Com 24 projetos chineses entre 2007 e 2025, a Bahia se consolida como o estado mais atrativo do Nordeste e ganha força em uma nova rota de investimentos que conecta indústria automotiva, veículos elétricos da BYD, mineração, minerais críticos, eletricidade, energia limpa, tecnologia de baixo carbono e a retomada produtiva de Camaçari no cenário econômico brasileiro
A Bahia passou a ocupar um lugar estratégico no mapa dos investimentos chineses no Brasil, depois de reunir 24 projetos entre 2007 e 2025 e assumir a liderança do Nordeste nesse tipo de aporte.
Conforme levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o estado ficou em 4º lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Esse avanço ocorre em um momento decisivo. Em 2025, o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo, com 10,9% do valor global aplicado pela China.
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Nesse mesmo período, os aportes chineses no país chegaram a US$ 6,1 bilhões, o maior valor desde 2017 e uma alta de 45% em relação a 2024.
Por que a Bahia entrou no radar da China
A Bahia ganhou força porque reúne setores considerados estratégicos para a China. Entre eles estão minerais críticos, energia limpa, indústria manufatureira, turismo e tecnologia de ponta.
Ao mesmo tempo, em 2025, sete dos nove estados do Nordeste receberam investimentos chineses. Esses aportes foram direcionados principalmente para eletricidade, mineração e indústria manufatureira.
Nesse cenário, a Bahia recebeu dois projetos chineses em 2025, o mesmo número registrado por Paraíba, Maranhão e Ceará.
Com isso, o estado reforçou sua posição como um dos principais pontos de entrada da China no Nordeste brasileiro.
BYD reacende o polo automotivo de Camaçari
O setor automotivo teve papel central nessa virada. Em 2025, a inauguração das fábricas da BYD na Bahia marcou uma nova fase para Camaçari.
A chegada da montadora chinesa ajudou a preencher parte da lacuna deixada pelo fechamento da fábrica da Ford, em 2021.
Além desse movimento industrial, a expansão ocorre em um momento de crescimento dos veículos eletrificados no Brasil. Por isso, a Bahia passou a integrar uma cadeia ligada diretamente à transição energética.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), a economia baiana deve crescer 1,4% em 2026. Esse avanço deve ser impulsionado pelo polo automotivo de Camaçari e pela expansão dos serviços em Salvador.
Enquanto isso, o crescimento do emprego em Camaçari mostra a retomada da cadeia produtiva regional. Portanto, a tendência é de novas demandas para a indústria baiana.
Mineração amplia o peso estratégico da Bahia
Além do setor automotivo, a mineração também fortalece a relação entre Bahia e China.
No primeiro trimestre de 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a Bahia registrou o 3º maior faturamento mineral do Brasil, com participação de 6%.
O estado ficou atrás apenas de Minas Gerais, com 38%, e do Pará, com 35%.
Da mesma forma, a Bahia aparece entre os principais destinos de investimentos minerais previstos para 2026 a 2030, com US$ 11,687 bilhões e participação de 15,2% no total do setor.
Em 2025, a chinesa CMOC realizou uma das maiores aquisições minerárias entre empresas chinesas. A companhia comprou minas de ouro da canadense Equinox Gold, incluindo ativos na Bahia e em outros estados, em uma transação de cerca de US$ 1 bilhão.
Energia, mineração e veículos elétricos formam a nova cadeia
Os investimentos chineses no Brasil mostram uma mudança clara de direção. Em 2025, o setor de eletricidade liderou os aportes, com 29,5% do total e US$ 1,79 bilhão.
Logo depois, a mineração recebeu US$ 1,76 bilhão, mais que o triplo do valor registrado em 2024.
Enquanto isso, o setor automotivo ficou em terceiro lugar, com US$ 965 milhões e participação de 15,8%.
Assim, a Bahia se tornou relevante porque conecta três frentes estratégicas: minerais críticos, veículos eletrificados e energia limpa.
Essa integração pode fortalecer cadeias produtivas nacionais e abrir espaço para inovação, diversificação industrial e tecnologias de baixo carbono.
O que essa virada representa para a Bahia
A Bahia deixou de ser apenas um destino regional de investimentos e passou a disputar espaço em cadeias globais mais sofisticadas.
Somado a isso, a presença chinesa em setores como mineração, eletricidade e veículos elétricos reforça o papel do estado na transição energética.
No entanto, o avanço também traz desafios. O principal deles será preparar mão de obra local para atender às novas tecnologias industriais e automotivas.
Se essa qualificação avançar, Camaçari pode se consolidar como um hub automotivo tecnológico e resiliente no Nordeste.
Enquanto isso, a mineração baiana pode ampliar sua conexão com a indústria de baixo carbono e com os veículos eletrificados.
Diante desse cenário, a Bahia entra em uma fase de disputa estratégica por investimentos, empregos e tecnologia. Será que o estado conseguirá transformar esse interesse chinês em desenvolvimento industrial duradouro?

