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Cemaden acende alerta de “desastre térmico” no Brasil em 2026: El Niño pode empurrar Sudeste e Centro-Oeste para ondas de calor extremas justamente quando reservatórios baixos ameaçam encarecer energia e alimentos

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 28/04/2026 às 20:54
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Nota do Cemaden alerta para calor extremo, El Niño e risco de crise hídrica e energética simultânea no Brasil em 2026.
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Nota do Cemaden alerta para calor extremo, El Niño e risco de crise hídrica e energética simultânea no Brasil em 2026.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), uma nota técnica enviada à Casa Civil em abril de 2026, com participação do climatologista José Marengo, descreve um cenário que combina duas crises simultâneas e interdependentes no Brasil: o calor extremo, que eleva o consumo de energia elétrica, e a escassez hídrica, que reduz a capacidade de produzi-la. De acordo com o documento, o fenômeno El Niño tem cerca de 80% de probabilidade de se estabelecer um desastre térmico entre agosto e outubro de 2026. Caso evolua para intensidade forte ou muito forte — cenário indicado por cerca de 25% dos modelos climáticos — o país pode superar 2024 como o ano mais quente da história registrada.

“Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro”, afirmou Marengo ao apresentar o documento. “Mais que isso, é especulação.”

O que não é especulação são os dados recentes: o Brasil registrou 10 ondas de calor em 2024, oito em 2023 e sete em 2025, com tendência clara de aumento em frequência, duração e intensidade. O ponto crítico é que o El Niño de 2026 não começa do zero — ele se forma sobre uma base climática já aquecida, o que amplifica seus efeitos de forma significativa.

O que é desastre térmico e por que o conceito vai além de uma onda de calor isolada

O termo desastre térmico não é retórico. Trata-se de uma classificação técnica utilizada pelo Cemaden para descrever eventos de calor extremo que ultrapassam a capacidade de resposta simultânea de sistemas essenciais como saúde, energia, abastecimento de água, agricultura e infraestrutura.

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A distinção central está na escala e no efeito acumulado. Uma onda de calor é definida como um período de pelo menos três dias consecutivos com temperaturas acima de um determinado limiar climático. Esse tipo de evento, isoladamente, ainda pode ser absorvido por sistemas adaptativos: hospitais ampliam atendimento, usinas acionam fontes complementares e agricultores ajustam ciclos produtivos.

O desastre térmico ocorre quando esse evento é mais intenso, mais prolongado e coincide com fragilidades estruturais já existentes. Reservatórios abaixo do nível ideal, redes elétricas operando no limite, sistemas de saúde pressionados e estoques agrícolas reduzidos criam um ambiente em que múltiplos sistemas entram em estresse simultâneo. Esse é exatamente o cenário descrito pelo Cemaden para o segundo semestre de 2026.

Como o El Niño intensifica o calor extremo e reduz a recuperação térmica noturna

O El Niño não cria ondas de calor do zero, mas atua como um amplificador climático. No Sudeste e no Centro-Oeste, regiões onde seus efeitos são mais diretos, o fenômeno reduz a formação de nuvens, diminui a precipitação e aumenta a incidência de radiação solar direta.

Um dos efeitos mais críticos está nas temperaturas mínimas. Durante eventos intensos de calor, o problema não está apenas nas máximas diurnas, mas na ausência de resfriamento noturno. Quando as noites permanecem quentes, o corpo humano não consegue dissipar o calor acumulado durante o dia.

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Esse fator é central para a saúde pública. Estudos epidemiológicos indicam que a mortalidade associada ao calor extremo está fortemente ligada à persistência de temperaturas elevadas durante a noite, e não apenas aos picos diurnos.

O risco energético cresce com menos água nos reservatórios e mais demanda por eletricidade

O Sudeste e o Centro-Oeste concentram cerca de 70% da capacidade instalada de geração hidrelétrica do Brasil, o que torna essas regiões especialmente vulneráveis à combinação de seca e calor.

Os reservatórios dependem das chuvas de verão para manter níveis adequados ao longo do ano. Em 2026, porém, esse ciclo não ocorreu de forma ideal. A Climatempo registrou que o verão foi marcado por chuvas irregulares, com episódios intensos intercalados por períodos secos, o que compromete a recarga contínua dos reservatórios.

Quando o outono começa com níveis abaixo do ideal, o sistema entra no segundo semestre já fragilizado.

O El Niño agrava esse cenário de duas maneiras simultâneas:

Primeiro, reduz ainda mais a precipitação nas bacias hidrográficas, diminuindo a capacidade de geração hidrelétrica.

Segundo, eleva as temperaturas, aumentando o consumo de energia por parte de residências e indústrias, principalmente pelo uso de ar-condicionado e sistemas de refrigeração.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda é o núcleo do risco energético identificado pelo Cemaden. A CNN Brasil, em análise publicada em dezembro de 2025, apontou que, se o padrão de chuvas se mantiver irregular, não se pode descartar a aplicação da bandeira tarifária vermelha durante o inverno, com cobrança adicional de R$ 7,877 por 100 kWh consumidos — um cenário incomum, já que o inverno historicamente apresenta menor consumo e maior recuperação dos reservatórios.

