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Asfalto que carrega veículo elétrico em movimento já é realidade: Detroit adotou bobinas sob a via para recarga sem fio, enquanto a França testou com sucesso a transferência de mais de 300 kW em tráfego real de caminhões e ônibus perto de Paris

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 03/07/2026 às 21:51 Atualizado em 03/07/2026 às 21:56
Em Detroit, bobinas sob o asfalto fazem a recarga sem fio de carros elétricos em movimento, e na França uma rodovia já transferiu mais de 300 kW.
Em Detroit, bobinas sob o asfalto fazem a recarga sem fio de carros elétricos em movimento, e na França uma rodovia já transferiu mais de 300 kW.
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Uma rua aparentemente comum de Detroit, nos Estados Unidos, esconde uma tecnologia que parece de filme de ficção científica, já que, em um trecho da 14th Street, no distrito de Michigan Central, carros elétricos podem receber carga sem fio enquanto passam sobre o asfalto.

Em vez de parar o carro, conectar um cabo e esperar a bateria recuperar energia, o próprio caminho ajuda na recarga, em um sistema que está em fase de testes, mas já funciona na via pública americana.

Segundo informações divulgadas pelo portal do NSC Total, o segredo está em bobinas instaladas sob o pavimento, que funcionam por indução, um princípio parecido com o dos carregadores sem fio de celular, mas em escala muito maior. Quando um veículo elétrico equipado com receptor compatível passa sobre a área eletrificada, o sistema ativa as bobinas no chão e cria um campo magnético, cuja energia é captada pelo receptor do carro e enviada para a bateria.

O asfalto de Detroit que carrega em movimento

Van elétrica usada nos testes da via de recarga sem fio instalada em Detroit, nos Estados Unidos (Michigan Central, divulgação)
Van elétrica usada nos testes da via de recarga sem fio instalada em Detroit, nos Estados Unidos (Michigan Central, divulgação)

Em um trecho da 14th Street, no distrito de Michigan Central, o asfalto de Detroit foi preparado para transferir energia a carros elétricos sem a necessidade de um cabo.

Em vez de parar o veículo e conectar um carregador, o próprio caminho ajuda na recarga, em uma solução que ainda está em fase de testes, mas já funciona em via pública nos Estados Unidos.

A rua, porém, não carrega qualquer elétrico que passar por ali, porque o veículo precisa ter um equipamento específico da Electreon.

De acordo com a Prefeitura de Detroit, as bobinas sob o asfalto só são ativadas quando um veículo com receptor aprovado passa sobre elas, e a tecnologia pode funcionar tanto com o carro parado quanto em movimento.

As bobinas e a indução sob o pavimento

Estrutura de carregamento sem fio instalada sob o asfalto permite transferir energia para veículos compatíveis (Michigan Central, divulgação)
Estrutura de carregamento sem fio instalada sob o asfalto permite transferir energia para veículos compatíveis (Michigan Central, divulgação)

O funcionamento do asfalto eletrificado está em bobinas instaladas sob o pavimento, que operam por indução, o mesmo princípio dos carregadores sem fio de celular, mas em escala muito maior.

Quando um veículo com receptor compatível passa sobre a área eletrificada, o sistema ativa as bobinas no chão e cria um campo magnético.

Essa energia é então captada pelo receptor instalado no carro e enviada para a bateria, sem que o motorista precise encostar em qualquer cabo.

É esse conjunto sob o asfalto que permite a transferência de energia em movimento, algo que aproxima a recarga de carro da mesma lógica usada para carregar um celular sobre uma base.

Por que a recarga sem fio pode mudar os elétricos

A grande promessa desse tipo de asfalto está em reduzir a chamada ansiedade de autonomia, nome dado ao medo de ficar sem bateria antes de encontrar um ponto de recarga.

Se a tecnologia avançar, parte da energia gasta durante o trajeto poderia ser recuperada enquanto o veículo circula, o que não faria os carregadores tradicionais desaparecerem, mas abriria espaço para uma nova forma de pensar a infraestrutura elétrica.

O maior impacto pode estar em frotas urbanas, como ônibus, vans, caminhões de entrega e veículos que fazem rotas repetidas, nas quais bastaria eletrificar pontos estratégicos do trajeto para diminuir a necessidade de paradas longas.

Em Detroit, os testes incluem uma Ford E-Transit adaptada com receptor da Electreon e, segundo a empresa, a van circulou pelo trecho eletrificado em condições reais de trânsito, incluindo frio, calor e tráfego urbano.

Ainda um laboratório urbano, e não solução de massa

Apesar do avanço, o asfalto de Detroit ainda não carrega como um carregador ultrarrápido de rodovia, e o trecho americano é mais um laboratório urbano do que uma solução pronta para uso em massa.

A recarga sem fio em movimento segue como um experimento em via pública, voltado a testar a tecnologia em condições reais antes de qualquer aplicação em larga escala.

Ainda assim, outros testes mostram que a recarga dinâmica pode ganhar força em vias maiores, fora do ambiente urbano.

A ideia é que, com mais potência e trechos mais longos, o mesmo princípio aplicado ao asfalto de Detroit possa atender também estradas de maior fluxo, onde os veículos passam mais tempo em movimento.

A rodovia A10 na França e os mais de 300 kW

Na França, um projeto liderado pela VINCI Autoroutes, em parceria com a Electreon, a Universidade Gustave Eiffel e a Hutchinson, instalou carregamento dinâmico sem fio em 1,5 km da rodovia A10, perto de Paris.

Quatro veículos protótipos, incluindo um caminhão, uma van, um carro e um ônibus, passaram a rodar no trecho de asfalto em tráfego real.

Segundo a VINCI, os primeiros resultados indicaram transferência de mais de 300 kW de potência instantânea e mais de 200 kW de potência média em condições ideais.

A empresa afirma que, em escala maior, esse tipo de solução poderia reduzir o tamanho das baterias, especialmente em veículos pesados, o que ajuda a explicar o interesse em levar o asfalto eletrificado para além dos testes urbanos.

O asfalto que carrega carro elétrico em movimento já é realidade em testes, com Detroit usando bobinas sob o pavimento que transferem energia por indução, sem cabo e sem parar, mas apenas para veículos com receptor aprovado da Electreon.

O sistema, segundo a Prefeitura de Detroit, ativa as bobinas somente quando o carro compatível passa por cima, e ainda funciona mais como um laboratório urbano do que como uma solução de massa.

Na França, um projeto da VINCI Autoroutes com parceiros instalou recarga dinâmica em 1,5 km da rodovia A10, onde, segundo a empresa, quatro protótipos transferiram mais de 300 kW de potência instantânea em condições ideais, uma potência que, em escala maior, poderia reduzir o tamanho das baterias.

A tecnologia, portanto, ainda depende de veículos preparados e de mais avanços, mas aponta para uma nova forma de pensar a recarga dos elétricos.

E você, o que achou do asfalto que carrega carros elétricos em movimento, testado em Detroit e na França? Acredita que a recarga sem fio nas vias pode reduzir a ansiedade de autonomia e mudar as frotas urbanas? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre mobilidade elétrica e infraestrutura.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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