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ChatGPT identifica plano de pai para matar filho de 8 anos, aciona FBI e ajuda polícia a impedir crime no Espírito Santo

Imagem de perfil do autor Viviane Alves
Escrito por Viviane Alves Publicado em 27/06/2026 às 01:57 Atualizado em 27/06/2026 às 01:59
Mensagens analisadas pelo ChatGPT indicam ameaça contra criança e levam alerta ao FBI e à polícia do Espírito Santo
Imagem ilustrativa representa as mensagens preocupantes identificadas pelo ChatGPT, que motivaram um alerta ao FBI e chegaram às autoridades do Espírito Santo.
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Conversas mencionavam vítima, armas, veneno e uma data para o ataque, levando autoridades brasileiras a prenderem o suspeito antes do possível crime.

Um homem foi preso no Espírito Santo, em 19 de junho, depois que conversas mantidas com o ChatGPT revelaram um possível plano para matar o próprio filho.

A criança tinha apenas 8 anos. Além disso, conforme as mensagens, o crime seria cometido no dia seguinte à prisão.

Diante da gravidade, a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, enviou um alerta ao FBI.

Posteriormente, o órgão americano encaminhou as informações ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acionou a Polícia Civil do Espírito Santo.

Assim, as autoridades conseguiram localizar e prender o suspeito antes da data mencionada nas conversas.

Mensagens apresentavam detalhes do possível crime

Durante as conversas, o homem escreveu que estaria com uma arma, uma corda e veneno.

Além disso, ele mencionou a intenção de realizar ataques em espaços públicos.

O suspeito também afirmou que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o filho.

Entretanto, segundo o relato, a proposta foi recusada depois que o possível contratado descobriu que a vítima seria uma criança.

Em outra mensagem, o homem questionou a origem de sua vontade de matar pessoas. Ao mesmo tempo, declarou gostar de observar o sofrimento alheio.

Portanto, as conversas reuniam elementos considerados graves, como vítima identificada, métodos, instrumentos e uma data próxima.

Como o ChatGPT identifica ameaças

A OpenAI informou ao g1 que seus sistemas foram desenvolvidos para proteger os usuários e outras pessoas.

Primeiramente, a análise é realizada por sistemas automatizados, que conseguem classificar conteúdos e interpretar o contexto das mensagens.

Além disso, o processo utiliza listas de termos proibidos e bancos de dados com materiais anteriormente sinalizados.

Quando uma conversa apresenta indícios de risco, ela pode ser encaminhada para moderadores humanos.

Então, esses profissionais analisam se houve violação das políticas e verificam a possibilidade real de um ato violento.

Caso o risco seja considerado baixo, nenhuma medida extrema precisa ser adotada.

Porém, diante de uma ameaça iminente e crível, a conta pode ser desativada. Além disso, autoridades competentes podem ser avisadas.

Painel vermelho mostra mensagens com ameaças contra policiais, ao lado da imagem de um agente e de uma viatura.
Imagem ilustrativa representa mensagens com ameaças contra policiais identificadas durante conversas analisadas por sistemas de inteligência artificial.

Padrão das conversas aumentou a gravidade

Segundo Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo, assistentes digitais analisam conteúdos principalmente por mecanismos automáticos.

No entanto, o caso do Espírito Santo ultrapassou o limite de risco porque havia uma vítima, meios disponíveis e uma data definida.

Por isso, segundo o especialista, o alerta atingiu o nível máximo de severidade.

Em comunicado publicado em abril de 2026, a OpenAI afirmou que certos perigos aparecem somente após a análise de conversas mais longas.

Ou seja, uma única mensagem pode parecer inofensiva. Entretanto, o conjunto das interações pode revelar um comportamento mais preocupante.

Alerta internacional chegou à polícia brasileira

Depois de receber o comunicado da OpenAI, o FBI enviou o material ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em seguida, as informações foram repassadas à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Espírito Santo.

A equipe cumpriu mandados judiciais e prendeu o homem em 19 de junho.

Segundo o delegado Ícaro Olímpio, o suspeito negou as acusações.

Contudo, o histórico de conversas fornecido pela OpenAI apresentou elementos suficientes para justificar a ação preventiva.

De acordo com o delegado Breno Andrade, em entrevista à TV Gazeta, esse foi apenas o terceiro alerta semelhante recebido no Brasil.

Especialista defende canal direto no Brasil

Embora tenha considerado correta a comunicação do caso, Álvaro Machado Dias criticou o envio inicial ao FBI.

Segundo ele, o alerta deveria ter sido encaminhado diretamente à Polícia Federal ou ao Ministério da Justiça.

Ainda assim, o especialista reconheceu a lógica da OpenAI, que possui sede nos Estados Unidos e contato com autoridades americanas.

Ao mesmo tempo, ele defendeu a criação de um canal brasileiro específico para receber denúncias produzidas por plataformas de inteligência artificial.

Dessa forma, as investigações poderiam começar mais rapidamente em situações de risco.

Por fim, o professor ressaltou que conversas com o ChatGPT não possuem segredo profissional.

Portanto, embora algumas pessoas tratem a inteligência artificial como terapeuta ou advogado, o sistema não exerce nenhuma dessas funções.

Você acredita que empresas de inteligência artificial devem comunicar imediatamente às autoridades conversas que indiquem ameaças reais contra outras pessoas? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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