Histórico recente mostra que o impacto do El Niño depende da base climática já aquecida

O histórico recente reforça a preocupação. O El Niño de 2015-2016 foi intenso e coincidiu com uma das maiores crises hídricas da história recente do Brasil, especialmente em São Paulo, onde o sistema Cantareira atingiu níveis críticos.

Já o El Niño de 2023-2024 não foi classificado como extremo, mas ocorreu em um planeta mais quente. Seus efeitos foram amplificados por essa base térmica elevada.

O resultado foi um conjunto de eventos extremos simultâneos:

  • As enchentes no Rio Grande do Sul em maio de 2024, com mais de 150 mortes e centenas de milhares de desabrigados.
  • A seca histórica na Amazônia, com o Rio Negro atingindo níveis recordes de baixa.
  • Incêndios extensos no Pantanal.

O Cemaden aponta que o El Niño de 2026 se formará sobre uma base ainda mais quente. Os anos de 2023, 2024 e 2025 estão entre os mais quentes já registrados globalmente. Isso significa que mesmo um evento de intensidade moderada pode produzir efeitos severos.

Pantanal, cerrado e sul da Amazônia entram em zona crítica de incêndios com avanço da seca

A nota técnica identifica o Pantanal como uma das regiões mais vulneráveis no segundo semestre de 2026. Em anos de El Niño, a combinação de chuvas abaixo da média, calor intenso e baixa umidade cria condições ideais para incêndios de grande escala.

Em 2024, o bioma já havia registrado um dos piores cenários recentes, com vegetação ressecada e áreas normalmente úmidas se tornando inflamáveis.

Se o padrão climático se repetir ou se intensificar, o risco de incêndios aumenta significativamente a partir de agosto, quando a estação seca atinge seu pico.

Esses incêndios não ficam restritos ao local onde ocorrem. A fumaça pode percorrer milhares de quilômetros, afetando a qualidade do ar em grandes centros urbanos e alterando o balanço de radiação da atmosfera.

Além disso, o desmatamento amplifica o problema ao reduzir a evapotranspiração, diminuindo a formação de nuvens e agravando a escassez de chuvas.

Calor extremo já afeta alimentos e pode pressionar preços no Brasil em 2026

O impacto do calor extremo chega rapidamente à economia real, especialmente por meio do preço dos alimentos.

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Culturas hortifrutigranjeiras são altamente sensíveis a temperaturas elevadas. Períodos prolongados acima de 35°C podem comprometer o desenvolvimento de plantas, reduzir a produtividade e afetar diretamente a oferta.

Regiões produtoras no Sudeste já registraram perdas associadas a ondas de calor nos últimos anos, e a tendência é de intensificação.

Na pecuária, o estresse térmico reduz a produção de leite e o ganho de peso do gado a partir de cerca de 27°C, o que pressiona custos e diminui a eficiência produtiva.

A cadeia de proteína animal também sofre impactos indiretos, já que milho e soja — principais insumos — são afetados pelas condições climáticas adversas.

O resultado tende a aparecer no consumidor final na forma de aumento de preços e maior volatilidade no abastecimento.

Nota do Cemaden conecta clima, energia, saúde e alimentos em um único risco sistêmico

O uso do termo desastre térmico pelo Cemaden não é casual. Ele aparece associado a um diagnóstico que integra múltiplos sistemas críticos.

  • O calor extremo afeta diretamente a saúde.
  • A escassez hídrica compromete a geração de energia.
  • A pressão sobre o sistema elétrico aumenta custos e riscos de instabilidade.
  • A agricultura sofre perdas que impactam o abastecimento.

Esses fatores não atuam isoladamente. Eles se reforçam mutuamente, criando o que especialistas classificam como um risco sistêmico.

O El Niño de 2026 não cria esse cenário sozinho. Ele atua sobre uma base já alterada, com temperaturas globais elevadas, reservatórios pressionados e sistemas operando próximos do limite.

O que ainda não é possível determinar com precisão é o nível exato de intensidade que o fenômeno atingirá. Como o próprio José Marengo destacou, projeções mais específicas ainda dependem da evolução do sistema no Pacífico.

O que você acha desse cenário de calor extremo e risco sistêmico no Brasil em 2026

O segundo semestre de 2026 pode marcar um ponto crítico na forma como o Brasil lida com eventos climáticos extremos. O conceito de desastre térmico coloca em evidência não apenas o calor, mas a interação entre diferentes sistemas que sustentam o funcionamento do país.

A combinação entre clima, energia, água, produção de alimentos e saúde pública mostra que eventos extremos não são mais fenômenos isolados, mas processos complexos que exigem leitura integrada.

Diante desse cenário, vale observar como essas projeções vão se confirmar nos próximos meses e quais medidas serão adotadas para reduzir riscos que, segundo o Cemaden, já não podem mais ser tratados como eventos excepcionais.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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