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A China acaba de encontrar petróleo em camadas de rocha que ninguém achava possível explorar no fundo do Mar do Sul da China, e o campo com mais de 100 milhões de toneladas pode mudar o equilíbrio de poder energético na Ásia

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 13/04/2026 às 17:30
Atualizado em 13/04/2026 às 17:32
Plataforma CNOOC operando no Mar da China Meridional com águas tropicais calmas
O campo Huizhou 19-6 tem mais de 100 milhões de toneladas em reservas comprovadas a 170 km de Shenzhen.
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A CNOOC anunciou a descoberta do campo Huizhou 19-6 no Mar da China Meridional, com reservas comprovadas superiores a 100 milhões de toneladas de óleo equivalente, a 170 km de Shenzhen, em camadas de rocha clástica ultraprofunda a 5.415 metros que nunca haviam sido exploradas

Em 31 de março de 2025, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) confirmou uma descoberta que pode redesenhar o mapa energético asiático. O campo Huizhou 19-6, localizado no leste do Mar da China Meridional a cerca de 170 km de Shenzhen, contém reservas comprovadas superiores a 100 milhões de toneladas de óleo equivalente. Dessa forma, é o primeiro campo petrolífero clástico de grande porte encontrado pela China em camadas deep-play ultraprofundas.

Zhou Xinhuai, CEO da CNOOC, declarou: “Esta é a segunda descoberta consecutiva, em dois anos, de campos com mais de 100 milhões de toneladas em reservas no leste do Mar da China Meridional.” Portanto, a China está desbloqueando uma nova fronteira petrolífera em águas que antes pareciam esgotadas.

Os números do campo Huizhou 19-6 que surpreenderam geólogos

Operação de perfuração deepwater no Mar da China Meridional para campo Huizhou 19-6
  • Reservas: +100 milhões de toneladas de óleo equivalente
  • Localização: ~170 km de Shenzhen, Guangdong
  • Profundidade da água: 100 metros (média)
  • Profundidade do reservatório: 5.415 metros (ultraprofundo)
  • Tipo de rocha: clástica integrada de larga escala (1º desse tipo na China offshore)
  • Teste de produção: 413 barris de petróleo + 68 mil m³ de gás natural por dia

Xu Changgui, Geólogo-chefe da CNOOC, afirmou: “A descoberta confirma a existência do maior campo petrolífero clástico na China, destacando o elevado potencial de exploração de recursos em bacias de alta temperatura e pressão na costa do país.”

Por que encontrar petróleo em rocha clástica ultraprofunda é tão difícil

Equipamento subsea para perfuração ultra-profunda do campo Huizhou 19-6

Camadas clásticas ultraprofundas combinam três desafios que tornam a exploração extremamente complexa: baixa permeabilidade da rocha, altas temperaturas e pressões elevadas. Consequentemente, poucas empresas no mundo têm capacidade técnica para perfurar e produzir nessas condições. O campo Huizhou 19-6 é a primeira vez que a China consegue confirmar reservas significativas nesse tipo de formação em ambiente offshore.

A descoberta se soma a outros sucessos recentes da CNOOC no leste do Mar da China Meridional, incluindo Huizhou 26-6 Norte, Panyu 10-6, Kaiping 18-1 e Xijiang 24-2. Além disso, o campo Kaiping 18-1 já havia sido a primeira descoberta de 100 milhões de toneladas em águas profundas na região.

Segurança energética chinesa e as disputas no Mar da China Meridional

Vista satelital do Mar da China Meridional com plataformas do campo Huizhou 19-6

O campo Huizhou 19-6 está localizado na Zona Econômica Exclusiva da China, fora das áreas diretamente disputadas com Filipinas, Vietnã, Malásia e outros países. Contudo, o Mar da China Meridional como um todo é um dos pontos geopolíticos mais tensos do planeta, e qualquer expansão de exploração na região tem implicações estratégicas.

Para a segurança energética chinesa, a descoberta é significativa. A China busca reduzir dependência de importações de petróleo, que podem atingir pico em 2026 com desaceleração na demanda de transporte. Ainda assim, o campo Huizhou 19-6 não tem prazo definido para início de produção comercial, e os desafios de baixa permeabilidade podem atrasar a exploração. Por outro lado, cada campo que a CNOOC confirma no leste do Mar da China Meridional fortalece a narrativa de autossuficiência que Pequim persegue há décadas.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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