A CNOOC anunciou a descoberta do campo Huizhou 19-6 no Mar da China Meridional, com reservas comprovadas superiores a 100 milhões de toneladas de óleo equivalente, a 170 km de Shenzhen, em camadas de rocha clástica ultraprofunda a 5.415 metros que nunca haviam sido exploradas
Em 31 de março de 2025, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) confirmou uma descoberta que pode redesenhar o mapa energético asiático. O campo Huizhou 19-6, localizado no leste do Mar da China Meridional a cerca de 170 km de Shenzhen, contém reservas comprovadas superiores a 100 milhões de toneladas de óleo equivalente. Dessa forma, é o primeiro campo petrolífero clástico de grande porte encontrado pela China em camadas deep-play ultraprofundas.
Zhou Xinhuai, CEO da CNOOC, declarou: “Esta é a segunda descoberta consecutiva, em dois anos, de campos com mais de 100 milhões de toneladas em reservas no leste do Mar da China Meridional.” Portanto, a China está desbloqueando uma nova fronteira petrolífera em águas que antes pareciam esgotadas.
Os números do campo Huizhou 19-6 que surpreenderam geólogos

- Reservas: +100 milhões de toneladas de óleo equivalente
- Localização: ~170 km de Shenzhen, Guangdong
- Profundidade da água: 100 metros (média)
- Profundidade do reservatório: 5.415 metros (ultraprofundo)
- Tipo de rocha: clástica integrada de larga escala (1º desse tipo na China offshore)
- Teste de produção: 413 barris de petróleo + 68 mil m³ de gás natural por dia
Xu Changgui, Geólogo-chefe da CNOOC, afirmou: “A descoberta confirma a existência do maior campo petrolífero clástico na China, destacando o elevado potencial de exploração de recursos em bacias de alta temperatura e pressão na costa do país.”
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Por que encontrar petróleo em rocha clástica ultraprofunda é tão difícil

Camadas clásticas ultraprofundas combinam três desafios que tornam a exploração extremamente complexa: baixa permeabilidade da rocha, altas temperaturas e pressões elevadas. Consequentemente, poucas empresas no mundo têm capacidade técnica para perfurar e produzir nessas condições. O campo Huizhou 19-6 é a primeira vez que a China consegue confirmar reservas significativas nesse tipo de formação em ambiente offshore.
A descoberta se soma a outros sucessos recentes da CNOOC no leste do Mar da China Meridional, incluindo Huizhou 26-6 Norte, Panyu 10-6, Kaiping 18-1 e Xijiang 24-2. Além disso, o campo Kaiping 18-1 já havia sido a primeira descoberta de 100 milhões de toneladas em águas profundas na região.
Segurança energética chinesa e as disputas no Mar da China Meridional

O campo Huizhou 19-6 está localizado na Zona Econômica Exclusiva da China, fora das áreas diretamente disputadas com Filipinas, Vietnã, Malásia e outros países. Contudo, o Mar da China Meridional como um todo é um dos pontos geopolíticos mais tensos do planeta, e qualquer expansão de exploração na região tem implicações estratégicas.
Para a segurança energética chinesa, a descoberta é significativa. A China busca reduzir dependência de importações de petróleo, que podem atingir pico em 2026 com desaceleração na demanda de transporte. Ainda assim, o campo Huizhou 19-6 não tem prazo definido para início de produção comercial, e os desafios de baixa permeabilidade podem atrasar a exploração. Por outro lado, cada campo que a CNOOC confirma no leste do Mar da China Meridional fortalece a narrativa de autossuficiência que Pequim persegue há décadas.

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