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O Brasil assume papel central na nova era da conectividade ao receber a operação chinesa de internet orbital, criando um cenário em que a Starlink deixa de atuar sozinha e passa a enfrentar concorrência direta nos céus do país

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 01/12/2025 às 10:01
A nova rede chinesa começa a operar no Brasil com a promessa de ampliar a internet em áreas isoladas, criando uma competição inédita com a Starlink e reposicionando o país como peça-chave na corrida digital global
A nova rede chinesa começa a operar no Brasil com a promessa de ampliar a internet em áreas isoladas, criando uma competição inédita com a Starlink e reposicionando o país como peça-chave na corrida digital global
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O Brasil acaba de entrar no centro de uma disputa internacional que promete transformar a conectividade em todo o hemisfério sul. A empresa chinesa SpaceSail, com sede em Xangai, iniciou oficialmente suas operações no país e revelou um plano ambicioso para levar internet via satélite ultrarrápida às regiões mais remotas do território brasileiro, competindo diretamente com a Starlink, de Elon Musk.

A nova etapa marca o início de uma disputa bilionária na órbita terrestre, onde Estados Unidos e China travam uma das corridas tecnológicas mais estratégicas da última década. Especialistas acreditam que essa competição pode redefinir a forma como o mundo se conecta e abrir caminho para um novo equilíbrio geopolítico no setor digital.

Brasil recebe a primeira base chinesa de internet espacial

A entrada da SpaceSail no país foi viabilizada por um acordo firmado com a Telebras para ampliar o acesso à banda larga em áreas que não contam com infraestrutura de fibra óptica.

A empresa pretende lançar 648 satélites de órbita baixa ainda este ano e expandir sua constelação para cerca de 15 mil unidades até 2030. A cobertura deve alcançar mais de 30 países, incluindo grande parte da América do Sul.

Satélite da SpaceSail em órbita baixa equipado com matriz solar de alta eficiência, antenas phased array e módulos de comunicação capazes de operar entre 500 e 2.000 km de altitude

O investimento é robusto. Em 2024, a companhia levantou 6,7 bilhões de yuans, valor equivalente a aproximadamente 4,8 bilhões de reais, em uma rodada de financiamento conduzida por um fundo estatal chinês responsável por impulsionar tecnologias espaciais.

Segundo informações da Reuters, parte desse montante está sendo direcionado para a construção de centros de controle e antenas em solo. Um dos primeiros já está em funcionamento no Brasil, consolidando o país como peça estratégica da operação chinesa no hemisfério sul.

Um rival à altura da Starlink

A Starlink conta com perto de 7 mil satélites de órbita baixa operando atualmente e planeja fechar a década com uma constelação de até 42 mil unidades. A SpaceSail segue uma estratégia semelhante, mas com um diferencial importante: o apoio direto do governo chinês como parte de um projeto nacional de soberania digital.

A China também desenvolve a constelação Qianfan, chamada de Mil Velas, além de outros programas paralelos que somam mais de 43 mil satélites planejados.

Esse conjunto de iniciativas faz parte da política de autonomia tecnológica promovida por Pequim e tem gerado preocupação entre países ocidentais, que receiam uma possível exportação do modelo de controle de informação da internet chinesa.

Por que os satélites LEO são tão importantes

Satélites LEO formam uma malha de comunicação em órbita baixa, garantindo internet mais rápida, menor latência e cobertura ampliada em regiões remotas

Os satélites usados pela SpaceSail operam em altitudes que variam de 500 a 2 mil quilômetros da superfície terrestre, muito abaixo dos satélites tradicionais. Essa proximidade permite velocidades bem maiores e latência reduzida, características essenciais para transmissões ao vivo, partidas de games online e videoconferências estáveis.

A tecnologia é a mesma utilizada pela Starlink, que domina o mercado global de internet remota e rural.

Com a entrada dos chineses, analistas acreditam que o setor pode passar por uma forte queda de preços e uma ampliação significativa da cobertura, especialmente em regiões onde a infraestrutura de telecomunicações ainda é limitada, como a Amazônia Legal, zonas rurais do Nordeste e áreas montanhosas do Sudeste.

Outros concorrentes também tentam avançar, como a OneWeb, que possui cerca de 630 satélites em operação, e o Projeto Kuiper, da Amazon, que prevê o lançamento de mais de 3 mil unidades.

Nenhum deles, porém, apresenta escala comparável às megaconstelações planejadas por China e Estados Unidos.

Brasil se torna protagonista da nova corrida digital

Com a instalação da SpaceSail, o Brasil se confirma como o primeiro país fora da Ásia a receber uma base chinesa de internet espacial.

A expectativa é que, em poucos anos, o país se transforme em centro de redistribuição de sinal para Peru, Bolívia, Paraguai e outras nações vizinhas, ampliando a influência chinesa no espaço orbital sul-americano.

Para milhões de brasileiros que ainda vivem sem acesso a serviços estáveis de conectividade, essa disputa pode representar uma virada histórica.

A expansão da SpaceSail é vista por especialistas como um passo decisivo rumo a uma internet mais acessível, moderna e inclusiva, capaz de reduzir desigualdades e acelerar a transformação digital em toda a América do Sul.

A corrida agora avança para além da Terra e se estabelece nos céus. E o Brasil surge como um dos principais protagonistas dessa nova fase da conectividade global.

A chegada dessa nova tecnologia mostra como a disputa no espaço já afeta diretamente o nosso dia a dia. O que você acha dessa transformação na conectividade do Brasil? Deixe seu comentário e participe da conversa

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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