uma das ações foi a Campanha das Quatro Pragas, conhecida como Grande Campanha dos Pardais, integrada ao projeto político de Tsé-Tung para reorganizar a economia e a sociedade.
O governo difundiu a ideia de que ratos, moscas, mosquitos e pardais transmitiam doenças, justificando políticas públicas de extermínio em larga escala, com apoio institucional e mobilização popular.
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Alvo de intensa controvérsia, desde sua ampla divulgação, a eliminação da escala 6 x 1 – sob o argumento inconsistente de que ela implicaria ‘ganhos de produtividade’ e até ‘de renda’ à classe trabalhadora – não resiste ao mais elementar princípio econômico. Isso porque, sem ganhos de produtividade efetivos, haverá custo extra a ser suportado pelas empresas, ‘regiamente’ repassado ao consumidor final, sempre ele.
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Além do discurso sanitário, produtores rurais reclamavam da perda de grãos causada por aves, estimando-se que um pardal consumia cerca de 4 quilos por ano, prejudicando rendimentos agrícolas.
A estratégia prometia elevar a produção, alinhando-se ao objetivo de acelerar o crescimento, mas ignorava efeitos ecológicos básicos, gerando decisões baseadas em cálculos simplificados e politicamente convenientes.
Mobilização popular e métodos de extermínio
Em 1960, cidadãos foram incentivados a participar ativamente, utilizando panelas, frigideiras e tambores para impedir pousos, levando pardais à exaustão e morte progressiva.
Quando isso não funcionava, recorriam a disparos, destruição de ninhos e quebra de ovos, ampliando drasticamente o número de aves abatidas em todo o território.
Como colaboradores do plano estatal, participantes recebiam recompensas e reconhecimento oficial, o que reforçou o engajamento coletivo e acelerou a eliminação de aproximadamente 1 bilhão de pássaros.
Desequilíbrio ambiental e colapso produtivo
A eliminação dos pardais produziu um severo desequilíbrio ambiental, agravando danos já associados ao desmatamento e ao uso demasiado de pesticidas promovidos pelo projeto desenvolvimentista.
Sem predadores naturais, gafanhotos e lagartas se multiplicaram rapidamente, destruindo lavouras e comprometendo colheitas essenciais à subsistência da população chinesa.
A consequência direta foi a fome generalizada, episódio conhecido como Grande Fome Chinesa, que resultou na morte de entre 20 a 50 milhões de pessoas.
Tentativas tardias de correção
Diante do desastre, o governo tentou reparar os danos importando pássaros da União Soviética para conter pragas agrícolas que haviam se tornado incontroláveis.
A medida, contudo, foi tardia e insuficiente, incapaz de reverter perdas humanas, ecológicas e produtivas acumuladas ao longo da campanha e do objetivo político inicial.
O episódio permanece como antecedente histórico de políticas públicas que desconsideram interdependências ambientais, evidenciando como decisões centralizadas podem gerar efeitos irreversíveis sobre sociedades inteiras.
Com informações de Aventuras na História.

